Estamos ao lado do povo iraniano contra o ataque imperialista-sionista

4 de Março, 2026
5 mins leitura

Pelo Partido da Democracia dos Trabalhadores (IDP), secção da UIT-QI na Turquia

O último dia de fevereiro começou com o ataque imperialista contra o Irão, denominado “Operação Fúria Épica” (‘Operation Epic Fury‘) pelos Estados Unidos da América e “Operação Leão Rugidor” (‘Operation Roaring Lion‘) por Israel. No ataque, que matou o líder da República Islâmica do Irão Ali Khamenei, e vários altos funcionários do regime, os centros militares, rampas de mísseis balísticos, instalações nucleares, bem como outros pontos estratégicos do Irão, continuam a ser alvo de ataques. O Pentágono anunciou que, até ao momento, mais de mil alvos foram atingidos. Em resposta a esses ataques, o Irão retaliou contra o Estado ocupante de Israel, visando bases e navios da Marinha dos EUA em cerca de 10 países, a maioria deles árabes. Israel também intensificou os seus ataques contra o Líbano.

A maior concentração militar dos EUA no Sudoeste Asiático desde a invasão do Iraque em 2003 e a evacuação das consulados dos EUA na região foram sinais que indicavam a aproximação do ataque. Os EUA posicionaram 23 navios de guerra, incluindo o USS Gerald Ford, o maior navio de guerra do mundo, no Mediterrâneo, no Mar Vermelho e nas proximidades do Estreito de Ormuz, enviando para a região cerca de metade da sua força aérea destacável fora do seu território.

Os ataques contínuos ocorreram após semanas de negociações sob intensa pressão imperialista dos EUA e de Israel. Nas negociações em Genebra, que continuaram até pouco antes do ataque, os EUA e Israel exigiram que o Irão suspendesse completamente o seu programa de enriquecimento nuclear, cessasse as suas atividades em regiões como o Iraque, o Líbano e o Iémen, e deixasse de representar uma ameaça para Israel com os seus mísseis balísticos. Sabia-se que o Irão apenas aceitava fazer concessões relativas ao programa nuclear. É muito difícil prever se a guerra terminará rapidamente e se se transformará num acordo aceitável tanto para os EUA como para Israel. Notícias baseadas em informações de oficiais do exército de ocupação israelita afirmam que a guerra poderá durar pelo menos algumas semanas e que o seu fim não está à vista.

Embora não seja fácil prever como a guerra irá continuar, é bastante claro que ela não trará nenhum benefício para os povos da região e para a classe trabalhadora. Não é preciso ir muito longe para compreender a hipocrisia do apelo “recuperem o vosso país” dirigido ao povo iraniano, juntamente com os ataques iniciados pelo presidente dos EUA, Trump. O genocídio que Israel está a perpetrar em Gaza, com o apoio dos EUA, é prova do caráter absolutamente reacionário do imperialismo e de que ele não promete nada além de sangue e lágrimas para os povos da região. Além disso, é evidente que os ataques contra o Irão não são dirigidos apenas ao regime, mas também ao povo iraniano. Ainda no início dos ataques, há notícias de que pelo menos 170 crianças e professores foram mortos numa escola primária na cidade iraniana de Minab, alvo de Israel. Como se pode perceber por exemplos como este, cujo número pode aumentar, os ataques contra o Irão não têm qualquer relação com as mobilizações legítimas contra o regime dos mulás que ocorreram em janeiro. O objetivo deste ataque é garantir a segurança do genocida Israel e reforçar o controlo dos EUA sobre o Médio Oriente. Por isso é necessário opor-se, sem reservas, ao ataque dos EUA e de Israel, apoiado ou, pelo menos, tolerado por outros países imperialistas e regimes reacionários da região, e estar ao lado do povo iraniano.

A oposição à intervenção imperialista não significa, evidentemente, dar apoio político ao regime clerical ou encobrir os crimes que este comete contra o seu próprio povo e outros povos. Este apoio significa defender o direito do Irão de resistir à agressão imperialista, sem cair em qualquer ilusão sobre o regime opressivo e reacionário.

A política externa hipócrita do regime ‘de um Homem Só’

A abordagem do regime ‘de um homem só‘ em relação aos desenvolvimentos atuais continua a ser moldada no contexto das relações de dependência com o imperialismo norte-americano. Embora o presidente Erdoğan tenha condenado os EUA e Israel, também afirmou que não apoia os ataques do Irão contra os países do Golfo, independentemente do motivo. Esta declaração encobre o facto de os ataques de retaliação do Irão terem sido dirigidos contra bases americanas, apresentando as duas partes como se tivessem cometido crimes equivalentes. No entanto, é notável que a Turquia faz parte da NATO e tem o segundo maior exército, além de que as bases de Incirlik e Kürecik, localizadas em território turco, continuem ao serviço do imperialismo. O regime ‘de um homem só‘ demonstrou que não está do lado do povo iraniano ao tomar uma posição a favor do regime dos mulás durante a revolta de janeiro. O objetivo fundamental do regime ‘de um homem só‘ é garantir que o capitalismo e o regime turco superem processos como este sem sofrer danos, através da preservação de um ambiente de “estabilidade“. Após o início da guerra, continua a tentar implementar essa política, posicionando-se como mediador entre as duas partes.

A política da principal oposição neste contexto não vai além do apelo ao cumprimento do direito internacional, que se revela cada vez mais falido. Özgür Özel, que convidou as partes à moderação, enfatizou a estabilidade na região. Um apelo passivo à moderação diante da intervenção imperialista e um convite ao cumprimento do direito internacional, que as potências imperialistas espezinharam, surge como uma política considerada inútil pelas massas.

O ‘Partido da Esquerda Verde‘ (‘Yeşil Sol Parti‘ – YSP), por sua vez, fez um apelo a uma “terceira via“. Este apelo também está longe de mostrar uma posição clara contra a agressividade do imperialismo. Embora seja muito importante separar a tomada de uma posição clara contra o imperialismo do apoio político ao regime clerical, não se deve esquecer que esta tarefa deve começar com a oposição à agressividade imperialista e com o apoio ao povo iraniano.

Neste contexto, salientamos mais uma vez que rejeitamos a política externa hipócrita do governo de Erdoğan. A base de Kürecik, criada para vigiar o Irão ao serviço do sionismo, deve ser imediatamente encerrada. Incirlik e todas as bases militares estrangeiras no país devem ser encerradas, e a Turquia deve sair da NATO. O fanatismo em relação ao regime sionista deve acabar; todas as relações militares, comerciais e diplomáticas devem ser cortadas. Com base nessas exigências, devemos ampliar a luta contra a barbárie imperialista e sionista, garantindo a mais ampla unidade de ação das organizações de trabalhadores e da esquerda.

Ir paraTopo

Don't Miss