Cresce a mobilização mundial contra o genocídio israelita

15 de Setembro, 2025
2 mins leitura

Por Miguel Ángel Hernández, dirigente do Partido Socialismo e Liberdade (PSL), secção da UIT-QI na Venezuela, e da UIT-QI

Enquanto Israel avança com o genocídio em Gaza, a usar a fome como arma de guerra, cresce a mobilização mundial em apoio ao povo palestiniano e contra a entidade sionista. Milhares mobilizam-se por todo o mundo, incluindo até em Israel. Artistas, desportistas, intelectuais, judeus antissionistas e sindicatos – todos repudiam Israel, aprofundando o seu isolamento e a sua crise política.

Quase dois anos após o início da agressão israelita contra Gaza, números assustadores expressam toda a magnitude do genocídio: mais de 64.000 palestinianos mortos e 163.000 feridos; até ao momento, 382 já morreram de desnutrição, dos quais mais de 130 são crianças; 43.000 crianças, menores de 5 anos, sofrem de desnutrição, assim como mais de 55.000 mulheres grávidas e lactantes, e 67% das grávidas sofrem de anemia; 21.000 crianças ficaram incapacitadas como resultado dos bombardeamentos.

A 1 de setembro, a principal organização de estudiosos do genocídio no mundo, a ‘Associação Internacional de Académicos em Genocídio‘ (‘International Association of Genocide Scholars‘ – ‘IAGS‘), declarou que Israel estaria a cometer um genocídio em Gaza.

A fome e a limpeza étnica continuam

Antes desta decisão do IAGS, algumas organizações reconheceram a existência de um genocídio em Gaza, tais como a ‘Amnistia Internacional‘, a ‘Human Rights Watch‘, a ‘Forensics Architecture‘, a relatora especial sobre a situação dos direitos humanos nos territórios palestinianos ocupados, Francesca Albanese, e até mesmo, de forma inédita, organizações de direitos humanos israelitas como a ‘B’TSelem‘ e ‘Médicos pelos Direitos Humanos Israel‘.

Por sua vez, na Cisjordânia e em Jerusalém Oriental ocupadas, o exército sionista e os colonos mataram quase mil palestinianos desde outubro de 2023, segundo a ONU. Os assassinatos ocorrem paralelamente à destruição de milhares de oliveiras, à demolição de casas e ao estabelecimento de novos assentamentos ilegais.

Aos bombardeamentos indiscriminados por ar, terra e mar e aos ataques do exército que invadiu a faixa em 2023, soma-se o uso deliberado da fome como arma de guerra, com o cerco que Israel impõe ao povo de Gaza desde o início do ano, a impedir a entrada de alimentos, medicamentos, água e combustível em Gaza. Em agosto, o sistema de classificação da insegurança alimentar reconhecido pelas Nações Unidas confirmou que algumas partes de Gaza sofrem de fome. A 20 de agosto, começou a incursão terrestre do exército sionista na cidade de Gaza, no centro da faixa, zona onde o exército ainda não tinha entrado. Simultaneamente, intensificaram-se os bombardeamentos e os ataques em Jabalia, no norte, e no bairro de Zeitún, o maior da cidade de Gaza, enquanto o exército sionista emitia ordens de deslocação para o sul para mais de um milhão de pessoas, como parte da sua política de expulsão da população palestiniana de Gaza.

Foram aprovados, ao mesmo tempo, planos para acelerar a construção de colonatos a leste de Jerusalém, o que impediria o acesso à Cisjordânia ocupada. Para esse efeito, o ministro das Finanças de extrema-direita, Bezalel Smotrich, confirmou a decisão e disse que isso “apaga na prática a ilusão dos ‘dois Estados’ e consolida o controlo do povo judeu sobre o coração da terra de Israel… Cada colónia, cada bairro, cada habitação é um novo prego no caixão desta ideia perigosa“.

O projeto inclui a construção de uma nova estrada que separaria o tráfego palestiniano para Israel como parte do regime de apartheid estabelecido desde 1967 nos territórios ocupados.

Mas, para além dos bombardeamentos e da incursão terrestre na Cidade de Gaza e do avanço dos colonatos na Cisjordânia, o que se destaca, o que é qualitativo, é o imenso movimento de solidariedade que cresce exponencialmente em todo o mundo, lembrando a solidariedade internacional nos anos da guerra do Vietname.

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