Venezuela: Toda a nossa solidariedade para com o povo trabalhador afetado pelos terramotos

26 de Junho, 2026
4 mins leitura

Pelo Partido Socialismo e Liberdade (PSL), secção da UIT-QI na Venezuela

Na passada quarta-feira, 24 de junho, a partir das 18h04, ocorreram dois sismos quase simultâneos de 7,2 e 7,5 na escala de Richter, com epicentros no estado de Yaracuy, no centro-oeste do país, a cerca de 168 km da Caracas, a capital. Trata-se de um fenómeno invulgar e altamente perigoso, conhecido como dupla sísmica. Este fenómeno afetou a zona central do país e, em especial, o estado de La Guaira e Caracas, com graves repercussões em estados como Miranda, Aragua, Carabobo, Falcón, Zulia, Yaracuy e Lara, entre outros.

O último comunicado do governo estima o número de mortos em 589 e de feridos em 2.980, um número que, infelizmente, continuará certamente a aumentar com o passar das horas. Ainda há muitas pessoas desaparecidas, que se encontram sob os escombros de várias dezenas de edifícios que ruíram.

Do Partido Socialismo e Liberdade (PSL), manifestamos ao povo trabalhador venezuelano o nosso mais profundo pesar perante as inúmeras perdas de vidas humanas e as avultadas perdas materiais, particularmente de habitações, o que fez com que, até ao momento, haja mais de 27 mil pessoas afetadas. Manifestamos a nossa solidariedade para com os setores populares e os trabalhadores e trabalhadoras afetados pelos terramotos, e unimo-nos num abraço solidário a cada família trabalhadora que hoje sofre esta tragédia na própria pele.

Uma catástrofe natural no meio de uma grande catástrofe social

Esta catástrofe surge no pior momento para o nosso país, após anos de corrupção e desvio dos recursos provenientes do petróleo, de destruição dos serviços públicos em consequência da redução da despesa social, e da aplicação de um ajuste capitalista brutal que fez recair a crise sobre os ombros do povo trabalhador. Isto enquanto o governo avança no seu pacto com Trump e entrega os nossos recursos naturais, prepara despedimentos na função pública e pretende reformar a legislação laboral em função dos interesses do empresariado.

Um país em condições precárias e com sérias dificuldades para enfrentar uma catástrofe da magnitude daquela que acaba de ocorrer. Sem água, com cortes de energia crónicos, com transportes deficientes, sem gás, escassez de gasolina, com milhões de profissionais de saúde que abandonaram o país devido aos salários de fome, e com o sistema de saúde destruído após anos de desinvestimento e severas sanções imperialistas, aplicadas pelos Estados Unidos, o mesmo país que nos bombardeou há 6 meses e que agora, hipocritamente, nos oferece “ajuda“.

Um relatório recente do Inquérito Nacional aos Hospitais revelou que, em 2024, se verificava um défice de cerca de 60% da capacidade cirúrgica, com cerca de quatro salas de operações em funcionamento, em média, quando a capacidade arquitetónica por hospital é de cerca de 10. Além disso, em 91% dos centros hospitalares, os doentes têm de levar os próprios materiais para serem operados, enquanto a taxa de escassez de materiais de emergência era de 36%. Defendemos o trabalho do pessoal de saúde, que, apesar das condições precárias, trabalha com dedicação e empenho para salvar vidas.

Um evento sísmico de tal magnitude e extensão territorial afeta, sem distinções, todo o tecido social, mas são os setores populares, os habitantes dos bairros mais pobres e as trabalhadoras e trabalhadores que sofrem as piores consequências, em resultado das difíceis condições sociais em que vivem.

Todos os recursos do Estado devem estar disponíveis para atender às vítimas

Apelamos a todos os sindicatos, conselhos comunitários e outras organizações populares para que demonstrem toda a sua solidariedade para com as famílias afetadas, ativando centros de recolha e controlando a distribuição da ajuda para evitar a corrupção da burocracia governamental.

Exigimos ao governo interino de Delcy Rodríguez e a todas as instituições que todos os recursos do Estado sejam imediatamente destinados às pessoas afetadas e aos trabalhos de resgate das pessoas que permanecem sob os escombros. O BCV (Banco Cental de Venezuela) injetou mais de 5.500 milhões de dólares em dinheiro no setor bancário privado em apenas cinco meses para subsidiar os ricos. Exigimos que esta transferência de dinheiro para o setor privado e para o setor bancário seja interrompida e que esses recursos sejam canalizados para o fundo de emergência destinado à assistência aos familiares das vítimas e à reconstrução das habitações das pessoas que ficaram desabrigadas! Assistência graciosa e reconstrução habitacional imediata para as vítimas!

O governo deve exigir que as grandes empresas nacionais e transnacionais prestem apoio financeiro e que as empresas privadas de construção civil coloquem à disposição do governo toda a sua maquinaria pesada e equipamento para a remoção dos escombros e para salvar as vidas de centenas de pessoas que ainda permanecem presas nos edifícios que ruíram.

Horas antes dos poderosos terramotos, soube-se que o governo venezuelano iria tornar público que a sua dívida externa ascende a 240 mil milhões de dólares e que pretende chegar a um acordo com os credores para a saldar. Face à gravidade da situação criada pela catástrofe, exigimos que o governo desista desta medida e proponha a sua anulação.

Vários governos de todo o mundo já manifestaram a sua disponibilidade para enviar ajuda material e humanitária; nesse sentido, exigimos aos governos que ainda não se pronunciaram que o façam e enviem ajuda ao povo venezuelano, que atravessa uma situação dramática. Aliás, um desses “países” é Israel, que nos envia “ajuda” enquanto perpetra um genocídio em Gaza e em toda a Palestina.

Exigimos que os Estados Unidos levantem de uma vez por todas as sanções que ainda pesam sobre a nossa economia, particularmente as financeiras e as relacionadas com o petróleo. Rejeitamos a emissão da licença n.º 60, que acaba de ser emitida pela OFAC (Gabinete de Controlo de Ativos Estrangeiros), a qual facilita o envio e o processamento de fundos destinados à assistência humanitária, de forma transitória e apenas até ao mês de outubro; exigimos que seja permanente.

Exigimos igualmente que o imperialismo norte-americano entregue à Venezuela todo o dinheiro obtido com a venda de petróleo e minerais, que mantém retido no Departamento do Tesouro, e que esses recursos sejam destinados a um fundo especial de emergência para fazer face à tragédia. Os recursos provenientes do petróleo controlados pelos Estados Unidos devem ser colocados ao serviço das vítimas!

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