O regime sionista continua a desmoronar-se

2 de Julho, 2024
2 mins leitura

Por Enes Karakaş, do Partido da Democracia dos Trabalhadores (IDP), secção da UIT-QI na Turquia

Ao entrarmos no nono mês da “Operação Tempestade de Al-Aqsa“, lançada pelas organizações de resistência palestinianas a 7 de outubro, o genocídio iniciado por Israel continua. Até 25 de junho, 37.626 palestinianos foram mortos na Faixa de Gaza. 71% dos palestinianos assassinados são mulheres e crianças. Para além dos 86 mil feridos, cerca de 10 mil pessoas continuam desaparecidas sob os escombros, sem que se saiba o seu paradeiro. Na Cisjordânia ocupada, os colonos sionistas e o exército de ocupação mataram, ao longo de nove meses, mais de 500 palestinianos, dos quais 126 eram crianças.

Apesar dos massacres perpetrados por Israel há 76 anos, o povo palestiniano continua a apoiar a resistência. De acordo com um estudo realizado pelo Centro Palestiniano de Investigação Política e de Opinião Pública (PCPSR), 67% dos palestinianos de Gaza e da Cisjordânia apoiam o 7 de outubro. Uma percentagem semelhante de palestinianos afirma também estar do lado da solução de um único Estado e da intifada [1].

Enquanto os ataques do Estado genocida de Israel continuam, os povos do mundo também mantêm a sua mobilização em prol da Palestina. Sob a pressão das mobilizações de massas em todo o mundo, a Arménia reconheceu recentemente a Palestina, enquanto o governo da Colômbia suspendeu a exportação de carvão para a entidade sionista. Além disso, o último grande desenvolvimento que demonstra a continuidade do isolamento internacional do Estado pirata foi a decisão do Conselho de Segurança da ONU, de 11 de Junho, relativa a um cessar-fogo permanente.

Por outro lado, dezenas de milhares de colonos, incluindo familiares dos reféns, estão a bloquear estradas e a organizar manifestações para que se chegue a um acordo com a resistência palestiniana. Apesar de o exército sionista ter resgatado quatro reféns no massacre perpetrado no campo de Nuseyrat, a 9 de junho, o Estado ocupante está muito longe de ter alcançado os seus objetivos políticos e militares. A resistência palestiniana mantém 70-80% da sua capacidade operacional, e o sistema de túneis continua por desmantelar pelo exército de ocupação. Com o impacto de todos estes desenvolvimentos, a crise do regime sionista continua a agravar-se. Os ministros Benny Gantz e Gadi Eisenkot, que há muito ameaçavam dissolver o gabinete de guerra, demitiram-se do gabinete. Na sequência das demissões, Netanyahu dissolveu o gabinete de guerra. Para além do desacordo sobre o cessar-fogo, persistem as divergências entre a administração de Netanyahu e a administração Biden, bem como com a oposição sionista, relativamente ao plano de solução de ‘dois Estados‘.

Para além do genocídio em curso em Gaza, estão a ocorrer ataques contra Israel, nomeadamente na fronteira com o Líbano e a partir de regiões como o Iémen e o Iraque. O Hezbollah, com os ataques que levou a cabo, criou praticamente uma zona tampão nos territórios ocupados. Israel já não consegue controlar a sua fronteira norte e, embora o número não seja preciso, mais de 100 mil colonos ficaram deslocados nas regiões do interior. Perante esta situação, o governo de Netanyahu está a preparar o exército para uma operação militar contra o Líbano. Apesar do genocídio em que o regime sionista se envolveu, é evidente que não conseguiu derrotar nem o povo palestiniano nem as organizações de resistência, e que esta situação joga contra si. Tal como Ilan Pappé, conhecido pelos seus estudos sobre a limpeza étnica na Palestina, afirmou no seu último artigo: “Estamos a testemunhar o início de um processo histórico que provavelmente culminará no colapso do sionismo“.

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