Pela UIT-QI
Os Estados Unidos e Israel iniciaram, esta madrugada, um ataque conjunto em grande escala contra o Irão, ao qual deram o nome de “Operação Fúria Épica” (‘Operation Epic Fury‘). Os bombardeamentos ordenados pelo ultradireitista Donald Trump e pelo genocida Netanyahu foram dirigidos contra a capital, Teerão, e cidades como Isfahan, Tabriz, Qom, Karaj e Kermanshah, atacando instalações militares e nucleares. No entanto, o governo iraniano informou sobre vítimas civis numa escola primária para meninas na cidade de Minab, província de Hormozgán, onde relatórios preliminares informam que entre 63 e 85 estudantes teriam morrido.
O ultradireitista Trump justificou o ataque com a mentira da “segurança do povo norte-americano“, quando o Irão fica a quase 12.000 km dos EUA. É claro, o objetivo é destruir a indústria de mísseis, a Marinha e as instalações nucleares iranianas, apesar de que há 8 meses atrás, em junho do ano passado, garantiu terem acabado com o programa nuclear do Irão na “Operação Martelo da Meia-Noite” (‘Operation Midnight Hammer‘). Chegou a publicar nas redes sociais que “Foram causados danos monumentais a todas as instalações nucleares no Irão (…). Destruição total é o termo correto!” e “As três instalações nucleares no Irão foram completamente destruídas e/ou ANIQUILADAS. Levaria anos para colocá-las novamente em funcionamento (…)“, e a pagina oficial da Casa Branca publicava artigos sob o título “As instalações nucleares do Irão foram destruídas – e sugestões em contrário são notícias falsas” e “Os especialistas concordam: as instalações nucleares do Irão foram destruídas”. O Secretário de Guerra (antigo Secretário de Defesa) Pete Hegseth dizia “Com base em tudo o que vimos – e eu vi tudo -, a nossa campanha de bombardeamentos destruiu a capacidade do Irão de criar armas nucleares. As nossas bombas massivas atingiram exatamente o ponto certo em cada alvo e funcionaram perfeitamente. (…) Portanto, quem diz que as bombas não foram devastadoras está apenas a tentar minar o presidente e a missão bem-sucedida. (…) Dadas as 30.000 libras de explosões e a capacidade dessas munições, foi uma DEVASTAÇÃO debaixo de Fordow… Qualquer avaliação que diga o contrário é especulação com outros motivos” enquanto o Chefe do Estado-Maior General das IDF Eyal Zamir afirmava que “(…) atrasámos o processo em anos, repito, anos“. Agora, cínicamente, disse aos iranianos para não saírem de suas casas porque “muitas bombas cairão”.
Trump confirma-se como o polícia do mundo, tanto para sustentar os crimes de Israel contra a Palestina e o Sudoeste Asiático, como para defender os interesses petrolíferos e políticos dos EUA.
Em resposta, o Irão lançou mísseis contra bases militares dos Estados Unidos no Qatar, Kuwait, Bahrein, Arábia Saudita e Emirados Árabes Unidos, bem como contra Jerusalém, Haifa e Tel Aviv, onde já foram relatados impactos de mísseis.
Desde o final de janeiro, os Estados Unidos iniciaram o maior destacamento no Sudoeste Asiático desde a invasão do Iraque em 2003, cercando o Irão desde o Mar Mediterrâneo até ao Mar Arábico, posicionando na região o porta-aviões nuclear USS Gerald Ford, o maior do mundo, juntamente com o seu grupo de ataque, que inclui navios, caças, aviões de guerra eletrónica, vigilância e bombardeiros estratégicos.
Esta agressão é a continuação do ataque de Israel em junho do ano passado contra o Irão e dos bombardeamentos dos Estados Unidos alguns dias depois contra instalações nucleares iranianas com bombas GBU-57 ‘bunker buster‘, as armas não nucleares mais potentes do mundo.
Os Estados Unidos têm uma longa história de agressões contra os povos do Sudoeste Asiático: Líbano entre 1981 e 1984; Líbia de 1981 a 1989; Irão de 1987 a 1988; a invasão do Iraque em 1991, bombardeamentos no Sudão em 1991 e na Somália em 1998; a invasão do Afeganistão em 2001; nova invasão do Iraque em 2003; Iémen desde 2009 até ao presente. Igualmente Israel, que já desde a sua fundação, quando expulsou a população palestiniana da sua terra natal em 1948 com sangue e fogo, lançou inúmeras guerras contra todos os países vizinhos, e continua até hoje a atacar a Síria e o Líbano, no âmbito da sua política expansionista agressiva de criar o ‘Grande Israel‘.
Condenamos esta nova agressão dos Estados Unidos e de Israel e reivindicamos o direito do Irão de se defender do ataque criminoso do imperialismo norte-americano e do sionismo. Repudiamos toda e qualquer agressão contra os povos do Sudoeste Asiático e do mundo, e defendemos plenamente o direito do Irão de desenvolver o seu programa nuclear e possuir armas nucleares.
Repudiamos esta agressão com total independência política em relação ao regime ditatorial e teocrático dos aiatolás, ao qual não damos qualquer apoio político. Nesse sentido, sempre apoiámos os protestos das mulheres e das massas iranianas contra o regime capitalista e autoritário que reprime o movimento de massas, a classe trabalhadora e o povo do Irão, em especial, as reivindicações das mulheres pelos seus direitos.
Desde a Unidade Internacional de Trabalhadoras e Trabalhadores – Quarta Internacional (UIT-QI), apelamos aos povos do mundo para que se mobilizem para repudiar esta nova agressão militar ao Irão, liderada pelos criminosos Donald Trump e Benjamin Netanyahu. Exortamos a promover a mais ampla unidade de ação para derrotá-los. Desta forma, também contribuímos para a luta heróica do povo palestino para acabar com a limpeza étnica e o genocídio sionista e alcançar uma Palestina livre, do rio até ao mar.