Pelo Movimento Socialista de Trabalhadoras e Trabalhadores (MST), secção da UIT-QI na República Dominicana
No início de setembro, foi divulgada a denúncia de familiares de homens do município de Bajos de Haina, na província de San Cristóbal, que tinham sido vítimas de tráfico de pessoas através de ofertas de emprego enganosas e que acabaram por integrar as fileiras do exército russo, sendo forçados a participar na invasão imperialista de Putin contra a Ucrânia. De acordo com as denúncias das famílias, haveria cerca de 150 trabalhadores dominicanos recrutados por redes de tráfico ao serviço do imperialismo russo, através de ofertas de emprego enganosas com salários de até 7 mil dólares mensais, como mecânicos, eletricistas, soldadores, motoristas ou em tarefas de logística.
Um dos trabalhadores, Juan Carlos de la Cruz, de 36 anos, terá sido recrutado há três meses e enviado para o Donbass ucraniano, sob ocupação russa, após lhe terem confiscado o passaporte. Várias famílias apresentaram uma queixa formal junto da Procuradoria-Geral da República. Ativistas dos direitos humanos, que têm acompanhado as denúncias, afirmaram que nem todos os dominicanos que se encontram na Ucrânia ocupada foram vítimas de tráfico de pessoas; alguns ter-se-ão alistado como mercenários.
O tráfico de latino-americanos para combater ao serviço do imperialismo russo tem sido denunciado em vários países. As autoridades peruanas denunciam que mais de 300 homens desse país foram levados sob falsas promessas para combater ao serviço das forças imperialistas russas na Ucrânia. Da mesma forma, a Amnistia Internacional denunciou o tráfico de jovens de Cuba, Colômbia, Brasil, Sri Lanka, Egito, Serra Leoa, Somália e África do Sul para combater ao serviço da invasão russa da Ucrânia. Em alguns casos, as autoridades russas pressionaram imigrantes com vistos caducados ou outros problemas relacionados com as leis de imigração ou com perseguição judicial por crimes, para os incorporar no exército invasor. Há um ano, o governo ucraniano estimava que mais de mil cubanos tinham sido recrutados pelo exército russo e que cerca de uma centena tinham morrido em combate.
Responsabilizamos o governo pró-imperialista e de direita de Luis Abinader pelo destino destes trabalhadores dominicanos. O regime dominicano, que historicamente tem sido permissivo com a atuação de redes de tráfico de pessoas que transportam mulheres dominicanas para serem submetidas à exploração sexual em países europeus e latino-americanos, mantém agora o silêncio e recusa-se a agir contra as redes que recrutam jovens trabalhadores para o exército imperialista russo. As redes de tráfico aproveitam-se das condições de países como a República Dominicana, onde não há liberdade sindical, os direitos laborais estão extremamente enfraquecidos, os salários são miseráveis e a pobreza oprime milhões de pessoas, a corrupção e a impunidade reinam e as liberdades democráticas estão profundamente degradadas.
Como socialistas, manifestamos a nossa solidariedade para com os trabalhadores dominicanos vítimas de tráfico e recrutamento forçado e para com as exigências das suas famílias ao governo dominicano para que intervenha em seu auxílio, ao mesmo tempo que reiteramos a nossa solidariedade para com o povo ucraniano perante a agressão imperialista russa. Apelamos a todas as organizações de esquerda dominicanas que apoiam o imperialismo russo para que mudem a sua posição e se oponham a todas as potências imperialistas e às suas guerras de agressão, da mesma forma que, historicamente, a esquerda dominicana se opôs às agressões do imperialismo norte-americano na América Latina.