Grandes manifestações repudiam Netanyahu na ONU

25 de Setembro, 2026
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Pela UIT-QI

A presença de Benjamin Netanyahu na ONU foi repudiada tanto dentro como fora do recinto. Apesar de ter um mandado de detenção contra si, emitido pelo Tribunal Penal Internacional, o genocida marcou presença na cidade de Nova Iorque. Quando subiu ao pódio, a maioria das delegações abandonou a sala de conferências. Netanyahu ficou praticamente sozinho e, devido à sua evidente impotência, as suas primeiras palavras foram: “Se houver algum covarde que ainda não tenha abandonado a sala, que o faça agora“, e lançou uma diatribe contra a França e o Reino Unido, os seus aliados históricos na Europa.

Enquanto Netanyahu defendia o genocídio perpetrado em Gaza, justificava a ocupação de Gaza e as ações militares contra o Líbano, o Irão e a Síria, fora do recinto as manifestações começaram a expressar a indignação. Entretanto, Mahmoud Abbas, presidente da Autoridade Nacional Palestiniana (‘ANP‘, anteriormente a ‘Organização para a Libertação da Palestina‘-‘OLP‘), teve de intervir virtualmente porque Donald Trump lhe negou a entrada nos Estados Unidos. A organização Voz Judaica pela Paz (‘Jewish Voice for Peace’) organizou um protesto com dezenas de ativistas que, com cartazes, exigiam “Basta de armar Israel!“, “Financiem as pessoas, Não as bombas!” e “Fim do genocídio!“. Entre os ativistas, encontravam-se figuras conhecidas como a atriz Susan Sarandon e Hannah Einbinder, juntamente com outras figuras de destaque das artes e da política norte-americanas, como Aber Kawas, candidata do Socialistas Democráticos da America (DSA) , que, caso vença as eleições em novembro, se tornará a primeira mulher palestiniana a ocupar um lugar na Assembleia Legislativa do Estado de Nova Iorque. A manifestação pacífica foi dispersada pela Polícia de Nova Iorque, que deteve as duas atrizes e outras 100 pessoas. Apesar da repressão, o protesto não seria o único do dia.

Depois de a polícia ter dispersado a manifestação sentada, teve início uma grande mobilização e várias atividades. Centenas de pessoas percorreram as ruas da cidade, onde diversas organizações em luta repudiaram o genocídio e denunciaram a cumplicidade dos Estados Unidos que, apesar da repulsa interna, se preparam para enviar a Israel um novo lote de 40.000 bombas de grande tonelagem e elevada capacidade destrutiva, no valor de 2.800 milhões de dólares.

As mobilizações nos Estados Unidos são a expressão da repulsa mundial a Netanyahu e a Israel e do seu crescente isolamento devido ao genocídio em Gaza e à ocupação da Cisjordânia. Nos Estados Unidos, esta repulsa tem-se intensificado, particularmente entre a população judaica, dando origem a um forte movimento antissionista que repudia o genocídio e transforma a luta em apoio à Palestina num dos elementos de crise política do governo de Donald Trump.

A 81.ª Assembleia Geral da ONU demonstrou, mais uma vez, a sua incapacidade de travar o genocídio. Apesar de ter concluído, por duas vezes, que Israel cometeu atos genocidas em Gaza e que a sua política tem sido sistemática no sentido de assassinar mais de 75.000 pessoas, incluindo 20.000 crianças, a ONU permitiu que o genocida estivesse presente e tomasse a palavra. As potências imperialistas, apesar de terem abandonado o recinto, não avançaram para além de algumas sanções pontuais e declarações estridentes, aumentando o isolamento de Israel, mas insuficientes para travar o genocídio. Apesar da sua retórica pró-Palestina, os países que compõem o BRICS – como a China, a Índia, a Rússia, o Brasil ou a África do Sul, entre outros – mantêm enormes negócios económicos e intensificam as suas relações comerciais com Israel, alimentando assim o aparelho militar que aprofunda a ocupação.

O crescente isolamento de Israel e a repulsa mundial demonstram que milhões de pessoas em todo o mundo estão dispostas a organizar-se e a lutar em cada país contra o genocídio e a cumplicidade dos governos e da diplomacia, que se limitam a chorar as meninas e os meninos assassinados em Gaza com lágrimas de crocodilo. As mobilizações em apoio a Gaza e à Palestina vão continuar e já estão a ser convocadas grandes mobilizações globais para o terceiro aniversário de 7 de outubro.

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