Por Miguel Lamas, dirigente da Alternativa Revolucionária do Povo Trabalhador – Força (ARPT), secção da UIT-QI na Bolívia, e da UIT-QI
Os Estados Unidos suspenderam os bombardeamentos extremamente violentos e repetidos contra o Irão, embora continuem a ameaçar com novos ataques. Entretanto, Israel não cessa de bombardear o Líbano, Gaza e a Cisjordânia.
Desde o 8 de julho que os Estados Unidos retomaram os ataques contra o Irão, bombardeando e matando centenas de pessoas. Agora, Trump afirma que foram iniciadas novas conversações com o Irão e manifestou otimismo quanto à possibilidade de o seu país chegar a um acordo com o regime islâmico, ao mesmo tempo que minimizou as preocupações sobre uma possível escassez de munições e bombas norte-americanas devido ao conflito.
Por seu lado, o Irão nega esse tipo de contactos. “Os mediadores podem transmitir-nos mensagens da parte norte-americana sobre os últimos acontecimentos na região. Mas, neste momento, não estamos envolvidos em nenhuma negociação com os Estados Unidos“, afirmou na segunda-feira, 27 de julho, o porta-voz do Ministério dos Negócios Estrangeiros iraniano, Esmail Baqai, numa conferência de imprensa.
Mais uma vez, Trump está a tentar disfarçar os seus ataques genocidas, tanto devido à resposta do Irão, que atacou as suas bases norte-americanas na região, como devido à repulsa popular mundial aos ataques norte-americanos e sionistas no Sudoeste Asiático; em primeiro lugar, isso manifesta-se nos próprios Estados Unidos, o que o está a conduzir a um novo fracasso.
Os fracassos imperialistas e sionistas
Nos Estados Unidos, realizaram-se manifestações em massa, com milhões de pessoas contra Trump e, em muitos locais, com bandeiras palestinianas. E aqueles que venceram as eleições em Nova Iorque, liderados por Zohran Mamdani, utilizaram como parte da campanha eleitoral, entre outras coisas, a solidariedade com a Palestina.
O que aconteceu nestes últimos meses representa, em geral, um fracasso dos ataques norte-americanos. As rasteiras de Trump são descritas por todos os analistas, ao mesmo tempo que, em Israel, se desencadeou uma campanha de indignação contra Netanyahu e o próprio Trump. A guerra assimétrica, na qual os Estados Unidos e Israel bombardearam inúmeros alvos militares e civis quase sem oposição, foi contrariada pelos mísseis e drones iranianos, que não visavam apenas Israel, mas também todos os Estados do Golfo onde os Estados Unidos mantinham bases. O encerramento do Estreito de Ormuz e os seus efeitos económicos a nível mundial serviram para equilibrar a balança e provocar o impasse imperialista. Nenhum dos objetivos que Trump estabeleceu foi alcançado, da mesma forma que Netanyahu também não conseguiu os seus, nem em Gaza nem no Líbano. Ou seja, embora tenham assassinado muitas pessoas, não conseguiram a rendição dos seus povos. E, no caso de Gaza, o seu objetivo sinistro era que a população abandonasse o país.
Estes são os limites do imperialismo, que demonstram que, apesar do seu enorme poder, este não é invencível. Já aconteceu há anos no Vietname, no Afeganistão e no Iraque, onde os povos resistiram e o imperialismo não conseguiu impor o seu poder, apesar dos milhares de assassinatos.
Agora, mais uma vez, um “cessar-fogo”?
Os Estados Unidos assinaram com o Irão um “cessar-fogo permanente” a 17 de junho, que supostamente incluía o Líbano e a libertação de milhares de milhões de dólares em ativos iranianos congelados num prazo de sessenta dias. Também Trump viajou para a China em maio para conversações sobre a paz no Irão e a “cooperação” face a conflitos globais.
No momento do acordo com o Irão, o Estreito de Ormuz foi reaberto, por onde passam 22% dos hidrocarbonetos do mundo. Mas Israel, segundo o que Trump chegou a afirmar “sem autorização dos Estados Unidos“, continuou a bombardear e a assassinar pessoas no sul do Líbano, que fazia parte do “cessar-fogo” acordado, o que levou o Irão a voltar a bloquear o estreito de Ormuz. Esse foi o argumento dos Estados Unidos para voltar a bombardear o Irão. Foi assim que esse acordo terminou, violado pelos Estados Unidos e por Israel.
Já tinha ignorado o “cessar-fogo” em Gaza, onde assassinou mais de 70 mil palestinianos nos últimos três anos e, desde o “cessar-fogo“, mais de 1.200 palestinianos, metade dos quais mulheres e crianças. E Israel continua com os bombardeamentos e a ocupar metade de Gaza. Assim, a maioria da população dessa região continua sem poder regressar às suas casas destruídas, vivendo em tendas e, em muitos casos, entre os escombros.
Esta luta internacional continua
Da Unidade Internacional de Trabalhadoras e Trabalhadores – Quarta Internacional (UIT-QI), apelamos a mobilizações unitárias no Médio Oriente e no mundo, exigindo: Chega de bombardeamentos de Trump contra o Irão! E chega de agressões contra Gaza, a Cisjordânia e o Líbano. Como parte dessa campanha, impulsionámos e fizemos parte da Flotilha ‘Global Sumud‘ e é preciso continuar com a unidade das mobilizações internacionais.
Isto é importante para todo o mundo oprimido. Se os Estados Unidos se impuserem no Sudoeste Asiático, poderão atacar qualquer país do mundo que não se submeta a eles.
É claro que a questão de fundo, a causa da luta histórica palestiniana, remonta à fundação de Israel em 1948 como um enclave do imperialismo. Para pôr definitivamente fim a estes ataques no Médio Oriente, é necessário acabar com o Estado sionista e genocida, fundado com o apoio direto dos Estados Unidos para oprimir os povos do Sudoeste Asiático. Tal como foi historicamente defendido pelos palestinianos e também por importantes organizações judaicas antissionistas: a luta fundamental é por uma Palestina livre, do rio até até ao mar. Recuperar o seu território histórico e pôr fim a estes ataques genocidas no Médio Oriente.