A mobilização é bem-sucedida: os membros da Flotilha Global Sumud são libertados!

21 de Maio, 2026
4 mins leitura

Por Ezequiel Peressini, dirigente da Esquerda Socialista (IS), secção da UIT-QI na Argentina, e da UIT-QI

Depois de terem sido detidos na prisão de Ketziot pelas Forças de Ocupação Israelitas (‘Forças de “Defesa” de Israel‘ – IOF/IDF), os ativistas da Flotilha ‘Global Sumud‘ foram libertados e transferidos para Istambul, na Turquia.

A organização de direitos humanos ‘Adalah‘, que assumiu a defesa dos detidos e que possui um longo historial de luta na Palestina ocupada, informou, na madrugada de 21 de maio, que os ativistas da Flotilha ‘Global Sumud‘ e da Coligação ‘Flotilha da Liberdade‘ detidos no centro de detenção de Ketziot foram libertados e encontram-se em processo de deportação. A Adalah sublinha que toda a operação, desde a interceção ilegal em águas internacionais até à tortura sistemática, à humilhação e à detenção arbitrária de ativistas pacíficos, constitui uma violação flagrante do direito internacional.

Graças à solidariedade mundial com a Palestina e à repulsa ao genocídio, os participantes da Flotilha ‘Global Sumud‘ foram transferidos do aeroporto israelita de Ramon – construído em terras palestinianas da aldeia de Umm Al Rashrash, cuja população foi expulsa durante a Nakba de 1948 – para a Turquia. Em Istambul, graças às atividades da delegação turca da Flotilha ‘Global Sumud‘, as pessoas foram libertadas e serão submetidas a exames médicos e psicológicos, recebendo a assistência médica necessária. Também prestarão depoimento perante as autoridades judiciais da Turquia para interpor uma ação coletiva contra Israel pela violência praticada e pelo caráter ilegal do sequestro e encarceramento.

A extrema violência do sequestro

A equipa jurídica da Adalah denuncia violações sistemáticas do direito ao devido processo legal e abusos físicos e psicológicos generalizados por parte das autoridades israelitas contra os ativistas. Esta violência provocou lesões graves e generalizadas, incluindo pelo menos três pessoas que foram hospitalizadas e posteriormente tiveram alta. Os advogados documentaram dezenas de participantes com supostas fraturas nas costelas e consequente dificuldade em respirar. Os relatos também indicaram o uso frequente de pistolas Taser (arme de electrochoque) contra os participantes, bem como lesões sofridas pelo uso de balas de borracha durante a interceção dos navios da frota e no navio militar para o qual foram transferidos.

Os ativistas detidos foram submetidos a violência extrema, tanto nas embarcações como durante o transporte entre estas e o porto. Além disso, as autoridades obrigaram-os a assumir posturas de stress; enquanto eram transportados pelo porto, eram obrigados a caminhar completamente inclinados para a frente enquanto os guardas lhes seguravam as costas com violência. Os participantes foram também obrigados a ajoelhar-se dentro da embarcação durante longos períodos de tempo. Para além deste abuso físico, os participantes foram sujeitos a grave degradação, assédio sexual e humilhação. Além disso, várias mulheres participantes tiveram o hijab arrancado pelas autoridades israelitas.

Repúdio mundial contra o criminoso Ben-Gvir e o Estado de Israel

Apesar da violência extrema, a libertação dos camaradas detidos constitui uma nova vitória da mobilização e da luta global em apoio à Palestina, entre as quais se destacaram as mobilizações e greves realizadas em Itália no dia 18 de maio. A mobilização global impediu, mais uma vez, que Ben-Gvir concretizasse os seus objetivos fascistas de tratar como terroristas os ativistas que levavam ajuda humanitária à cidade destruída de Gaza. A intimidação pública em que o ministro da Segurança de Israel humilhou os ativistas detidos causou espanto e repulsa generalizada, o que obrigou os governos de Espanha, França, Itália, Reino Unido e Canadá a convocarem as autoridades diplomáticas para expressar a sua repulsa. A indignação global foi tão contundente que até o próprio genocida condenado pelo Tribunal Penal Internacional e primeiro-ministro de Israel, Benjamin Netanyahu, afirmou que as ações de Ben Gvir não estão “em consonância com os valores de Israel“, abrindo fissuras no regime de extrema-direita de Israel. Netanyahu procura lavar as mãos e fugir à responsabilidade pelas suas ações, quando foi ele próprio o responsável pelo sequestro e se mostrou nas redes sociais a acompanhar ativamente a interceção e o sequestro executados pelas forças militares de Israel.

Apesar da repressão e da detenção e sequestro de mais de 178 ativistas a 29 de abril, a Frota prosseguiu a sua viagem rumo a Gaza e conseguiu a libertação dos seus dois líderes internacionais detidos, Thiago Ávila e Saif Abukeshek. Com uma segunda ronda de intercepções e sequestros levados a cabo entre 18 e 19 de maio, Israel procurou desarmar a Flotilha e desferir um golpe no movimento global de solidariedade com a Palestina, mas não conseguiu. A libertação dos 428 companheiros e companheiras é mais uma vitória das mobilizações e manifestações realizadas em diversos países, nas quais exigimos em massa a libertação dos sequestrados e repudiamos os Estados Unidos e Donald Trump por declararem a Flotilha e os seus líderes e membros como ativistas terroristas.

A vitória da libertação dos nossos camaradas traduzir-se-á em mais organização, mobilização e luta permanente pela liberdade dos mais de 9.500 presos políticos palestinianos que ainda permanecem nas prisões do Estado sionista, sob a ameaça de lhes ser aplicada a pena de morte. A partir da Unidade Internacional de Trabalhadoras e Trabalhadores – Quarta Internacional (UIT-QI), fazemos e continuaremos a fazer parte da Flotilha ‘Global Sumud‘ para continuar a impulsionar a unidade daqueles que lutam, para redobrar o apoio à resistência palestiniana que ainda não está derrotada, até derrotar o bloqueio e expulsar a ocupação sionista de Gaza e de toda a Palestina histórica e aprofundar a luta internacionalista por uma Palestina livre, do rio até ao mar.

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