Declaração por ocasião do 78.º aniversário da Nakba. É necessário intensificar a solidariedade para com o povo palestiniano

15 de Maio, 2026
3 mins leitura

Pela Luta Internacionalista (LI), secção da UIT-QI no Estado Espanhol

No dia 15 de maio de 2026, comemoramos o 78.º aniversário da Nakba. A “catástrofe” com a qual o Estado de Israel foi construído assentou na expulsão em massa dos palestinianos das suas terras ancestrais, uma limpeza étnica sistemática. Existe um fio condutor entre a Nakba, o apartheid e o genocídio em curso em Gaza. O sionismo – com o governo mais de extrema-direita da sua história – aprofunda o seu projeto colonial do ‘Grande Israel‘, esvaziando e ocupando, além da Palestina, terras no Líbano e na Síria. Sonha em ser a única potência na região, onde se acumulam 80% dos recursos energéticos do planeta. O instrumento de controlo direto do imperialismo nesta zona estratégica.

Mas os planos imperialistas-sionistas ficaram num impasse. Israel mantém a ocupação da maior parte de Gaza sob o falso “cessar-fogo” de Donald Trump, continua a assassinar palestinianos diariamente, e impede a entrada de alimentos e medicamentos. Após dois anos e meio de genocídio, continua incapaz de impor a derrota definitiva à resistência palestiniana. Vemos o mesmo padrão no sul do Líbano: o Estado genocida bombardeia e bombardeia, mas não consegue o controlo a sul do rio Litani. O prolongamento da situação gera oposição, crise política e económica em Israel. Neste contexto, o chefe do Estado-Maior israelita declarou há algumas semanas que o exército se encontrava à beira do colapso, e que era urgente proceder a novos recrutamentos. Mas isto agrava a crise política interna com os ultraortodoxos que se recusam a ser chamados às armas. Netanyahu, que depende da extrema-direita para manter o governo, precisa de continuar a guerra a qualquer preço, porque está em jogo não só os processos judiciais abertos contra ele, mas também as eleições marcadas para daqui a cinco meses.

À medida que os dias e as semanas passam, as ameaças de Trump de arrasar o Irão soam cada vez mais vazias, enquanto as condições do regime iraniano – com o controlo do Estreito de Ormuz e as suas consequências na economia mundial – se tornam mais tensas. Os Estados Unidos podem destruir e assassinar em massa, mas não têm capacidade para impor o seu plano político. A sombra dos desastres no Iraque (2003-2011) ou no Afeganistão (2001-2021), que culminaram na derrota imperialista e numa retirada que lembrava o Vietname, pesa como uma losa, enquanto crescem as mobilizações anti-Trump e contra as guerras imperialistas dentro dos Estados Unidos. A rejeição interna a Trump cresce, com os olhos postos nas eleições intercalares “Midterms” [1].

Luta Internacionalista e a Unidade Internacional de Trabalhadoras e Trabalhadores – Quarta Internacional (UIT-QI) apoia a Flotilha ‘Global Sumud‘, sendo que dois camaradas da secção argentina (Mónica Schlotthauer e Ezequiel Peressini) e um da secção turca (Görkem Duru) foram sequestrados no ataque de Israel contra a frota. Este ataque pôs em evidência a total cumplicidade da UE e da Frontex, e em particular do governo grego, num ataque surpresa que resultou na destruição de 22 embarcações, no sequestro de 176 ativistas e na detenção sob tortura de Saif Abukeshek e Thiago Ávila. Os tribunais internacionais devem investigar as cumplicidades no ataque sionista à missão humanitária civil a 1.100 km de Telavive e não permitir que Israel nem os Estados europeus seus colaboradores fiquem impunes.

Mas, mais uma vez, toda essa cumplicidade teve de recuar perante o escândalo e a perspetiva de uma mobilização crescente. Depois de o governo de Netanyahu ter anunciado que os ativistas detidos seriam transferidos para um porto israelita, acabaram por entregá-los às autoridades gregas em Creta, com exceção de Saif e Thiago Ávila. Estes foram acusados de terrorismo e levados perante os tribunais sionistas, mas acabaram por ser libertados antes do julgamento. A sua libertação é uma vitória do movimento internacional de solidariedade com o povo palestiniano e, ao mesmo tempo, uma demonstração de fraqueza do Estado genocida de Israel. É por isso que repetimos, vezes sem conta, que a mobilização e a solidariedade são indispensáveis e produzem resultados. Hoje, a Flotilha continua o seu caminho rumo a Gaza com 54 embarcações.

Da Luta Internacionalista, apelamos a redobrar a mobilização mundial em apoio à Palestina e a defender a Flotilha ‘Global Sumud‘, que transporta ajuda humanitária e procura romper o bloqueio sobre a Faixa de Gaza. Reafirmamos o nosso compromisso com uma Palestina única, laica, democrática e não racista, do rio até ao mar, e lutamos para pôr fim ao bloqueio criminoso, pela entrada de ajuda humanitária e exigir a todos os governos do mundo que rompam as relações políticas, económicas, militares, diplomáticas, académicas e culturais que garantem ao genocida Israel o seu manto de impunidade.

Mobilização para travar o Genocídio do Povo Palestiniano!

Rutura das Relações Militares, Políticas, Económicas, Culturais e Académicas com Israel!

Defendemos a Flotilha ‘Global Sumud’!

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