Dia Internacional da Criança. Declaração da Rede Europeia de Solidariedade com a Ucrânia: Todas as crianças mortas são nossas! Todas as crianças feridas são nossas!

31 de Maio, 2025
3 mins leitura

Pela Luta Internacionalista (LI), secção da UIT-QI no Estado Espanhol

O dia 1 de junho é o Dia Internacional da Criança em muitos países, um dia para lançar um grito unânime contra o sofrimento infligido às crianças em todos os países, mas especialmente na Ucrânia e na Palestina.

Gaza

Em Gaza, as crianças constituem metade da população. Em 18 meses de invasão, os ataques israelitas já mataram mais de 15.000, e feriram mais de 34.000. O invasor obrigou repetidamente um milhão de crianças a deslocarem-se de um local inabitável para outro, onde faltam serviços básicos, e onde a comida, a água potável, o abrigo e os cuidados médicos são cada vez mais escassos. A subnutrição, a ameaça de fome, e a doença juntam-se à morte causada pelos bombardeamentos do Estado israelita.

Desde o 2 de março, Israel proibiu a entrada de medicamentos, água, alimentos e ajuda humanitária em Gaza, onde crianças estão a sofrer de depressão grave. “Têm até pensamentos suicidas”, dizem os funcionários da UNICEF, que acreditam que todas as crianças precisam de apoio psicológico.

Mas Netanyahu, a quebrar o cessar-fogo, lançou uma ofensiva, e o chamado mundo ‘civilizado‘ não está a fazer nada para a impedir.

Ucrânia

Na Ucrânia, desde o início da guerra, em 2014, e a invasão em grande escala em 2022 pela Rússia, estima-se que 1,6 milhões de crianças tenham sido afectadas, ou seja, 20% da população infantil do país. As autoridades ucranianas registaram 19.546 casos de rapto forçado de crianças.

A própria Rússia afirma ter ‘aceite‘ 700.000 crianças ucranianas, entre fevereiro de 2022 e julho de 2023. Muitas são enviadas para orfanatos russos, ou adotadas à força por famílias russas. As crianças ucranianas, a partir dos 12 anos de idade, são obrigadas a frequentar escolas militares russas.

O regime russo reformulou o sistema educativo nos territórios ocupados, com o objetivo de reeducar as crianças ucranianas, recorrendo ao medo e à pressão. A coberto da guerra, está a agravar-se uma crise humanitária devastadora que afecta a parte mais vulnerável da população.

Vida e justiça para todas as crianças!

As crianças da Palestina e da Ucrânia são alvos e vítimas de estratégias genocidas que visam a aniquilação dos seus países. Vladimir Putin e a sua ministra do ‘bem-estar social‘, Maria Lvova-Belova, têm um mandado de captura do Tribunal Penal Internacional (TPI) por terem organizado o rapto de crianças ucranianas. Netanyahu também tem um mandado de captura do TPI por genocídio em Gaza, onde um grande número das suas vítimas são crianças.

Denunciamos as políticas belicistas, colonialistas e genocidas da Rússia e de Israel. Denunciamos a cumplicidade dos Estados Unidos e dos países europeus, que fornecem e compram armas a Israel, e que compram gás e petróleo à Rússia. Exigimos que as crianças da Palestina e da Ucrânia recebam imediatamente proteção e segurança: pondo fim aos bombardeamentos e às ocupações militares, permitindo a entrada de ajuda humanitária, levantando todas as proibições para que todos aqueles que desejam deixar a Ucrânia e a Palestina o possam fazer.

Exigimos que o Governo espanhol e os governos de toda a União Europeia acolham os refugiados e lhes concedam ajuda, autorizações de residência e de trabalho, tal como foi feito para os refugiados ucranianos, e que esta condição se mantenha enquanto a ocupação e as guerras genocidas continuarem.

Exigimos que os crimes contra as crianças sejam reconhecidos como um crime contra a humanidade, que os criminosos sejam levados à justiça, e que os Estados que os provocam, ou são cúmplices, sejam obrigados a pagar indemnizações pelos danos – doenças, físicas ou mentais, e casas, escolas, hospitais e serviços destruídos.

Comprometemo-nos a ajudar a unir as comunidades ucraniana e palestiniana, para as tornar mais fortes, para lutar em conjunto pela justiça e pela reparação. Queremos uma paz duradoura na Ucrânia e na Palestina, que não pode ser o silêncio dos cemitérios. Queremos uma paz justa para estes povos, que mostraram a sua resiliência perante a adversidade e as tentativas de os apagar do mapa.

Parem o genocídio e o rapto de crianças ucranianas e palestinianas!

Ir paraTopo

Don't Miss