Após 41 anos nas prisões francesas… Georges Abdallah está livre

28 de Julho, 2025
3 mins leitura

Pelo Partido da Democracia dos Trabalhadores (IDP), secção da UIT-QI na Turquia

Na semana passada, o Tribunal de Recurso de Paris emitiu a sua decisão de libertar o militante libanês Georges Abdallah, a 25 de julho, com a condição de que ele abandone o território francês e nunca mais volte.

Abdallah, agora com 74 anos, foi condenado à prisão perpétua em 1987 por suposta cumplicidade no assassinato de um diplomata americano e um israelita em Paris em 1982. Apesar de ser elegível para liberdade condicional nos últimos 25 anos, 12 pedidos que apresentou foram rejeitados, tornando-o um dos presos políticos mais antigos da Europa.

Embora o Ministério Público de Paris tenha anunciado na segunda-feira passada a sua intenção de recorrer da libertação perante o Tribunal de Cassação, este recurso não suspende a execução da sentença e, portanto, não impedirá Abdallah de sair de França e regressar ao seu país de origem.

Os juízes de recurso consideraram que a sua detenção continuada era ‘desproporcionada‘ em relação aos atos que lhe eram imputados, especialmente tendo em conta a sua idade avançada, e afirmaram que Abdallah se tinha tornado “um símbolo do passado para a luta palestiniana“. O seu acórdão salientou que as ‘Facções Armadas Revolucionárias Libanesas‘, fundadas por Abdallah e integradas por militantes marxistas, laicos e pró-palestinianos, não realizavam qualquer atividade armada desde 1984.

Os juízes lamentaram que Abdallah não tivesse demonstrado “remorso ou simpatia pelas vítimas“, mas salientaram que ele havia expressado o desejo de passar “o resto dos seus dias” na sua aldeia no norte do Líbano e, possivelmente, participar na política local, enfatizando que ele já não representava uma ameaça à segurança pública.

A vida ininterrupta de um militante

Georges Abdallah foi ferido durante a invasão israelita do sul do Líbano em 1978 e posteriormente juntou-se à Frente Popular para a Libertação da Palestina (PFLP), liderada por George Habash. Posteriormente, juntamente com membros da sua família, fundou as Facções Armadas Revolucionárias Libanesas, um grupo marxista anti-imperialista que assumiu a responsabilidade por cinco operações com objetivos específicos na Europa entre 1981 e 1982, quatro das quais resultaram em mortes em França.

Em 1986, foi condenado a quatro anos de prisão em Lyon por conspiração e posse de armas. No ano seguinte, foi novamente julgado e condenado por cumplicidade nos assassinatos do diplomata norte-americano Charles Ray e do diplomata israelita Yaakov Barsimentov, bem como pela tentativa de assassinato de um terceiro diplomata em 1984.

Embora as autoridades francesas tenham posteriormente identificado os verdadeiros autores dos atentados e estabelecido ligações com o Irão, Abdallah permaneceu na prisão. Recusou-se a admitir a sua culpa e apresentou as acusações como parte da sua ‘resistência‘ contra a ocupação israelita e a política americana na região, em particular durante a Guerra Civil Libanesa (1975-1990) e as sucessivas invasões sionistas.

Regresso à pátria… e a voz da resistência continua

Abdallah chegou ontem a Beirute, onde foi recebido por camaradas, entes queridos e delegações de várias forças e partidos libaneses. A sua primeira declaração foi dirigida a Gaza, exortando as massas árabes a mobilizarem-se para quebrar o cerco, especialmente o povo egípcio a levantar o bloqueio na passagem de Rafah.

Apesar de passar 41 anos na prisão, Georges Abdallah não mudou. Ele manteve-se firme nas suas posições, inflexível, recusando-se a reconhecer Israel ou a ceder no seu compromisso com a causa palestina. Não expressou arrependimento nem fez concessões. Continuou a ser um símbolo de resistência e firmeza face à ocupação e ao imperialismo.

Desejamos ao camarada Georges uma vida pacífica e livre entre o seu povo e os seus camaradas. A sua libertação não é o fim de uma história, mas o início de um novo capítulo de luta. Assim como Georges Abdallah foi um símbolo atrás das grades, continua a ser hoje um símbolo nas ruas: um testemunho vivo de que a resistência não é um crime, mas um direito.

Georges Abdallah… Finalmente livre, embora nunca tenha deixado de ser livre.

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