Pela Corrente Socialista de Trabalhadoras e Trabalhadores (CST), secção da UIT-QI no Brasil
O resultado do 2º turno das eleições do Brasil significou uma grande derrota da extrema direita e do bolsonarismo, bem como do imperialismo estadunidense, Donald Trump e das Bigtechs controladas por bilionários ultrarreacionários. Uma derrota simbolizada na diferença de mais de 4 milhões de votos entre Lula e Flávio Bolsonaro (Partido Liberal) e o crescimento de 10 milhões de votos de Lula (Partido dos Trabalhadores) em relação ao 1º turno.
Esse resultado foi um verdadeiro baque para a família Bolsonaro que queria abrir de vez a porteira do país para Trump e aplicar uma brutal política de ajuste e de ataque aos direitos democráticos junto com o seu projeto ditatorial.
Não temos dúvidas que essa vitória histórica teve a contribuição fundamental das ruas que durante semanas foram ocupadas por estudantes e trabalhadores, e também das redes, que alimentadas pelo conteúdo das mobilizações ajudaram a difundir as ações das ruas e demais atividades.
Vivemos as maiores mobilizações de massa da história do Brasil e esse impulso das bases, auto-organização, milhares de ações ativistas, de formiguinha nas ruas e nas redes, foram determinantes para essa virada histórica.
Uma enorme onda de mobilização tomou o país
No dia seguinte após o 1º turno os estudantes da faculdade de direito da UFF, seguidos depois pelos secundaristas do CP2 ,deram o tom do que ocorreria nas próximas semanas em todo país. Uma onda de atos, com os estudantes na cabeça, de repúdio ao projeto fascista da extrema direita miliciana. Milhares ocuparam ruas e praças para virar o jogo contra Flávio Bolsonaro e a sua turma golpista, no caso de São Paulo com protagonismo na convocação pelos jovens Fandoms do massivo ato de 11 de outubro.
Foram 3 semanas ininterruptas de manifestações nas 5 regiões do Brasil e que abarcaram grandes centros urbanos e também pequenas cidades, numa mare vermelha anti-imperialista, antifascista e em defesa das pautas da classe trabalhadora, das mulheres, LGBTQIAPN+, indígenas, ambientais e negras.
Os ventos da Europa chegaram forte no Brasil e como no velho continente a juventude também por aqui deu o seu recado contra o projeto antidemocrático e austero da extrema direita. Foi ainda essa onda de mobilização que possibilitou a enorme vitória da aprovação do fim da escala 6×1.Há tempos que não via uma vitória desse tamanho para os trabalhadores.
Extrema-direita foi a grande derrotada
A extrema-direita elegeu muitos deputados, senadores e governadores e veio com muita força no 2º turno. Seu projeto reacionário ganhou visibilidade, após Flávio sair na frente no 1º turno, ao mesmo tempo que colocou um salto alto na sua campanha. Mas o que o Bolsonarismo não esperava era o Tsunami que foi às ruas rejeitar o seu projeto misógino, racista, antidemocrático, de entrega das empresas estatais, de lambe botas do Trump, dos ataques aos povos indígenas e de negacionismo da crise ambiental.
Esse projeto foi derrotado nas urnas porque a maioria da população disse também ao filho de Bolsonaro um enorme EleNão, assim como já tinha feito com o seu pai. Também foi a derrota de Donald Trump e a sua política de transformar a América Latina em seu quintal. Não adiantou Meta, as BigTechs, Kássio Nunes e André Mendonça tentarem a todo momento interferir na eleição para ajudar Flávio, a resposta das ruas foi muito mais forte.
E agora Flávio Bolsonaro após derrota acachapante resolveu fugir covardemente para os Estados Unidos, pois seu lugar no Brasil seria na cadeia, visto que carrega nas costas numerosos processos de corrupção e roubalheira. Essa fuga não pode ficar impune. Defendemos que uma comissão independente investigue todos os fatos dessa fuga e que Flávio Bolsonaro e os responsáveis que facilitaram essa ação sejam punidos e tenham os seus bens confiscados.
Mas atenção, apesar da derrota eleitoral esse setor segue vivo e organizado aplicando seu projeto nos governos estaduais e nas representações patronais e do latifúndio que mantém os ataques aos povos indígenas, assassinatos, garimpagem e queimadas criminosas. Não podemos baixar a guarda e devemos seguir nas ruas para derrotar de conjunto a sua política.
O movimento sacudiu o governo
Na contramão do movimento estava a coordenação de campanha e o próprio governo Lula que fruto da sua política de conciliação de classes e desmonte das lutas, via as direções sindicais e estudantis, nunca apostou na mobilização para derrotar a extrema direita e se viu imerso em uma das maiores manifestações que ocorreram nos últimos anos. Isso é importante destacar porque a aplicação do arcabouço fiscal e outras medidas bem como a governabilidade conservadora e pactos com governadores ultrarreacionários foram ingredientes que ajudaram Flávio Bolsonaro e a extrema direita chegar onde chegou. O movimento de rua deu a vitória a Lula e deixou um recado categórico de como se derrota os fascistas e que não será pela via do ajuste fiscal que as reivindicações da nossa classe serão atendidas.
A CST esteve nas ruas para derrotar Flávio Bolsonaro
Nós da CST (Corrente Socialista de Trabalhadoras e Trabalhadores) estivemos na linha de frente das mobilizações. Participamos de muitos atos, plenárias e ações e não secundarizamos a importância de dar um voto crítico em Lula no 2º turno para derrotar Flávio Bolsonaro e a extrema-direita.
Essa posição expressava um voto sem apoio político ao governo Lula, por entender que não é um governo dos trabalhadores e que aplicou várias medidas contra a nossa classe como arcabouço fiscal, cortes no orçamento, não atendimento das reivindicações dos servidores federais e empregados das estatais, não demarcação das terras indígenas, exploração de petróleo na foz do Amazonas e etc..
Apesar disso entendemos que a vitória de Flávio Bolsonaro e tudo que representa o seu projeto era um risco muito maior para os trabalhadores e por isso não só defendemos o voto em Lula no 2º turno como fomos para as ruas derrotar a extrema direita.
Seguir nas ruas unificando as lutas
Os atos de rua têm que continuar após a eleição, pois achamos que é esse caminho. Os problemas da classe trabalhadora seguem vigentes e os governos e os patrões não darão descanso. Agora nesse momento estamos na luta ao lado dos povos indígenas denunciando os crimes dos bolsonaristas e exigindo do governo Lula a demarcação imediata de 73 terras indígenas já declaradas que basta apenas uma canetada do governo para serem demarcadas.
Temos que seguir nas ruas para lutar pelo fim do arcabouço fiscal, pelo não pagamento da dívida pública e a taxação dos bilionários, para investir nas estatais e áreas sociais, e contra o seu desmonte, pelo reconhecimento da emergência climática e os desdobramentos para combater a crise ambiental, pela aprovação do PL que criminaliza a misoginia, revogar as contrarreformas trabalhista e da previdência e muitas outras pautas que seguem pendentes de serem cumpridas.
Exigimos a cassação dos mandatos da extrema direita obtidos com abuso do poder econômico estrangeiro e impulsionamento ilegal das BigTechs, a começar por Nikolas Ferreira. Exigimos prisão para toda família Bolsonaro e a cúpula da campanha do PL. Expropriação de todo patrimônio da Meta, Starlink e todas as BigTechs dos EUA com o confisco de bens de sua cúpula no Brasil. Revogação do Redata para que nenhum centavo seja destinado aos data centers das BigTechs. Pela expulsão do embaixador estadunidense do Brasil, proibição do envio de lucros das multinacionais estadunidenses e taxação dos lucros de todas elas.
Defendemos a mobilização para impor uma comissão da verdade para investigar, julgar e punir todos os crimes da extrema direita: centenas de agressões físicas, dezenas de assassinatos, ações terroristas contra universidades, órgãos públicos, igrejas católicas, florestas e povos indígenas. Nem esquecer e jamais perdoar executores e mandantes.
Diante dessas tarefas, as direções dos movimentos sociais (CUT, CTB, UNE, UBES, APIB, MTST, MST), parlamentares da Bancada radical e personalidades que lançaram o manifesto com propostas para evitar um próximo ajuste fiscal, tem que organizar jornadas de luta unificadas nas ruas, único caminho para enfrentar os ataques, obter as pautas pendentes e termos novas conquistas. É preciso mobilizar para barrar novas medidas de ajuste e privatização no governo Lula/Alckmin como as que estão em debate agora. Algo que contraria as reivindicações expressas nas ruas e que derrotaram Flávio Bolsonaro. Nós que nos mobilizamos massivamente temos força e podemos barrar todo e qualquer ataque venha de onde vier.
Fazemos um chamado que venha se organizar na CST e junto com a gente batalhar pela continuidade das mobilizações e o enfrentamento nas ruas contra a extrema direita e o ajuste fiscal. Vamos impulsionar a luta por novas direções democráticas e combativas nos sindicatos, associações, federações, centros acadêmicos, movimentos sociais com perfil classista, feminista, lgbts, antirracista, ambiental e em defesa dos povos indígenas.
Ao lado da luta unificada defendemos a construção de uma esquerda independente da frente ampla e do governo Lula/Alckmin. Batalhamos por um programa revolucionário por um governo da classe trabalhadora, sem patrões, e um Brasil socialista.