Trump está a agravar a crise do imperialismo

13 de Outubro, 2026
3 mins leitura

Por Görkem Duru, dirigente do Partido da Democracia dos Trabalhadores (IDP), secção da UIT-QI na Turquia

A ofensiva militar denominada “Operação Fúria Épica” (‘Operation Epic Fury‘), lançada pelo imperialismo norte-americano em colaboração com o sionismo com o objetivo de forçar a rendição incondicional do Irão, está prestes a entrar no seu oitavo mês. Enquanto, no início, Trump afirmava que o ataque produziria resultados definitivos em poucos dias, a situação atual constitui uma demonstração clara do fracasso militar do imperialismo norte-americano, da incapacidade de pôr definitivamente fim à guerra e, pelo contrário, do agravamento da tensão militar na região, bem como, paralelamente a tudo isto, do aprofundamento da crise do capitalismo mundial.

O exemplo mais recente de como a agressão imperialista agrava a crise na economia mundial é o facto de, no final de setembro, o preço do barril de petróleo ter ultrapassado os 107 dólares. Existem várias razões para tal, que estão direta e indiretamente relacionadas com os ataques contra o Irão. Na reunião da Assembleia Geral das Nações Unidas realizada nas últimas semanas, o Irão apresentou um plano para a cessação dos conflitos, com o objetivo de atenuar a crise energética e reabrir o Estreito de Ormuz ao tráfego. No entanto, a recusa desta proposta por parte de Trump – que não conseguiu atingir os seus objetivos em relação ao Irão, mas também não se dispôs a recuar – constitui a razão mais recente para tal.

Por outro lado, o avanço recente das forças do ‘Ansarullah‘ (‘Houthis‘), aliadas do Irão, no Iémen, e a sua tomada do Estreito de Bab al-Mandab – que constitui a chave de acesso ao Mar Vermelho – representaram o segundo grande golpe para o comércio mundial e o transporte de energia, a seguir ao Estreito de Ormuz. A tomada do controlo do Estreito de Bab al-Mandab pelas forças do ‘Ansarullah‘ implica, naturalmente, a desestabilização do Canal do Suez. Além disso, as receitas do Canal do Suez registaram uma queda superior a 60%. Da mesma forma, o bombardeamento pelo grupo ‘Ansarullah‘ do Oleoduto Este-Oeste – o oleoduto mais crítico da Arábia Saudita – constitui um novo golpe para o abastecimento global de petróleo.

Resolve a crise? Ou agrava-a?

O resultado destas políticas aventureiras e agressivas empreendidas por Trump para encontrar uma solução à crise de hegemonia militar, política e económica do imperialismo norte-americano na região é, neste momento, um fracasso total. A resistência demonstrada pelo Irão e pelo Iémen está a agravar os impasses do imperialismo norte-americano. Às vésperas das eleições intercalares “Midterms”1 dos EUA, que terão lugar em novembro, o apoio social a esta política agressiva de Trump encontra-se profundamente minado. Os golpes desferidos nas rotas comerciais mundiais e nos preços da energia, bem como os seus efeitos em cadeia em áreas como a alimentação e a inflação, entre outros, estão a agravar ainda mais a crise da economia capitalista. Em vez de resolver tanto a crise interna como a crise internacional do imperialismo norte-americano, Trump está a agravá-las.

Isso reflete-se também no sistema de alianças. A derrota na guerra do Irão e o facto de não ter obtido o apoio que esperava da NATO europeia não só agravaram as tensões de Trump com a NATO europeia, como também aceleraram a sua busca por alianças com as quais pudesse “partilhar” os custos de segurança crescentes decorrentes da guerra. A Arábia Saudita, um dos seus maiores parceiros na região, embora tenha solicitado a intervenção dos EUA no Iémen face ao avanço das forças do ‘Ansarullah‘, Trump, na sequência da cimeira da NATO, convida as partes do “Acordo de Defesa Conjunta de Meca” – assinado com a participação da Turquia, da Arábia Saudita e do Paquistão com o objetivo de “partilhar” os custos – a “institucionalizarem-se“. Resta saber se este acordo entre estes três países – com prioridades diferentes na política externa e objetivos regionais distintos – irá avançar ou não.

Trump procura reunir os seus aliados na região em torno dos seus próprios interesses, mas o quadro político que criou na região torna-se cada vez mais frágil a cada dia que passa.

  1. São eleições intercalares para a ‘Câmara dos Representantes‘ e o ‘Senado‘, do Congresso norte-americano [↩]
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