Pela UIT-QI
O Comité Norueguês responsável pela avaliação da atribuição do ‘Prémios Nobel da Paz‘ atribuiu o prémio de 2026 a Navanethem Pillay, a jurista sul-africana que denunciou Netanyahu por cometer genocídio em Gaza e na Palestina. Pillay concorria a este prémio com mais de 280 candidatos, entre os quais se encontravam figuras como Donald Trump, que tinha sido nomeado por Israel e pelo Paquistão.
Durante o discurso proferido na cerimónia de entrega do prémio, Pillay esclareceu que “a última coisa que fiz foi apresentar o relatório sobre Gaza, classificando o que está a acontecer lá como genocídio” e afirmou que o que aconteceu em Gaza foi o caso mais comovente que lhe coube analisar. Enquanto Netanyahu propunha Trump como merecedor do Prémio Nobel da Paz de 2026, Pillay brincou ao recebê-lo e afirmou: “Se aplaudirem mais, partilho-o com o Trump“. Recordando a fanfarronice do chefe do imperialismo que, no ano passado, lhe pediu o prémio para Corina Machado.
Navanethem Pillay é uma jurista com uma longa carreira. Nasceu na África do Sul e, logo após se licenciar em Direito, começou a defender ativistas perseguidos e detidos pelo apartheid. Foi a primeira a declarar o genocídio no Ruanda e foi Alta Comissária das Nações Unidas para os Direitos Humanos. Entre 2021 e 2025, presidiu à Comissão Internacional Independente de Inquerito sobre o Território Palestiniano Ocupado, que concluiu que Israel tinha cometido atos de genocídio em Gaza e que o primeiro-ministro israelita, Benjamin Netanyahu, e o então ministro da Defesa, Yoav Gallant, tinham “incitado ao genocídio“.
A Comissão Norueguesa tem-se encarregado sistematicamente de atribuir os ‘Prémios Nobel da Paz‘ a líderes e instituições que, ao longo da sua vida, destruíram a paz dos povos do mundo com bombardeamentos e guerras imperialistas. Em 2009, foi atribuído a Barack Obama; em 2012, foi atribuído à União Europeia; em 2019 a Abiy Ahmed, presidente de Etiópia; e, em 2025, foi ridicularmente atribuído a Corina Machado, a líder da direita venezuelana que exigia uma invasão dos Estados Unidos à Venezuela.
Nesta ocasião, tal como aconteceu anteriormente com Martin Luther King (1964), Nelson Mandela (1993) ou Adolfo Pérez Esquivel (1980), a luta dos povos do mundo revelou as atrocidades genocidas cometidas por Israel em Gaza, obrigando a Comissão a atribuir o Prémio àquela que sustenta a denúncia de genocídio contra Netanyahu e outros membros do governo e do regime de Israel.
A mobilização mundial em apoio à Palestina e a resistência heróica do seu povo impuseram um isolamento sem precedentes contra Netanyahu, que respondeu à atribuição do Prémio Nobel a Pillay com todo o ódio sionista que o caracteriza, afirmando que ela é “uma marioneta do Hamas” e repreendeu a Comissão de Oslo ao afirmar que “O comité do Prémio Nobel perdeu a sua bússola moral. Concedeu o seu máximo prémio a uma intolerante que construiu a sua carreira inventando e propagando calúnias sangrentas contra o único Estado judeu“. Entretanto, Donald Trump republicou nas suas redes sociais um comunicado em que descreve a vencedora do Nobel como “uma odiadora descarada dos EUA e de Israel“.
Por mais que se entreguem prémios e a ONU elabore relatórios, o genocídio continua a demonstrar que a diplomacia imperialista é incapaz de travar Israel e o seu genocídio. No passado mês de setembro, Netanyahu chegou a Nova Iorque e discursou perante a Assembleia Geral da ONU – no meio da repulsa que o deixava isolado – apesar de ter sido condenado pelo Tribunal Penal Internacional (TPI) por crimes de guerra e genocídio.
Ao completar-se três anos desde o agravamento do genocídio e mais de 80 anos de ocupação e limpeza étnica sistemática, a mobilização deve continuar em apoio à Palestina até se conseguir a retirada das tropas e dos colonos israelitas de Gaza, da Cisjordânia e de todo o território histórico da Palestina, até se conquistar uma Palestina livre, do rio até ao mar.