Pela UIT-QI
Num Mundial marcado pelo racismo, pela repressão e pelos negócios multimilionários que a FIFA procura fazer com a paixão de milhões de pessoas em diferentes partes do mundo, a solidariedade com a Palestina procura ganhar espaço nos estádios, nas ruas, nas conferências de imprensa e nas celebrações. Apesar do lobby e das pressões de Israel para proibir o uso da bandeira palestiniana, a FIFA viu-se obrigada a autorizá-la nos estádios e eventos oficiais.
Desde antes do início do Mundial, a bandeira da Palestina integrou-se nas atividades futebolísticas. Lamine Yamal, o reconhecido futebolista do Barcelona e avançado da seleção do Estado Espanhol, hasteou a bandeira nas ruas de Barcelona ao celebrar a vitória da sua equipa no campeonato.
Desde o início do Mundial, a bandeira palestiniana tem estado presente como expressão do processo massivo de mobilização mundial em solidariedade com Gaza e a Palestina. No jogo de abertura, no Estádio Azteca, na Cidade do México, a bandeira palestiniana esteve oficialmente presente no estádio, ao lado da do Panamá. Os murais de apoio à Palestina nas ruas da Cidade do México demonstram solidariedade e exigem o fim do genocídio. Os adeptos do Irão e do Egito hastearam a bandeira palestiniana em cada um dos locais onde os seus jogos foram disputados e tomaram conta dos Fanfest. Os adeptos de Marrocos lotaram a Times Square, em Nova Iorque, com bandeiras palestinianas no primeiro jogo do Grupo C e, em vários jogos, viram-se bandeiras da Palestina e kufiyas a serem agitadas nas bancadas como símbolos de resistência no meio da paixão pelo futebol.
Sem dúvida alguma, o aparecimento da bandeira palestiniana e a solidariedade com a sua luta contra o genocídio perpetrado por Israel vieram da mão da seleção do Egito, quando o seu treinador, Hossam Hassan, comemorou a vitória sobre a Austrália nos oitavos-de-final. No final do jogo, Hossam ergueu a bandeira da Palestina nas mãos e agitou-a ao grito de “Free Palestine” (‘Palestina Livre‘), levando ao Mundial o cântico de luta em apoio à Palestina. Hassan reafirmou explicitamente a sua solidariedade e a da sua equipa quando, na conferência de imprensa que antecedeu o jogo contra a Argentina, afirmou: “Peço-vos que enviemos uma mensagem: por favor, deixem o povo palestiniano viver. Eles não querem nada mais do que viver. Cumprimos as regras da FIFA, como o respeito e o jogo limpo; queremos que a vida seja justa e queremos respeito pelos seres humanos e justiça para que todas as nações vivam em paz“.
No Mundial, o uso da bandeira palestiniana faz parte da campanha internacional ‘Mostre o cartão vermelho a Israel‘, uma denúncia explícita dirigida à FIFA, que se recusou a sancionar Israel após este ter assassinado mais de 400 jogadores de futebol na Palestina desde outubro de 2023, entre os quais se encontra Mohammad Barakat, o maior marcador de sempre de Gaza. Barakat era um herói do futebol palestiniano, um grande avançado do Clube Juvenil Khan Younis (Shabab Khan Younis), pelo qual marcou 114 golos, e foi assassinado em março de 2024. Nos seus últimos tempos, jogou no Ahly Gaza, clube cujo estádio foi bombardeado por Israel com o objetivo de o destruir.
A solidariedade com a Palestina demonstra, mais uma vez, que, apesar do genocídio, o povo palestiniano e a solidariedade mundial continuam o seu caminho de luta e resistência por uma Palestina livre, do rio até ao mar. Uma Palestina livre, onde as meninas e os meninos que vestem com orgulho as camisolas de futebol das suas equipas e dos seus jogadores favoritos possam brincar e crescer em liberdade, sem virem a engrossar as listas da ONU de crianças assassinadas, encarceradas e perseguidas pelo genocida israelita.