Basta da motosserra de Milei e do FMI!

25 de Fevereiro, 2026
5 mins leitura

Pela Esquerda Socialista (IS), secção da UIT-QI na Argentina

O cavalo de batalha de Javier Milei continua sendo que “a inflação baixou“. A realidade é que ela vem subindo sistematicamente desde maio. Depois de um janeiro com 2,9%, fevereiro começou com tudo: a carne subiu mais de 10%, transformando-se num verdadeiro produto de luxo. O gás aumentou 12,5%, a água 4%, e os autocarros na Área Metropolitana de Buenos Aires 31,5%. E isso continuará nos próximos meses, já que uma parte central da austeridade são os aumentos mensais das tarifas dos serviços públicos.

Enquanto isso, todos os salários, públicos e privados, terceirizados, precários, reformados, estão a perder muito fortemente contra a inflação. Já é ‘vox populi‘ o “não me chega“. Até ao ano passado, quem estava em situação regular “usava o cartão” ou até pedia um empréstimo pessoal, simplesmente para comprar comida ou artigos de limpeza. Hoje, isso está a acabar rapidamente: quase 10% já não consegue pagar o cartão ou esses empréstimos.

A isso se soma a enxurrada de despedimentos, com números vertiginosos. Fecharam 21 mil empresas privadas, com a perda de mais de 300 mil postos de trabalho. Por isso, a ‘FATE‘ e a sua luta são um espelho no qual se refletem milhares de trabalhadoras e trabalhadores. A cada dia fica mais claro que a reforma laboral esclavagista não é “para gerar mais empregos” nem para tornar efetivos os precários, mas sim para despedir mais fácil e mais barato, e superexplorar aqueles que permanecem.

Milei, por sua vez, prepara-se para comemorar as suas supostas vitórias do verão, como a reforma laboral ou a redução da idade de responsabilidade criminal, enquanto volta a viajar aos Estados Unidos para se reunir com o ‘establishment’.

O que acontece, entretanto, com o povo trabalhador? Pode ser resumido numa afirmação: cresce a raiva. Isso foi expresso de forma contundente na greve geral de 19 de fevereiro, por mais que alguns meios de comunicação tenham tentado dissimulá-lo. Também se vê na enorme solidariedade com os trabalhadores e trabalhadoras da indústria de pneus e a sua luta. Essa raiva é a base para sustentar que, mesmo que o governo consiga aprovar leis como a reforma laboral esclavagista, não está claro como poderá implementá-las. Certamente haverá resistência e luta.

O que cai vertiginosamente é a confiança de que o governo de extrema direita possa oferecer uma saída. Desvanece-se a expectativa de reativação econômica, de mais trabalho ou de melhorias salariais. Fica claro que a única coisa que o governo oferece é mais austeridade e mais rendição. Ao mesmo tempo, mantém-se forte o “não voltar atrás”, de não acreditar que a saída seja o retorno do peronismo. Tudo isso mostra que existe uma busca por uma saída política diferente.

Cresce o número de pessoas desapontadas com o peronismo. Não só pelo desastre que foi a gestão de Alberto Fernández, Cristina Kirchner e Sergio Massa, que abriu caminho para o atual governo de extrema direita, mas também porque hoje eles não enfrentam a austeridade. Isso fica claro no papel da CGT (Confederação Geral do Trabalho da República Argentina), mas também num peronismo que nem sequer consegue garantir que os seus legisladores votem contra os projetos mais reacionários da ‘A Liberdade Avança‘ (LLA), como ficou demonstrado com a reforma laboral esclavagista.

Muitos romperam com o governo nestes dois anos, ao verem a realidade da motoserra de austeridade e das políticas reacionárias da extrema direita. No entanto, houve uma faixa que, assustada com a campanha de que “se Milei não ganhasse, o apoio de Trump acabaria e afundaríamos”, voltou a votar no LLA em outubro, com uma esperança já muito mais fraca de que algo melhorasse. Hoje vemos rapidamente como muitos deles se arrependem.

A pergunta que milhões de pessoas fazem é: qual é a saída para esta crise? Nós respondemos com clareza: a única alternativa para o povo trabalhador, para a juventude, para o movimento de mulheres e comunidade LGBTQIA+, para todos aqueles que sofrem as consequências da motosserra do FMI, é a Frente de Esquerda e dos Trabalhadores – Unidos (FIT-U). É a única força que está presente de forma incondicional, apoiando todas as lutas, como agora a da ‘FATE‘. É a que exige que a CGT convoque uma nova greve geral de 36 horas e um verdadeiro plano de luta. É a única força que se opõe frontalmente e vota unanimemente no Congresso contra todas e cada uma das políticas deste governo ultradireitista.

E é também a ‘Frente de Esquerda‘ que propõe um programa alternativo, operário e popular. Um programa que começa por deixar de pagar a dívida externa e romper com o FMI, como passo fundamental para colocar todos os recursos ao serviço da resolução das necessidades mais urgentes do povo.

Na Esquerda Socialista (IS) na FIT-U, convocamos para as tarefas do momento. Em primeiro lugar, apoiar todas as lutas, começando pela dos trabalhadores e trabalhadoras da ‘FATE‘ contra o encerramento e os despedimentos. E, ao mesmo tempo, preparar-nos para um gigantesco 24 de março1 em unidade, onde, 50 anos após o golpe genocida, repudiaremos este governo ultradireitista, traiçoeiro, reacionário e negacionista, com centenas de milhares nas ruas e praças de todo o país.

  1. Conhecido como ‘Dia Nacional da Memória pela Verdade e pela Justiça‘ (‘Día de la Memoria por la Verdad y la Justicia‘), comemora-se o aniversário do ‘Golpe de Estado de 1976’, que derrubou Isabel Perón como Presidente e instalou uma Junta militar encabeçado pelo Jorge Rafael Videla, que durou até 1983. Marcada por um plano sistemático de repressão, com mais de 800 centros clandestinos de detenção, tortura, desaparecimentos forçados, e os famosos ‘Voos de Morte‘ em que pessoas eram atiradas de helicopteros ao mar vivas, e dada a perseguição sistemática pela ditadura militar de uma minoria social, o período foi classificado como um processo genocida e ficou conhecido como a “Guerra Suja“. O governo dos EUA estava em contacto direto com os golpistas e acolheu com satisfação a derrubada da Presidente, com Henry Kissinger em particular a ver a tomada do poder pelos militares como um passo necessário para restaurar a ordem e a estabilidade, agindo rapidamente para estabelecer relações amigáveis com a nova junta e fornecer apoio imediato e tácito ao regime que assumiu o poder. Em reuniões, Kissinger instou os militares a agirem rapidamente para esmagar o “terrorismo” e alertou contra deixar que as questões de direitos humanos interferissem nos seus objetivos, dando “luz verde” para se envolverem em severa repressão política contra os opositores existentes. A junta tinha como objetivo eliminar ativistas de esquerda, incluindo estudantes, sindicalistas, jornalistas e escritores, com estimativas de mortes e desaparecimentos variando entre 22.000 e 30.000. Entre as vítimas, havia um número desproporcional de judeus, estimado entre 1.900 e 3.000, apesar de representarem apenas 1% da população, o pior e maior massacre antissemita desde o Holocausto e até hoje []
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