As mentiras de Milei: Salários, pensões, emprego e pobreza

12 de Dezembro, 2025
3 mins leitura

Por José Castillo, dirigente da Esquerda Socialista (IS), secção da UIT-QI na Argentina, e da Frente de Esquerda e dos Trabalhadores – Unidos (FIT-U)

Javier Milei é um mentiroso compulsivo. Ele insiste que os salários cresceram, que as pensões aumentaram “em dólares“, que a economia está a subir “como um foguete“; A sua maior mentira é afirmar que “tirou 10 milhões de pessoas da pobreza“.

Os últimos números disponíveis são contundentes. A atividade industrial caiu 4,8% no acumulado do ano, de acordo com o Relatório de Produção Industrial do INDEC (Instituto Nacional de Estatística e Censos). A Confederação Argentina das Médias Empresas (Confederación Argentina de la Mediana Empresa – CAME) informou que as vendas a retalho das pequenas e médias empresas caíram 9,1% em novembro em relação ao mesmo mês do ano anterior. O consumo massivo e popular é o que puxa este indicador para baixo: alimentos e bebidas caíram 5,9%, artigos de perfumaria e toucador 17%.

As consequências deste colapso afetam diretamente o emprego. Desde o início do governo Milei, 14 mil empresas fecharam e 270 mil empregos formais foram perdidos. A isso somam-se os mais de 54 mil funcionários públicos despedidos e os inúmeros postos de trabalho que desapareceram como resultado da recessão no emprego não registrado.

Salários e pensões de miséria

Ao flagelo crescente do desemprego soma-se a realidade dos salários de fome que se pulverizam mês a mês, mergulhando milhões de pessoas na pobreza e na miséria. Todos e todas: trabalhadores formais com acordo coletivo, terceirizados, não registrados, públicos ou privados – ninguém ficou imune ao aumento dos preços. Sem falar dos aposentados, condenados a rendimentos de miséria.

Somam-se a isso um fenómeno que explodiu nestes meses: a enorme massa de endividados que sobreviveu pagando a comida em prestações e que agora não consegue arcar com os pagamentos de cartões de crédito ou empréstimos bancários, ou teve de recorrer diretamente a agiotas.

A pobreza diminuiu?

A mentira mais sádica do governo é repetir que “tirou milhões da pobreza“. Baseia-se nos dados do INDEC, que indicam que no segundo trimestre de 2025 a pobreza era de 31,6%. Esse número (um em cada três, e muito mais elevado em mulheres, crianças e adolescentes) já é terrível. O relatório da Universidade Católica Argentina, com uma metodologia semelhante (pobreza medida apenas pelo rendimento salarial), indicava que, no terceiro trimestre, o número já ascendia a 36,3%.

O presidente afirma que a pobreza diminuiu em comparação com o índice do INDEC do primeiro semestre de 2024, que registou 52,9%. Esse número refletia a austeridade brutal e a mega desvalorização com que o governo iniciou o seu mandato. Milei atribuiu isso à “herança recebida“, isentando-se de qualquer responsabilidade. Usando esse dado excepcional, começou a instalar a sua tese da ‘redução da pobreza‘.

Isso é falso. As cestas com as quais se mede a pobreza e a indigência não contemplam o impacto real dos aumentos nas tarifas, do aumento nos serviços públicos, nem o preço dos medicamentos que deixaram de ser gratuitos para os aposentados. É um facto que se paga muito mais por eletricidade, gás, água e transporte desde que A Liberdade Avança (La Libertad Avanza – LLA) governa.

Um dado decisivo que mostra a impossibilidade da ‘redução da pobreza‘ que Milei apregoa é a continuidade da queda no consumo popular mencionada no início desta nota. Se as famílias têm menos dinheiro no bolso, se a compra de produtos essenciais cai, não pode haver uma redução real da pobreza.

A isso deve-se acrescentar que é incorreto medir a pobreza apenas  pelo rendimento salarial. Existe outro conceito fundamental: a pobreza multidimensional. O que acontece com o acesso à habitação digna, à saúde e à educação pública? Nenhum indicador oficial reflete o aumento do número de pessoas que vivem nas ruas, a deterioração do acesso à saúde ou as crescentes dificuldades no sistema educacional.

Por tudo isso, há motivos de sobra para sair à luta contra a ‘motosserra‘ de Milei, Donald Trump e o FMI, apoiada e acompanhada pelos governadores. É preciso exigir que a Confederação Geral do Trabalho (CGT) convoque uma greve nacional e um plano de luta, e afirmar fortemente, diante do povo trabalhador, que existe uma alternativa: a que propomos nós, da Esquerda Socialista (Izquierda Socialista – IS) e a Frente de Esquerda e dos Trabalhadores – Unidos (FIT-U). Deixar de pagar a dívida externa, romper com o Fundo e destinar todos os recursos para resolver as urgências populares: salários e pensões dignas, emprego genuíno, moradia, saúde e educação.

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