Manifestações na Síria contra a ocupação e os massacres perpetrados pelo Israel sionista

25 de Outubro, 2026
4 mins leitura

Pelo Partido da Democracia dos Trabalhadores (IDP), secção da UIT-QI na Turquia

A agressão e os massacres do Estado sionista no sul da Síria continuam sem tréguas. Mais recentemente, o assassinato de Muaz Selame el Buayra, um cidadão sírio com deficiência, pelas forças de ocupação sionistas desencadeou protestos contra a ocupação em várias cidades do país. Pelo seu interesse, reproduzimos abaixo o comunicado do ‘Movimento pela Liberdade e pela Dignidade’ da Síria, que condenou tanto a ocupação como o processo de negociações que o governo provisório sírio tem vindo a conduzir à porta fechada com os ocupantes sionistas.

O sul da Síria não está sozinho: Não à ocupação e às negociações sobre a soberania!

Os ataques de Israel ao sul da Síria continuam, desde Kuneitra até à zona rural de Daraa, através de incursões militares, detenções, raptos e ataques contra civis. Mais recentemente, Muaz Selame el Buayra, um cidadão com deficiência, foi martirizado pelo fogo aberto pelas forças de ocupação durante uma incursão na aldeia de Cemle, na zona rural a oeste de Daraa. Tornou-se, assim, a segunda vítima numa semana.

Desde a queda do regime de Bashar al-Assad, Israel tem vindo a tentar criar novos factos consumados no plano militar no sul da Síria e a consolidar, à força das armas, uma zona-tampão. Trata-se da continuação de um projeto expansionista que ignora a soberania dos Estados e os direitos dos povos. Essa expansão não é apenas uma política de segurança temporária; reflete a essência do projeto sionista, que se baseia na ampliação de territórios, no estabelecimento de domínio, no enfraquecimento das comunidades indígenas da região e na sabotagem da sua capacidade de determinar o próprio destino. O que Israel procura concretizar em Gaza e no Líbano também o demonstra. Netanyahu, na sua última visita ao Golã ocupado, gabou-se do controlo de Israel sobre vastas áreas da região. Isto não é apenas uma demonstração de força política; é a expressão de uma abordagem que encara a guerra como um instrumento para estabelecer domínio e redefinir fronteiras e equilíbrios de poder.

A violação do Acordo de Separação de Forças1 no sul da Síria, em simultâneo com a violação dos acordos de cessar-fogo em Gaza e no Líbano, levanta uma questão política clara: como se pode depositar esperança na negociação com um governo que continua a expandir a sua ocupação e a impor as suas condições à força? A diplomacia não pode servir de pretexto para perpetuar o status quo. O preço da cessação da tensão também não pode ser cobrado aos povos à custa da sua soberania e dos seus direitos.

A cerimónia fúnebre do mártir Muaz, na aldeia de Cemle, concretizou a posição clara da população: o povo do Sul não é um elemento secundário numa equação regional; nem as suas terras são um espaço onde os projetos militares possam ser implementados livremente. A sua ligação às suas terras e a rejeição da ocupação constituem a expressão de uma vontade que não pode ser ignorada por acordos celebrados fora do âmbito do direito à autodeterminação – um direito fundamental – e dos interesses diretos das partes envolvidas.

Em contrapartida, o governo provisório da Síria continua a depositar as suas esperanças num acordo com Israel, sob a proteção dos EUA e dos países do Golfo. No entanto, os contactos e as negociações políticas do ministro dos Negócios Estrangeiros, al-Shaibani – incluindo as suas inúmeras reuniões e o recente encontro entre Ahmed al-Sharaa (Presidente da Síria) e Tom Barrack (Embaixador dos Estados Unidos para a Turquia) – estão envoltos em incerteza. A questão aqui não se limita apenas à transparência; diz respeito à essência da decisão política: a quem pertence o direito de determinar o futuro do sul da Síria e em que base são definidas as condições de negociação?

Enquanto os habitantes do sul suportam o fardo das incursões militares, dos assassinatos e das possíveis deslocações, qualquer processo de negociação conduzido sem controlo popular e sem responsabilização política corre o risco de transformar o seu sofrimento numa moeda de troca. As promessas de garantias internacionais não são suficientes, a menos que sejam acompanhadas pela cessação dos ataques, pela retirada dos territórios ocupados, pela preservação da soberania da Síria e pela garantia dos direitos do povo à segurança e à autodeterminação. Um acordo imposto apenas pelos equilíbrios de poder não constitui uma paz justa. Tal compromisso apenas resultará na perpetuação da ocupação sob uma forma política.

Por isso, os apelos à realização de manifestações de protesto nas cidades sírias, sob o lema “Daraa e Quneitra não estão sozinhas, o sul da Síria é uma questão nacional que nos une a todos“, assumem uma importância que vai além da solidariedade simbólica. Estes apelos sublinham que a rejeição da ocupação é uma questão que une todos os sírios e que a defesa da soberania não pode ser dissociada do direito das pessoas a participar nas decisões que dizem respeito às suas terras e ao seu futuro.

Declaramos a nossa total solidariedade com o povo que vive no sul da Síria e defendemos o seu direito de resistir à ocupação através dos meios que escolherem, bem como de determinar o seu próprio destino de forma independente de imposições externas e de negociações à porta fechada. A liberdade da Síria não pode ser alcançada sob ocupação. A soberania também não pode ser protegida através da exclusão do povo dos processos de decisão.

Transmitimos as nossas condolências ao mártir Muaz Selame el Buayra e os nossos votos de solidariedade à sua família e aos habitantes da sua aldeia.

Não à ocupação, não ao expansionismo, não à negociação da soberania!

Liberdade para a Palestina, a Síria e o Líbano!

  1. O termo acordo de separação de forças na Síria refere-se historicamente ao Acordo de Separação de Forças de 1974 entre a Síria e Israel, assinado após a Guerra do Yom Kipur, que criou uma zona tampão nos Montes Golans supervisionada pela Força das Nações Unidas de Observação da Separação (UNDOF) [↩]
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