Pela Esquerda Socialista (IS), secção da UIT-QI na Argentina
Milhares de camponeses, trabalhadores, jovens e organizações populares protagonizam mobilizações e bloqueios em todo o país contra as políticas de Rodrigo Paz. Neste contexto, Mercedes Trimarchi, deputada eleita pela Esquerda Socialista (IS)/Frente de Esquerda e dos Trabalhadores – Unidos (FIT-U), participou em diversas atividades em La Paz, levando a solidariedade internacionalista a um povo em luta.
No dia 4 de maio, a marcha indígena invadiu a cidade de La Paz com uma reivindicação unificada: não à ‘Lei 1720‘1! Trata-se de uma lei que o governo promove em conjunto com a oligarquia latifundiária e o imperialismo ianque para avançar sobre as terras das famílias camponesas.
Esta ofensiva contra as comunidades rurais soma-se ao aumento do preço da gasolina e ao congelamento salarial que o presidente de direita Rodrigo Paz pretende impor através da repressão. Trata-se de um ataque permanente que o povo boliviano enfrenta com mobilizações e bloqueios há semanas, exigindo a demissão do governo. Por isso, nas ruas ouve-se cada vez com mais força o mesmo grito: “Fora Paz!“
Nesse contexto, a nossa camarada e deputada eleita pela Esquerda Socialista/FIT-U, Mercedes Trimarchi, deslocou-se a La Paz a convite do Partido dos Trabalhadores da Bolívia (PT), onde se integra a Alternativa Revolucionária do Povo Trabalhador (ARPT), secção da UIT-QI na Bolívia. A sua estadia foi repleta de atividades destinadas a levar a solidariedade internacionalista.
No sábado, 22 de maio, realizou-se na Federação dos Mineiros um congresso alargado da Central Sindical Boliviana (COB), com a participação de mineiros, trabalhadores dos transportes, operários fabris, jovens e representantes camponeses. As intervenções coincidiram na necessidade de enfrentar, em unidade, as políticas do governo.
No domingo, 23 de maio, em conjunto com o Comité de Solidariedade com a Palestina, foi convocada uma rádio aberta pelo cabaz de compras e pelos direitos humanos. Nessa ocasião, foi denunciada a situação de extrema vulnerabilidade de três mulheres que mantinham uma greve de fome em protesto contra a austeridade e a repressão.
Na segunda-feira, 25 de maio, dezenas de milhares de famílias camponesas mobilizaram-se a partir de El Alto e de vários pontos de bloqueio em direção à sede do governo. O protesto rejeitou o recrudescimento da repressão e um projeto de lei que concede maiores poderes para colocar o Exército nas ruas e intensificar a perseguição aos protestos sociais.
Na terça-feira, 26 de maio, sob o nome de ‘Cabildo Abierto‘, realizou-se uma assembleia com grande afluência no Distrito 8 de El Alto. Nessa ocasião, debateu-se como manter o plano de luta face a um governo que ignora as reivindicações populares e negocia com os setores que concentram a riqueza do país.
Por fim, na quarta-feira, 27 de maio, no centro cultural La Bruta, realizou-se a mesa redonda “A saúde das mulheres é política”. Nela, refletiu-se sobre uma crise social que atinge com maior força as mulheres, que recebem salários mais baixos, assumem as tarefas de cuidados e sofrem com mais dureza as consequências da austeridade.
Os dias de luta em La Paz e em El Alto mostram a rebelião de amplos setores do povo trabalhador boliviano, que atravessa todo o país contra a austeridade, a entrega de terras e o avanço da repressão. A unidade entre trabalhadores, camponeses, mulheres e jovens mostra o caminho para conquistar uma saída ao serviço das maiorias populares.
A partir da Esquerda Socialista (IS) e da Unidade Internacional de Trabalhadoras e Trabalhadores – Quarta Internacional (UIT-QI), reafirmamos a nossa solidariedade com esta rebelião e acompanhamos a reivindicação daqueles que enfrentam nas ruas as políticas anti-trabalhistas e antipopulares do governo de Rodrigo Paz.
- Também conhecido como a ‘Lei Branko Marinkovic‘, a ‘Lei 1720‘ de “reconversão de terras” pretendia despojar das suas terras os camponeses e indígenas em todo o país. Apesar de que, graças às poderosas mobilizações camponesas e indígenas apoiadas pela COB (Central Sindical Boliviana) e outras organizações, viu-se agora obrigado a revogar a lei, isso não impediu que tentasse impor outra igual [↩]