Por Enes Karakaş, do Partido da Democracia dos Trabalhadores (IDP), secção da UIT-QI na Turquia
Hoje a invasão da Ucrânia completou dois anos. Como se sabe, em 24 de fevereiro de 2022, o expansionismo russo, liderado por Putin, invadiu a Ucrânia. Se analisarmos a situação atual da guerra, que entra agora no seu terceiro ano, verificamos que a contra-ofensiva lançada pela Ucrânia na primavera, com grandes esperanças, não atingiu os seus objetivos. A Ucrânia, que conseguiu responder aos ataques da Rússia de forma muito mais eficaz do que o esperado, tem dificuldade em recuperar os territórios ocupados. No panorama atual, ambas as partes parecem estar encurraladas junto ao rio Dnieper.
Como se tenta legitimar a ocupação?
O argumento fundamental com que a oligarquia de Putin justifica a ocupação – indo ao ponto de afirmar que não existe uma identidade nacional ucraniana – foi a anexação à Rússia das repúblicas autoproclamadas de Donetsk e Lugansk, na região de Donbass. Na realidade, estas regiões são “enclaves” do imperialismo russo em território ucraniano; por isso, na nossa opinião, não pode haver qualquer direito de autodeterminação para estas regiões. Por outras palavras, defender o direito de autodeterminação da região de Donbass seria o mesmo que defender a autodeterminação de Tel-Aviv, a capital do Estado pirata de Israel. Por isso, defendemos que esta guerra é uma ocupação e que é necessário apoiar a vitória da Ucrânia contra o chauvinismo russo.
Apoiamos a resistência do povo ucraniano
Então, quando falamos da vitória da Ucrânia, estamos a referir-nos à vitória de Zelensky? E, enquanto socialistas, estamos a apoiar Zelensky, um governo burguês, e a NATO, a maior organização militar do imperialismo? As respostas a estas perguntas são, evidentemente, não. Neste ponto, podemos novamente recorrer ao exemplo da causa palestiniana. Ou seja, da mesma forma que apoiamos a resistência palestiniana, apesar de a liderança da resistência ser assumida por um partido islâmico político como o Hamas, também apoiamos militarmente a resistência da Ucrânia contra a Rússia de forma independente da sua liderança, ou seja, sem dar apoio político a Zelensky e à NATO. A razão para isso é que a vitória da resistência palestiniana, ou seja, a derrota militar do Israel sionista, trará consequências contrárias ao imperialismo e favoráveis aos trabalhadores do mundo. Consideramos que o facto de a Ucrânia travar a invasão russa será benéfico para os trabalhadores de todo o mundo e, tal como apoiamos a resistência palestiniana armada pelo regime reaccionário do Irão, também desejamos a vitória da Ucrânia, armada pela UE e pelos EUA imperialistas.