Pela UIT-QI
Divulgamos o último comunicado da Flotilha ‘Global Sumud’ em resposta à interceção ilegal e ao sequestro da tripulação em águas internacionais durante a madrugada de hoje.
Ontem à noite, o mundo testemunhou como Israel exportou a sua doutrina militar de “abandono programado“, quando as forças navais israelitas interceptaram, abordaram e, sistematicamente, incapacitaram e destruíram vários barcos da Flotilha ‘Global Sumud‘, numa violenta incursão em águas internacionais.
Mais de 180 civis de todo o mundo foram diretamente atacados. Depois de deter os participantes, destruir um motor e bloquear as comunicações, as ‘Forças de Defesa de Israel‘ (‘IDF‘) retiraram-se, raptando participantes ou deixando intencionalmente civis à deriva em embarcações sem energia e danificadas, diretamente no caminho de uma enorme tempestade que se aproximava.
A lógica empregada por Israel ontem à noite é um retrato da campanha implacável, que se arrasta há anos, de fome e massacre dos palestinianos: eles levam a cabo ativamente os massacres e crimes de guerra com impunidade, ou sabotam os meios de sobrevivência, deixando que a “natureza” ou as “circunstâncias” terminem o trabalho. O mundo não pode ficar a assistir enquanto Israel continua o seu genocídio dos palestinianos e viola inúmeras leis internacionais com impunidade.
A ESTRATÉGIA DO ATAQUE:
– Um silêncio desesperado: Este ataque contra os observadores internacionais é uma tentativa frenética de garantir que a aniquilação em curso de Gaza prossiga sem testemunhas nem interferências.
– Negligência transformada em arma: Ao inutilizar e destruir embarcações menos de 24 horas antes de uma forte tempestade prevista, as forças armadas israelitas externalizaram a sua violência para o Mediterrâneo. Isto reflete a depravação de cortar recursos essenciais à sobrevivência de uma população sitiada.
– Sabotagem calculada: Não se tratou de uma detenção; foi uma operação militar ilegal, que resultou no sequestro de civis. Os militares abordaram as embarcações apenas para causar danos que as tornassem incapazes de navegar e, em seguida, fugiram, raptando alguns participantes e deixando outros à deriva à medida que a tempestade se aproximava.
OBRIGAÇÃO LEGAL DOS ESTADOS DE BANDEIRA: POLÓNIA, ITÁLIA, ESPANHA, ESLOVÉNIA, FRANÇA
Os navios sabotados arvoram as bandeiras da Polónia, Itália, Espanha, Eslovénia e França. Nos termos do direito marítimo internacional, um dos principais benefícios e deveres da bandeira é a obrigação do Estado de prestar apoio e garantir a segurança da vida humana a bordo dos seus navios.
– Pedido urgente às delegações: Apelamos aos representantes destas cinco nações para que contactem imediatamente os seus registos marítimos e as lideranças governamentais.
– Segurança acima da propriedade: O foco imediato desta iniciativa deve ser a proteção dos civis em missão humanitária e, posteriormente, a recuperação dos navios roubados, bem como a exigência de responsabilização.
– Assistência obrigatória: Os Estados de bandeira têm autoridade para exigir que outros navios que arvorem a sua bandeira na região se desviem da rota e prestem assistência de salvamento aos barcos ‘Sumud‘ avariados.
APELO DE EMERGÊNCIA PARA BUSCA E SALVAMENTO
Exigimos uma resposta imediata a esta flagrante violação do direito internacional.
1. Às Guardas Costeiras Regionais: a Grécia, Malta, Itália e Chipre devem lançar imediatamente missões de Busca e Salvamento (SAR). Ignorar estes pedidos de socorro (Mayday) é ser cúmplice das ações de Israel.
2. Às embarcações comerciais e privadas: todos os navios nas proximidades de Creta e da Sicília são instados a desviar-se. As forças armadas israelitas abandonaram estas tripulações à mercê dos elementos; apelamos ao direito do mar para que as proteja.
3. À comunidade internacional: apelamos a todas as pessoas para que exortem os líderes dos seus países a exigir responsabilização dos autores destes crimes, bem como do genocídio e da limpeza étnica em Gaza e na Cisjordânia.
Pirateria à vista de todos: Israel sequestra civis de várias nacionalidades em alto mar
Mar Mediterrâneo – As ações de Israel esta noite (quarta-feira, 29 de abril de 2026) marcam uma escalada perigosa e sem precedentes: o sequestro de civis em pleno Mar Mediterrâneo, a mais de 600 milhas de Gaza, à vista de todo o mundo.
Sejamos claros sobre o que isto é. Isto é pirataria. Trata-se da apreensão ilegal de seres humanos em mar aberto, perto de Creta, uma afirmação de que Israel pode operar com total impunidade, muito além das suas próprias fronteiras, sem quaisquer consequências.
O que estamos a testemunhar é a tentativa de normalização do controlo israelita sobre o próprio Mediterrâneo e uma escalada da impunidade de Israel. Nenhum Estado tem o direito de reivindicar, policiar ou ocupar águas internacionais. No entanto, foi exatamente isso que Israel fez, estendendo o seu regime de controlo para o exterior, ocupando o mar Mediterrâneo ao largo da costa da Europa.
Como parte da sua agressão, a marinha israelita interceptou embarcações, bloqueou comunicações, incluindo canais de socorro, e raptou civis de forma agressiva. Estas não são zonas fronteiriças disputadas. Estas são águas internacionais.
Ainda mais alarmante é o silêncio. Os governos que afirmam defender o direito internacional, mais uma vez, não disseram nada. Não houve condenações urgentes. Não houve exigências imediatas pela libertação dos reféns. Não houve apelos à responsabilização. Esta ausência de resposta não é neutralidade, é permissão e é cumplicidade.
Exigimos respostas imediatas e responsabilização: Onde estão os civis raptados? Para onde foram levados? Os governos europeus estiveram a coordenar-se com os israelitas para facilitar os raptos?
Permanece uma questão mais profunda: como é que se permitiu que Israel chegasse a um ponto em que pode realizar sequestros à vista de todos, contra civis desarmados, sem receio de consequências?
Isto cria um precedente catastrófico e deve ser condenado da forma mais veemente. O silêncio dos governos mundiais sinaliza que o direito internacional se aplica de forma seletiva e que as vidas dos civis podem ser alvo de Israel, em qualquer parte do mundo, a qualquer momento, sem consequências.
Exigimos responsabilização!