Abinader reafirma sua submissão aos EUA na cúpula de direita de Trump

9 de Março, 2026
5 mins leitura

Pelo Movimento Socialista de Trabalhadoras e Trabalhadores (MST), secção da UIT-QI na República Dominicana

Três meses após a data em que deveria ter ocorrido a fracassada ‘Cimeira das Américas‘ em Punta Cana, cancelada pelo governo dominicano por ordem dos EUA, o presidente Luis Abinader participou numa outra cimeira, mais adaptada aos gostos do criminoso de guerra e ultradireitista Trump. A cimeira ‘Escudo das Américas‘, realizada a 7 de março nas instalações de um campo de golfe privado de Trump na Flórida, reuniu doze chefes de Estado latino-americanos e caribenhos de extrema direita. Trump afirmou que os presentes passavam a integrar uma coligação contra os cartéis de droga da região.

Como se recorda, o governo de direita do PRM (Partido Revolucionario Moderno) cedeu a soberania ao governo imperialista dos EUA, sob a desculpa da suposta ‘guerra contra o narcoterrorismo‘, para que este utilizasse o território e os aeroportos dominicanos para operar aviões-tanque na ofensiva militar norte-americana contra a Venezuela, que culminou no ataque de 3 de janeiro de 2026. Nesta ocasião, Abinader juntou-se à comitiva da extrema direita latino-americana de Trump, ao lado do liberal desequilibrado Milei da Argentina, do pinochetista Kast do Chile, do ditador Bukele de El Salvador, dos corruptos Chaves da Costa Rica e Asfura de Honduras, do repressor Noboa do Equador, do lacaio Mulino do Panamá, o stroessnerista1 Peña do Paraguai, o neoliberal Paz da Bolívia, a fascistoide Persad-Bissessar de Trinidade e Tobago e o ex-esquerdista Ali da Guiana.

Durante o evento, Trump gabou-se das suas medidas de bloqueio energético contra Cuba e garantiu que o estrangulamento do país caribenho em breve se traduzirá em mudanças políticas. Além disso, reafirmou a sua instrução aos governos de direita que se subordinaram aos EUA para que rompam os laços económicos com a China, mencionando que não aceitarão a sua presença no Canal do Panamá.

Sob o pretexto da suposta luta contra o narcotráfico, os EUA, que são o principal importador de drogas ilícitas do mundo e o maior fornecedor de armas aos cartéis de narcotraficantes, pretendem continuar a intervir militarmente na região. Entre 2025 e 2026, mais de 150 pessoas foram mortas em bombardeamentos ilegais dos EUA no Mar das Caraíbas e no Oceano Pacífico.

Kristi Noem, ex-secretária do Departamento de Segurança Interna (agência responsável pelo ICE e a sua “Operação Metro Surge” no início do ano no estado de Minnesota), demitida apenas três dias antes da cimeira, falou no final da tarde na sua nova função como enviada especial dos EUA para a coligação. “Esta é uma iniciativa que visa reunir um grupo que trabalhe em conjunto para garantir a defesa da nossa soberania, a segurança e a prosperidade económica de cada um de nós“, disse, acrescentando que a organização seria um “exemplo poderoso para o resto do mundo sobre o que é possível“. Referindo-se à sua experiência na segurança das fronteiras dos EUA, continuou: “Agora que os Estados Unidos estão seguros e as nossas fronteiras estão seguras, queremos nos concentrar nos nossos vizinhos e ajudá-los com as suas fronteiras e os desafios que enfrentam“.

O secretário de Guerra/Defesa dos EUA, Pete Hegseth, disse que, por demasiado tempo, os EUA concentraram das fronteiras em lugares distantes “e não nas nossas próprias fronteiras, no nosso próprio hemisfério ocidental“, e Marco Rubio, secretário de Estado, agradeceu a Trump por tornar o hemisfério ocidental uma prioridade e elogiou os líderes regionais, não apenas como aliados, mas como amigos.

Trump ainda humilhou os seus lacaios, dizendo que nunca aprenderia “essa maldita língua“, referindo-se ao espanhol. A política de deportações em massa de Trump teve como um dos seus focos a perseguição de trabalhadores de origem latino-americana e caribenha, com o silêncio cúmplice de governos de direita da região, como o de Abinader, incapaz de levantar a voz em defesa dos emigrantes do seu próprio país nos EUA. Abinader cala-se, não só por covardia, mas também por oportunismo, pois leva a cabo na República Dominicana uma política racista semelhante de deportações em massa, contra trabalhadores do Haiti.

A cimeira da extrema direita, que reuniu apenas governantes de 12 dos 35 Estados que habitualmente participam na ‘Cimeira das Américas‘, ameaça promover mais ações militares, seja como as do passado dia 3 no Equador, sejam ilegais de agressão contra países da região como se viu na venezuela e ameaça fazer no Cuba e Colômbia. Os EUA atravessam o início de uma crise económica e Trump enfrenta uma queda significativa na sua popularidade, devido aos seus fracassos em matéria económica e social, à sua política migratória racista, e às ligações com os crimes do magnata Epstein, sendo forçado a publicar milhões de documentos dos ‘Ficheiros Epstein‘ que inicialmente mantinha protegidos do conhecimento público. Nesse sentido, a política militarista e agressiva de Trump, diante da qual o governo de Abinader se ajoelhou incondicionalmente, é mais perigosa do que nunca.

Para enfrentar esta versão trumpista da política imperialista de controlo regional, também conhecida como ‘Doutrina Monroe‘, rebaptizado pelo Trump como a ‘Doutrina Donroe‘, é mais do que nunca necessária a unidade dos povos, realizando ações conjuntas a nível regional contra o bloqueio dos EUA contra Cuba, contra a invasão do Irão e o genocídio contra o povo palestiniano por parte dos EUA e de Israel. Na República Dominicana, é importante que as organizações que se dizem de esquerda ou democráticas cessem o seu apoio ao governo antidemocrático e pró-imperialista de Abinader, como as alianças nas eleições de 2020 e 2024, infelizmente.

Unidade latino-americana e caribenha contra o criminoso de guerra e ultradireitista Trump!

  1. Conhecido como “El Stronato“, Alfredo Stroessner Matiauda foi um político paraguaio, general do exército e ditador militar, que governou como presidente do Paraguai de 1954 a 1989. Seria reeleito sete vezes, primeiro sem oposição num regime de partido único, e depois através de eleições consideradas fraudulentas. Conduziu o golpe de Estado militar em 1954 com o apoio do governo dos EUA, e só deixou o poder quando outro golpe de Estado, igualmente apoiado pelos Estados Unidos, mas desta vez pelo seu sogro e confidente o tenente-general Andrés Rodríguez Pedotti, o depôs. Com o exército e a polícia militar, que atuavam como polícia secreta, instituiu um período de regime autoritário e repressão política violenta, durante o qual foram cometidas várias violações contra os direitos humanos, como prisões arbitrárias, tortura e desaparecimento forçado. No total, 19.862 pessoas foram presas, 18.772 torturadas, 20.814 exiladas, e 459 assassinados ou desaparecidas. Foi tambem uma peça importante durante a ‘Operação Condor‘, a campanha de terrorismo de Estado instigado e promovido pelos EUA na América do Sul no contexto da ‘Guerra Fria‘, colaborando com outras ditaduras latino-americanas. Em 2019, numa casa sua, foram descobertas ossadas humanas, tratando-se de restos mortais de vítimas de tortura da sua ditadura. Também era cabeça de uma rede de tráfico humano em que, tanto Stroessner como o seu círculo mais próximo, sequestraram e violaram crianças entre os oito e os 15 anos de idade []
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