Por Adolfo Santos, dirigenteda Esquerda Socialista (IS), secção da UIT-QI na Argentina, e da UIT-QI
Na reta final da viagem, a Flotilha, que partiu de Barcelona a 31 de agosto com 22 navios, depois de fazer escala na Tunísia e passar pela Sicília, conta agora com 46 embarcações. Ao passar pela costa grega, mais 6 navios se juntarão à frota, ultrapassando a meia centena de navios com ajuda humanitária. Esta iniciativa, da qual participam representantes de 44 países, é liderada pela ativista sueca Greta Thunberg, acompanhada pelo coordenador hispano-palestiniano Saif Abukeshek, Thiago Ávila, coordenador do Brasil, e a ex-prefeita de Barcelona, Ada Colau, e em cada porto onde atracou e fez escala, foi recebida com grande apoio.
Tornada a maior ação solidária direta com o povo de Gaza, a Flotilha é parte indissolúvel da mobilização mundial pela Palestina. Entre os seus membros encontram-se artistas, personalidades e parlamentares da Itália, Espanha, França, Polónia, Bélgica, Irlanda, Suécia, Dinamarca, Finlândia, Eslovénia, Noruega, Alemanha, Roménia, Portugal, Argentina, Chile, Peru e Brasil.
Juan Carlos Giordano, deputado nacional da Argentina (Esquerda Socialista, FIT-U), integrando a delegação da UIT-QI junto com Ezequiel Peressini, ex-legislador da província de Córdoba, também pela Esquerda Socialista, fazem parte da expedição. Eles estão a bordo do Sirius, juntamente com Juan Bordera, deputado das Cortes Valencianas, e a deputada francesa Marie Mesmeur. No navio Alma viaja Mandla Mandela, neto do ex-presidente sul-africano Nelson Mandela. Também participam, da Argentina, Celeste Fierro, dirigente do Movimiento Socialista dos Trabalhadores/FIT-U, e os capitães de navio Jorge González e Carlos “Cascote” Bértola.
Sumud, que em árabe significa ‘resistência‘, representa, para o povo palestiniano, o apego a uma terra que lhes pertence, apesar do sofrimento que a ocupação lhes impõe. A resiliência palestiniana e a solidariedade mundial tornam cada vez mais difícil para o exército de Benjamin Netanyahu vencer essa resistência. Por isso, lança bombas de fumo e de estrondo a partir de drones sobre os barcos e classifica os seus membros como terroristas. No entanto, não consegue conter a onda global que se levanta contra este crime contra a humanidade. Todos os dias surgem novas notícias a favor de Gaza. Embora tardiamente, como denuncia Francesca Albanese, relatora especial da ONU para os direitos humanos nos territórios palestinianos ocupados, nestes dias o Reino Unido, o Canadá, a Austrália, a França e Portugal reconheceram oficialmente o Estado palestiniano.
Em defesa da integridade da Flotilha
Perante as ameaças de Israel, crescem as ações em sua defesa. Como em outros casos, a marinha israelita tentará detê-los, levá-los à prisão e deportá-los. Se isso acontecer, milhares sairão às ruas do mundo em sua defesa. Pressionados pela reação internacional, os ministros das Relações Exteriores da Espanha, Turquia, Bangladesh, Brasil, Colômbia, Eslovénia, Indonésia, Irlanda, Líbia, Malásia, Maldivas, México, Omã, Paquistão, Catar e África do Sul advertem o governo israelita: “Qualquer violação do direito internacional e dos direitos humanos dos participantes, incluindo ataques contra navios em águas internacionais ou detenções ilegais, dará lugar à prestação de contas“. Embora insuficiente, o documento é um sinal positivo em defesa da Flotilha.
Na passada segunda-feira, dia 22, na Itália, a União Sindical de Base (USB) convocou uma greve geral com grande adesão, cumprindo a promessa dos portuários genoveses de defender Gaza e a missão, e exigindo ao governo de Giorgia Meloni o reconhecimento do Estado palestino. No Estado espanhol, numa declaração intitulada ‘¡¡Si tocan a la Flotilla, paramos todo!!‘ (‘Se tocarem na Flotilha, paramos tudo!!‘), vários sindicatos pronunciaram-se no mesmo sentido que os italianos. O mesmo foi expresso pelos portuários de Pireu, principal porto grego.
O sionismo está cada vez mais isolado. Temos uma tarefa histórica pela frente: unir todas as forças para derrotá-lo e impedir este genocídio. Na UIT-QI, juntamo-nos às exigências feitas aos governos do mundo para que garantam a segurança da Flotilha em águas internacionais e preparem mobilizações caso Israel ataque a Flotilha. Ao mesmo tempo, apelamos ao reforço da mobilização mundial e à prestação de ajuda humanitária aos resistentes em Gaza.
Que todos os governos rompam relações com Israel! Fora as tropas israelitas da Palestina! Este é o caminho para construir uma Palestina única, democrática, laica e não racista. Palestina livre, do rio ao mar!