Um conceito: o sionismo

22 de Outubro, 2026
2 mins leitura

Por Alp Kozan, do Partido da Democracia dos Trabalhadores (IDP), secção da UIT-QI na Turquia

Como corrente política, o sionismo surgiu na Europa no final do século XIX. Com raízes materiais na questão judaica na Europa e no antissemitismo, esta corrente foi, em geral, a resposta da burguesia europeia e, em particular, da grande burguesia judaica à questão judaica: os judeus tinham de sair da Europa. O método para essa “partida“, tal como demonstrado por Theodor Herzl, fundador do sionismo político, era o colonialismo de colonização.

Ao longo da sua carreira política, Herzl desenvolveu intensas atividades de lobby, especialmente no seio do imperialismo britânico, em prol da criação de um eventual Estado judeu; escreveu que a construção desse Estado judeu era um fenómeno colonial e convidou Cecil Rhodes, governador-geral da colónia britânica da Rodésia (atualmente a Republica da Zâmbia e a República do Zimbábue), a apoiar essa atividade colonial. Embora Herzl tivesse em mente várias opções para este Estado judeu, desde a Argentina até à África Oriental e a Madagáscar, acabou por se decidir pela Palestina por razões religiosas.

Os primeiros sionistas, que iniciaram a colonização sob o lema “uma terra sem povo para um povo sem terra“, perceberam que as terras da Palestina não estavam, de forma alguma, “sem povo“. Embora a maioria fosse muçulmana, já existiam na Palestina comunidades árabes de diferentes religiões. Do ponto de vista do sionismo, esta era uma situação inaceitável.

Em 1917, com a Declaração de Balfour, os sionistas conseguiram finalmente o apoio do imperialismo britânico que há anos procuravam. Com esta declaração, o Governo britânico apoiou oficialmente a colonização sionista na Palestina e as iniciativas para criar um “lar” para o povo judeu. Em 1920, após os territórios da Palestina terem passado para o Mandato Britânico, as atividades de colonização dos sionistas ganharam impulso. Após a derrota da Revolta Árabe de 1936-39 (também conhecida como a ‘Grande Revolta Palestina‘), iniciada pelo povo palestiniano contra o colonialismo britânico e a colonização judaica, o plano das Nações Unidas de 1947 para a partilha da Palestina abriu caminho para a criação oficial de um Estado étnico judeu nos territórios palestinianos.

A fundação do Estado de “Israel” não ocorreu por vias pacíficas. Durante a Nakba – que em árabe significa “Grande Catástrofe” -, cerca de um milhão de palestinianos foram expulsos das suas terras pelos sionistas e massacrados impiedosamente, como aconteceu na aldeia de Deir Yassin. A realidade de que o genocídio é uma parte natural do sionismo já se tinha manifestado com toda a clareza, mesmo em 1948.

Desde a sua fundação, o Estado pirata sionista, que assumiu o papel de porta-aviões do imperialismo norte-americano no Sudoeste Asiático, nunca respeitou a chamada “solução de ‘dois Estados’” da ONU; A natureza expansionista e genocida do sionismo não o permitiu. Ao longo dos anos, o Estado sionista, que foi aumentando gradualmente a ocupação dos territórios palestinianos, lançou-se, com o apoio do imperialismo norte-americano, numa nova ofensiva genocida contra os palestinianos em 2023. Desde então, continua a fazer sangrar, sobretudo o povo palestiniano, mas também os povos do Irão, do Líbano, do Iémen e de muitos outros países do Médio Oriente. O sionismo significa exatamente isto: colonização, ocupação e genocídio.

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