Pela Esquerda Socialista (IS), secção da UIT-QI na Argentina
Portugal faz parte do processo de mobilização que atravessa a Europa. No Porto e em Lisboa, realizaram-se acampamentos em praças públicas em protesto contra a crise da habitação. Para conhecer a situação, entrevistámos Renata Cambra, dirigente do Trabalhadores Unidos (TU), secção da UIT-QI em Portugal e uma das protagonistas do acampamento na capital.
Quais foram os motivos que levaram à organização do acampamento em Lisboa?
RC: Os protestos na Espanha e em países como a França e a Itália, bem como o acampamento que já se realizava no Porto, foram o motor que impulsionou a organização do acampamento, que se concretizou após a grande marcha da Confederação Geral dos Trabalhadores Portugueses (CGTP) contra o aumento do custo de vida, a 18 de outubro.
Quais são as principais reivindicações?
RC: O problema da habitação é o mais grave de todos. O aumento das rendas foi desproporcionado em relação aos salários. Entre 2015 e 2024, foi de 124%. O governo aprovou, de forma geral, uma nova lei dos arrendamentos que prejudica ainda mais os inquilinos e beneficia os proprietários. Por isso, as principais reivindicações são: a revogação da nova lei, o fim dos despejos, o aumento do parque habitacional público e a proibição da compra de habitações por fundos imobiliários.
Quais são as perspetivas desta luta depois de a polícia ter desocupado o acampamento e que propostas defende o TU?
RC: As perspetivas apontam para que o movimento continue através da convocação de assembleias populares diárias para organizar ações nas ruas e da possibilidade de regresso ao acampamento. A organização Casa Para Viver já marcou uma marcha para o próximo dia 27 e a assembleia do acampamento aprovou a adesão à mesma. Vamos também exigir aos partidos Bloco de Esquerda (BE), PCP, LIVRE e à central sindical CGTP que se posicionem contra a nova lei dos arrendamentos e organizem mobilizações unitárias rumo a uma greve geral para derrotar a lei e o orçamento que o governo prevê aprovar em novembro, onde pretende impor mais ajustamentos contra a juventude e a classe trabalhadora.