Pela UIT-QI
Nos dias 7 e 8 de julho, realizou-se em Ancara, a capital da Turquia, a 36ª Cimeira da NATO. Enquanto as potências mundiais se reuniam para reforçar o aparelho militar do imperialismo, com o aumento crescente das despesas com a segurança que os Estados Unidos de Trump exigem aos países membros, as mobilizações contra a política imperialista tomaram as ruas. Os protestos denunciaram os acordos do governo de Erdoğan com a NATO, que prevêem o aumento do orçamento da defesa para 5% do PIB até 2030, enquanto o povo trabalhador da Turquia sofre com salários baixos, pensões reduzidas e despedimentos recorrentes.
Para a realização da Cimeira, Erdoğan militarizou a capital. Mobilizou mais de 60.000 agentes de segurança e impôs o estado de sítio, bloqueou o trânsito e prendeu dezenas de ativistas que se mobilizavam sob a falsa acusação de terrorismo, tudo com o objetivo de travar a mobilização; mas falhou.
As mobilizações realizaram-se e o Partido da Democracia dos Trabalhadores (IDP), secção da UIT-QI na Turquia, marcou presença para repudiar a política imperialista e denunciar que a NATO é uma organização ao serviço das potências hegemónicas e responsável pelas mais diversas violações dos direitos humanos e dos povos do mundo, desde o Irão à Palestina, passando pela Venezuela e Cuba, e que também afeta os trabalhadores da Turquia.
Os camaradas do IDP, juntamente com outras organizações, denunciaram também que Erdoğan procura o apoio do imperialismo para legitimar o seu regime repressivo e autoritário, face ao seu crescente desprestígio devido à crise económica e social cada vez mais grave que a classe trabalhadora do país atravessa. Em troca disso, Erdogan comporta-se como cúmplice de Trump e cede território para que se instalem na Turquia bases militares da NATO, como um barramento contra os conflitos na Ásia Menor, e para conter, com disciplina, a migração para a Europa na sua fronteira sul, em conformidade com as diretrizes da União Europeia.
Estas imposições do imperialismo à Turquia são aceites com servilismo por parte de Erdoğan. As camaradas do IDP denunciaram que estas se concretizam “à custa de se tornarem cúmplices de todos os crimes cometidos pela banditagem imperialista-sionista, que perpetrou literalmente um genocídio na Palestina, e de outros crimes semelhantes que serão cometidos contra o povo trabalhador“.
As importantes manifestações que percorreram Ancara fazem parte das mobilizações que se estão a realizar em todo o país, como a resistência dos 185 trabalhadores portuários despedidos a 31 de dezembro, os professores do setor privado que se mobilizaram pelas suas reivindicações no passado dia 14 de junho, os 5.000 trabalhadores subcontratados da PTT (Correios Turcos) empregados em centros de distribuição e recolha que entraram em greve a 24 de junho e a greve dos trabalhadores da Temel Conta, que já ultrapassa os 570 dias.
As lutas e mobilizações exigiram a retirada imediata da Turquia da NATO, o encerramento de todas as bases militares da NATO, a suspensão do pagamento da dívida externa e o fim dos crimes contra a humanidade cometidos pela NATO e pelo seu protetor sionista israelita.