Peru: voto contra a extrema-direita de Keiko Fujimori

3 de Junho, 2026
2 mins leitura

Pela UIT-QI

No próximo domingo, 7 de junho, terá lugar a segunda volta das eleições presidenciais no Peru.

As eleições realizadas nos dias 12 e 13 de abril revelaram a profunda crise política que o país atravessa, com 36 candidaturas. Nestas eleições, Keiko Fujimori obteve 17,19% dos votos e Roberto Sánchez, do partido ‘Juntos pelo Peru‘, 12,04%, passando ambos para esta segunda volta.

No Partido dos Trabalhadores Unidos (PT-UNÍOS), secção da UIT-QI no Peru, e juntamente com o nosso camarada Enrique Fernández Chacón, promovemos um voto crítico em Roberto Sánchez, candidato de centro-esquerda, para barrar a filha do ditador Alberto Fujimori, o seu plano de extrema-direita e o seu pacto mafioso contra o povo pobre do Peru. Para além das profundas diferenças que nos separam de Roberto Sánchez, que foi ministro do governo de Pedro Castillo, e sem lhe dar qualquer apoio político, apoiamos o voto nele para enfrentar e rejeitar nas urnas Keiko e os seus cúmplices, ao mesmo tempo que promovemos a organização política independente dos trabalhadores e dos povos do Peru.

A crise política, económica e social recorrente tem-se sempre abatido sobre o povo trabalhador, os camponeses e os trabalhadores pobres e informais; ao mesmo tempo que os grandes empresários agrupados na CONFIEP (‘Confederação Nacional de Instituições Empresariais Privadas‘) enchem os bolsos e saqueiam os nossos recursos. Todos os governos, desde Alan García até Dina Boluarte, revelaram-se agentes dos poderosos. Agora, enquanto com o voto contra Keiko enfrentamos o fujimorismo1 que procura regressar, continuamos a impulsionar a tarefa urgente e inadiável de construir as nossas próprias organizações de classe para que, pelo caminho da mobilização, da organização e da luta, enfrentemos nas ruas o poder dos exploradores para conquistar um governo dos trabalhadores, dos povos e dos camponeses.

  1. O fujimorismo é o conjunto de políticas e a ideologia política do ex-presidente do Peru Alberto Fujimori, bem como o culto à personalidade construído em torno dele, das suas políticas e da sua família, em particular da Keiko Fujimori. A ideologia é definida pelo seu autoritarismo, anti-comunismo ferrenho, à economia neoliberal, extrativismo e posições social e culturalmente conservadoras, como a oposição aos direitos LGBTQIA+ e aos currículos escolares que incluem a igualdade de género ou a educação sexual. O fujimorismo continuou a manter influência em todas as instituições do Peru desde a sua primeira eleição, com a ajuda da Constituição de 1993, desenhada por si após o auto-golpe de 1992 e destituição do Congresso. O envolvimento político ficou praticamente inativo até 2011, quando foi trazido de volta à tona pelos seus filhos, Keiko e Kenji, com o partido de Keiko, ‘Força Popular‘, a controlar grande parte do Congresso de 2016 a 2020. Desde então, o fujimorismo obteve o controlo da maioria dos órgãos governamentais do Peru []
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