The national flag of Iran flies in the wind as debris lies scattered in the aftermath of an Israeli and U.S. strike on a police station, amid the U.S.-Israeli conflict with Iran, in Tehran, Iran, March 3, 2026. Majid Asgaripour/WANA (West Asia News Agency) via REUTERS ATTENTION EDITORS - THIS PICTURE WAS PROVIDED BY A THIRD PARTY

Diante do ataque de Israel e dos EUA ao Irão

12 de Março, 2026
3 mins leitura

Pela Luta Internacionalista (LI), secção da UIT-QI no Estado Espanhol

Há uma semana, os Estados Unidos e Israel lançaram um ataque massivo contra o Irão. Bombardearam a capital, Teerão, e várias cidades, como Isfahan, Tabriz, Qom, Karaj e Kermanshah. No primeiro dia, mataram o aiatolá Ali Khamenei, líder supremo do regime, e outros altos responsáveis do governo e da Guarda Revolucionária. No sul, na cidade de Minab, uma escola primária para meninas foi bombardeada, e 168 alunas e professoras foram assassinadas. O Irão respondeu ao lançar mísseis contra bases militares norte-americanas, refinarias e alvos civis no Qatar, Kuwait, Bahrein, Arábia Saudita e Emirados Árabes Unidos, bem como contra Israel. Teerão também fechou o estreito de Ormuz, uma passagem estratégica para o tráfico mundial de petróleo.

Não havia armas de destruição maciça no Iraque, nem Maduro era o chefe de um cartel de droga, nem o Irão estava perto de possuir armas nucleares. O imperialismo quer fazer de Israel a potência indiscutível na região. Condenamos categoricamente a agressão de Israel e dos Estados Unidos contra o Irão e afirmamos o seu direito de se defender. O imperialismo norte-americano tem uma longa história de agressões contra os povos da região: Líbano, Líbia, Irão, Iraque, Sudão, Somália, Afeganistão, Iémen… De nenhuma delas resultou mais liberdade nem melhores condições de vida, apenas morte e mais fome. Como pode haver liberdade para o povo iraniano vindo do Estado sionista que perpetra um genocídio contra o povo palestiniano, que ataca o Líbano e ocupa parte da Síria com a sua política imperialista do ‘Grande Israel‘, com o apoio dos Estados Unidos?

A guerra de junho de 2025 contra o Irão durou apenas 12 dias, e agora fala-se em semanas. Tal como aconteceu com o seu amigo Putin, os imperialismos tendem a exagerar a sua força e a minimizar a dos seus adversários. A partir do “triunfo” na Venezuela, onde subordinou o regime chavista aos seus planos sem enfraquecer a sua capacidade de repressão interna, Trump avançou com o mesmo plano para o Irão e Cuba. Mas o plano de Israel é a destruição do Irão como potência militar, não o pacto com um setor do regime. As exigências de Trump parecem impossíveis de aceitar pelo regime de Teerão, muito menos que ele decidisse quem seria nomeado líder supremo. O regime respondeu nomeando Mojtaba Khamenei, filho do aiatolá assassinado e membro da ala dura do regime.

Quando Trump diz que Corina Machado não está preparada para controlar a situação na Venezuela, está também a dizer que os EUA não estão em posição de impor, através de uma ocupação do país, um governo à sua medida. Por isso repete o mesmo em relação ao filho do xá, no seu exílio em Washington. Procura pressionar o regime iraniano, ou algum setor do próprio regime, para impor um acordo com um governo subordinado aos planos dos EUA e que agrade a Israel, evitando um vazio de poder no qual pudesse irromper o movimento de massas, a quem temem mais do que ao próprio regime teocrático. Mas Israel exige a destruição total do Irão como potência militar e as suas exigências são hoje impossíveis de aceitar para o regime de Teerão.

Os generais norte-americanos alertaram para o custo de uma guerra prolongada. Sem um acordo com uma facção do regime, não basta a Trump repetir outro ataque limitado, como o de 12 de junho. Mas as duas derrotas recentes, com as retiradas dos EUA do Iraque (2011) e do Afeganistão (2020) – os maiores fracassos do imperialismo desde a Guerra do Vietname (1965-1973) -, pesam demasiado na memória para se pensar numa invasão, com tudo o que isso implica. Não se deve minimizar a brutalidade do império, mas também é preciso ver as suas limitações. À medida que os dias passam e o petróleo fica mais caro, cresce a oposição ao ataque, não só fora, mas também dentro dos EUA. E vai crescer ainda mais.

A liberdade só será alcançada através da luta dos povos do Irão, dos seus trabalhadores e trabalhadoras, mulheres e jovens contra um regime capitalista, ditatorial e teocrático, e da solidariedade internacional entre trabalhadores e povos. Por isso, apoiamos as revoltas populares pela queda do regime opressivo, como a de “Mulheres, Vida e Liberdade” de 2022 ou as atuais contra o aumento dos preços em janeiro passado. Todos eles sofreram uma repressão brutal por parte do regime.

É necessária a mobilização solidária e internacionalista dos povos e dos trabalhadores e trabalhadoras contra a agressão imperialista de Trump e Netanyahu. Mas, para a esquerda de orientação estalinista, a denúncia do imperialismo transforma-se em apoio ao regime reacionário e criminoso e em silêncio cúmplice perante a repressão brutal que este tem exercido contra o seu povo. Esta não é a nossa posição: Solidariedade com a luta dos povos do Irão contra o seu regime odiado e ao lado do povo palestiniano que enfrenta o genocídio sionista e por uma Palestina livre, do rio até ao mar!

Ir paraTopo

Don't Miss