Por Miguel Ángel Hernández, dirigente do Partido Socialismo e Liberdade (PSL), secção da UIT-QI na Venezuela, e da UIT-QI
No último sábado, ocorreram cerca de 2.700 manifestações nos Estados Unidos. Mais de 7 milhões de norte-americanos marcharam nas principais cidades e pequenas localidades dos 50 estados do país, na maior mobilização contra o ultradireitista Donald Trump desde que ele assumiu seu segundo mandato em janeiro deste ano.
Estas novas manifestações mostram a profunda crise do imperialismo norte-americano e a repulsa generalizada à política de Trump dentro dos Estados Unidos, com o aumento dos despedimentos e a aceleração da inflação, bem como contra a sua política na Palestina de apoio incondicional ao genocida Netanyahu.
Este é o segundo grande protesto ‘No Kings‘ (‘Não Há Reis‘), que foi precedido por um realizado em junho, no qual se mobilizaram cerca de 5 milhões de norte-americanos, e o terceiro grande protesto nacional neste ano contra a deriva autoritária de Trump e a crescente violação das liberdades democráticas por parte de seu governo. Houve grandes concentrações com milhares de participantes em Nova Iorque (Times Square e Manhattan), Washington D.C., Chicago (Grant Park), Los Angeles, Atlanta, Filadélfia, Phoenix, entre outras cidades, bem como concentrações e piquetes em várias cidades pequenas, como Austin (Texas), Omaha (Nebraska), Portland (Oregon), El Paso (Texas) e Bremerton (Washington).
O protesto foi convocado por uma coligação de mais de 300 organizações estudantis, sindicais e de direitos civis, entre as quais ‘Indivisible‘(Indivisível), ‘MoveOn‘, o’Movimento 50501‘ (‘50 protestos, 50 estados, 1 movimento‘), ‘State Voices‘, a ‘AFT‘ (Federação Americana de Professores) e a ‘ACLU‘ (‘União Americana pelas Liberdades Civis‘).
Os objetivos centrais dos protestos foram rejeitar o autoritarismo e os abusos de poder por parte de Trump e do seu governo, o que se expressou no slogan “Sem tronos, sem coroas, sem reis“; a repulsa aos ataques aos direitos civis e às liberdades democráticas, aos ataques à imprensa e aos opositores políticos; contra a política migratória racista que intensificou as cargas policiais e deportações contra imigrantes, através do Serviço de Imigração e Fiscalização Aduaneira dos Estados Unidos (ICE – ‘U.S. Immigration and Customs Enforcement‘); contra os cortes na assistência médica, especialmente no programa Medicaid, bem como o aumento do custo de vida.
Outra das motivações dos protestos foi a rejeição ao envio de tropas militares e outras forças federais para cidades americanas como Washington D.C., Los Angeles e Memphis, o que Trump também tentou fazer sem sucesso em Chicago e Portland, onde foi impedido por decisões judiciais.
Desde os primeiros meses do segundo mandato de Trump, o povo trabalhador norte-americano vem enfrentando nas ruas as medidas anti-laborais e antipopulares tomadas pelo seu governo. Em abril passado, o ‘Movimento 50501‘ convocou um protesto nacional com 1.200 manifestações em todo o país, com o slogan “Hands Off!” (‘Tira as mãos!‘), em rejeição à política de cortes e demissões em escritórios federais promovida por Trump. A 14 de junho, realizou-se o primeiro grande protesto nacional ‘No Kings‘, coincidindo com o aniversário de Trump, que nesse dia convocou um desfile militar inédito na capital norte-americana. Enquanto isso, em julho, ocorreram fortes protestos em Los Angeles contra os violentos ataques realizados pelo ICE dos Estados Unidos, como parte da política migratória racista de Trump.
Com a sua mobilização massiva e permanente, o povo norte-americano tem vindo a marcar o caminho para derrotar os ajustes de Trump, os despedimentos nas instâncias federais, os cortes na saúde e na educação, o crescente autoritarismo e a sua política reacionária e racista contra os imigrantes. As marchas e concentrações massivas do último sábado evidenciam a disposição do povo trabalhador norte-americano de enfrentar nas ruas o inquilino ultradireitista da Casa Branca.
Na Unidade Internacional dos Trabalhadores e Trabalhadoras – Quarta Internacional (UIT-QI), expressamos o nosso total apoio a estas grandes mobilizações populares nos Estados Unidos, rejeitando as tendências autoritárias e antidemocráticas, bem como os cortes sociais e a perseguição aos migrantes. O povo trabalhador dos Estados Unidos deve continuar apostando na mobilização massiva para derrotar o ultradireitista Trump, enquanto avança na unidade dos revolucionários para levantar uma alternativa política socialista e revolucionária naquele país, com o objetivo de que os trabalhadores e o povo pobre governem e enterrem o sistema capitalista que só gera fome, miséria e destruição nos Estados Unidos e em todo o mundo.