Não é novidade para ninguém que vive do seu trabalho que as condições de vida em Portugal têm vindo a agravar-se. A fatura das compras é cada vez mais elevada; a gasolina e o gasóleo chegam perto dos 2,5 €/litro; a habitação é cada dia mais inalcançável.
O elevado custo de vida em Portugal contrasta graficamente com os baixos salários que por cá se praticam. O salário mínimo de 920€ não é suficiente para os elevados custos, e metade dos trabalhadores ganha menos de 980€ líquidos ao final do mês. A situação é insustentável.
Governo não dá solução à crise
O Governo de Montenegro, pensando na má prestação nas sondagens, veio a público anunciar medidas para supostamente responder à crise. Apresentou medidas como uma pequena redução do IRS e uma esmola nas pensões. Tratam-se de medidas eleitoralistas, focadas mais em manter votos que em apoiar quem mais precisa – 2 milhões de portugueses não pagam IRS porque já auferem um salário demasiado baixo, para eles a descida de IRS não fez qualquer diferença.
A verdade é que o Governo vive completamente alienado da realidade vivida pela maioria dos trabalhadores. Em vez de apresentar tetos máximos para a comercialização da gasolina, ou um imposto sobre os lucros extraordinários das petrolíferas, a ministra do Ambiente e Energia, Maria da Graça Carvalho, veio sugerir que se deve “poupar energia em geral e combustível em particular” – como se, para milhões de trabalhadores em Portugal, o carro não fosse a sua única opção para ir trabalhar.
Este distanciamento da realidade vivida pela população está presente em todas as medidas do governo. A título de exemplo, recordamos que o governo definiu uma “renda moderada” num valor máximo de 2300€/mês. Tudo isto demonstra, se alguma dúvida houvesse, de que este governo não está interessado em resolver os problemas que os trabalhadores enfrentam, está sim interessado em garantir lucros cada vez maiores aos seus amigos.
Mas não é só o Governo que está interessado em aproveitar a crise para enriquecer. O parlamento chumbou, no final de setembro, praticamente todas as medidas que tentavam de alguma forma responder ao aumento do custo de vida. Isto porque também os deputados, com o seu salário de 4000 €/mês, estão longe de sentir na pele o que a população vive diariamente.
Para o Governo da AD, a solução para a crise que vivemos é: a privatização de serviços públicos e da segurança social; a desregulamentação de importantes setores do mercado; a precarização dos trabalhadores. Tudo numa tentativa de garantir mais dinheiro nos bolsos dos grandes empresários e banqueiros. É por isso que o Orçamento do Estado para 2027 está mais virado para o pagamento da dívida e em mais dinheiro para as PPPs do que em investimento sério nos serviços públicos e na habitação.
É preciso um plano de luta unificado
É por isso que a derrota do pacote laboral – a principal ofensiva do governo contra os direitos dos trabalhadores – foi tão significativa. Mostrou que os trabalhadores estão dispostos a enfrentar as ofensivas do governo. Agora, é preciso transformar essa vitória numa luta consistente que trave as medidas de austeridade.
BE, PCP e LIVRE centram a sua atividade na disputa dentro do parlamento; mas não foi o parlamento que derrotou o pacote laboral, foram duas greves gerais e os trabalhadores a organizarem-se nos seus locais de trabalho.
A CGTP anunciou uma manifestação nacional para o 17 de Outubro contra o aumento do custo de vida. O Trabalhadores Unidos apoia esta manifestação e chama todos a participar. Mas é preciso tornar consciente que um dia de manifestação não será suficiente para travar a ofensiva do governo. Precisamos de exigir aos partidos da esquerda parlamentar – BE, PCP e LIVRE – bem como às centrais sindicais e demais movimentos sociais, que organizem de forma unitária um plano de luta, que coloque em xeque as medidas do Governo.