Síria: “Justiça para as vítimas… Não à indiferença e à negação!”

4 de Outubro, 2026
2 mins leitura

Pelo seu interesse, reproduzimos abaixo o comunicado do ‘Movimento pela Liberdade e pela Dignidade‘ da Síria, relativamente a este ataque de ódio sectário, que suscitou uma grande reação na opinião pública do país

Justiça para as vítimas… Não à indiferença e à negação!

Na passada quarta-feira (30 de setembro de 2026), na zona rural da cidade de Masyaf, na Síria, um miniautocarro que transportava trabalhadores alauítas foi alvejado por indivíduos não identificados, tendo este ataque causado a morte de 7 pessoas.

Quase não passa uma semana sem que se registem episódios de violência de caráter sectário e ataques armados. O mais recente ocorreu na quarta-feira à noite. Indivíduos armados não identificados abriram fogo contra um autocarro civil que circulava na rota Homs-Hafil. No ataque perpetrado contra o autocarro, que transportava trabalhadores da empresa El Metin que regressavam às suas casas na zona rural a oeste de Homs, sete pessoas morreram e quatro ficaram feridas.

As vítimas eram originárias de três aldeias alauítas: Fahil, Şeniyye e Mahfura. Na aldeia de Fahil, realizou-se uma cerimónia fúnebre para as vítimas, na qual a população participou.

Este não é o primeiro ataque armado deste tipo. Desde a queda do regime de al-Assad até hoje, ocorreram dezenas de incidentes semelhantes, que visaram principalmente pessoas da seita alauíta. Apesar disso, o comunicado emitido pelo Ministério do Interior do governo de transição é semelhante em todos os incidentes de segurança: fala-se de autores que procuram abalar a segurança e a estabilidade. No entanto, não se aborda a natureza sectária dos ataques, a identidade das vítimas e dos autores, nem o significado de estas pessoas terem sido alvo de tais ataques.

O facto de estes acontecimentos serem tratados como casos de segurança isolados e distintos uns dos outros, ignorando os seus contextos sociais e sectários, suscita sérias questões sobre a abordagem do governo de transição a este problema. Estaremos perante uma política que ignora as crescentes tensões sociais e sectárias na sociedade síria? Será que o facto de estes ataques serem enquadrados como “incidentes isolados” está a encobrir a questão mais importante: enquanto as autoridades se limitam a condenar os ataques e a remetê-los para investigação, será que estamos perante uma violência estrutural que visa um determinado segmento da sociedade síria, sem que se chegue a um processo de responsabilização verdadeiro e transparente?

O que é ainda mais doloroso é que, muitas vezes, quem paga o preço destas políticas e da violência recorrente são as pessoas da classe trabalhadora, que lutam diariamente para ganhar o pão de cada dia, no meio de uma grave crise económica e de dificuldades de subsistência.

O crime de hoje pode não ser o último cometido contra pessoas pertencentes a uma determinada seita ou a um segmento da sociedade síria, nem contra um trabalhador cujo único crime foi estar a regressar a casa. Enquanto o processo de justiça na Síria continua a ser distorcido, seletivo e vingativo, a seguinte questão coloca-se perante todos:

Tal como o povo sírio outrora clamava nos seus slogans, será que o sangue dos sírios é realmente um só, independentemente da sua seita ou pertença? Ou será que este slogan permanecerá apenas um grito até que a justiça se torne um direito igual para todos os sírios?

Apresentamos as nossas condolências às famílias e aos amigos das vítimas.

Justiça para as vítimas.

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