Os amputados são de Gaza

24 de Setembro, 2026
1 min leitura

Pelo Agustín Blanco, militante da Esquerda Socialista (IS), secção da UIT-QI na Argentina

A multinacional alemã Adidas, que apoiou o nazismo há quase um século, foi alvo de forte repúdio na sequência do pedido de desculpas que apresentou pelo facto de ter utilizado um soldado israelita amputado para ilustrar a sua campanha de calçado personalizado. Graças à brutalidade sionista, a Palestina é o país onde mais crianças e jovens perderam membros nos últimos anos.

A empresa recuou na utilização do influenciador Shalev Biton, um soldado israelita que perdeu a perna em 2021 devido a um míssil antitanque que o atingiu em Gaza, depois de se ter manifestado uma repulsa generalizada nas redes sociais e face à possibilidade de um boicote prejudicar as suas vendas.

Para além de Biton, a Adidas contou com outros nove atletas paralímpicos para ilustrar a campanha “Single shoe” (‘Sapato avulso‘). A decisão de o retirar surgiu na sequência de declarações contundentes, como a de Omar Haliwa, um palestiniano amputado de 14 anos que prestou o seu testemunho à agência de notícias turca Anadolu. “Como é que a Adidas pode trazer um soldado israelita e colocá-lo num anúncio enquanto nós sofremos tanto?“, questionou o adolescente.

Por seu lado, o líder Omar Barghouti, cofundador do movimento Boicote, Desinvestimento e Sanções (‘BDS‘), salientou que a Palestina tem “o maior número de crianças do mundo que perderam membros“, uma situação que “torna esta escolha de marketing ainda mais imoral“.

Enquanto se associa ao sionismo, tal como fez com o nazismo há um século, só em 2025 a Adidas faturou 24.811 milhões de euros, além de ter obtido lucros de mais 2.056 milhões.

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