Pelo Partido Socialismo e Liberdade (PSL), secção da UIT-QI na Venezuela
“Ao vencedor cabe o espólio“. Ontem, no âmbito da sessão da Assembleia Geral das Nações Unidas, teve lugar um encontro entre a presidente interina da Venezuela, Delcy Rodríguez, e o extremista de direita Donald Trump.
As imagens do encontro, realizado à porta fechada e sem a presença da imprensa, constituem um verdadeiro escândalo, a consumação do pacto de rendição entre o governo chavista e o imperialismo norte-americano.
Nessas imagens, Trump e Delcy Rodríguez aparecem muito sorridentes e a apertar as mãos, poucas horas depois de a presidente interina da Venezuela ter ouvido, impassível, o discurso agressivo e arrogante de Trump, no qual este se vangloriava da operação militar contra a Venezuela, realizada no passado dia 3 de janeiro, chamava Maduro de “criminoso“, se vangloriava do acordo petrolífero pelo qual os Estados Unidos assumem o controlo de quase um quarto das reservas de petróleo da Venezuela e no qual concluía afirmando que “ao vencedor cabe o espólio“.
Ficou para trás o discurso de 2019 da própria Delcy Rodríguez na ONU, quando se apresentou como anti-imperialista. Hoje apresenta-se submissa perante Trump, entregando as nossas riquezas ao imperialismo e às transnacionais. Por isso, sempre afirmámos que o chavismo era um falso socialismo. Grandes discursos nos dias festivos, enquanto reprimiam e aplicavam medidas de austeridade contra o povo trabalhador.
Desde a reforma da Lei dos Hidrocarbonetos, no final do mês de janeiro, nós, do Partido do Socialismo e da Liberdade (PSL), alertámos que se tinha concretizado um acordo entre o imperialismo norte-americano e o governo venezuelano. Isto foi reafirmado com a subsequente reforma da Lei das Minas. Através destes dois instrumentos, o petróleo e os nossos recursos mineiros são entregues ao imperialismo e às transnacionais.
A recente assinatura do acordo petrolífero entre o governo venezuelano e o dos Estados Unidos representa um salto qualitativo nesta entrega. Trata-se de um acordo leonino com a duração de 100 anos, pelo qual a Venezuela cede aos Estados Unidos o controlo de 65 mil milhões de barris de petróleo, pelo qual o nosso país receberá apenas pouco mais de 3 dólares por barril, numa altura em que o preço se situa entre os 70 e os 80 dólares. Um roubo descarado do nosso petróleo!
Não é por acaso que Trump tenha afirmado que, como vencedor após a agressão militar de janeiro, os Estados Unidos ficam com o nosso petróleo.
Isto explica que, apesar dos constantes anúncios oficiais de acordos com empresas transnacionais, nem um dólar chegue ao povo trabalhador venezuelano.
Enquanto Delcy Rodríguez e Trump se reúnem entre risos e apertos de mão, o governo venezuelano continua a aplicar medidas de austeridade severas, os salários de fome mantêm-se; o bónus salarial continua, os serviços públicos estão destruídos, os cortes de energia alastram-se e agravam-se por todo o país, não há água nem gás, a gasolina escasseia num país petrolífero e dezenas de pessoas continuam detidas por motivos políticos ou por terem reivindicado os seus direitos.
Do PSL, afirmamos que é necessário levantar um poderoso movimento nacional anti-imperialista, que se mobilize nas ruas contra a entrega do nosso petróleo e dos restantes recursos, que enfrente o ajustamento capitalista do governo aplicado em acordo com o mundo empresarial e o imperialismo.
Exigimos que os Estados Unidos levantem as sanções contra o nosso país, que cessem o controlo sobre as vendas de petróleo e que sejam libertados os recursos retidos em bancos no estrangeiro. É urgente lutar para que o petróleo seja 100% nacional, sem empresas mistas nem contratos de participação produtiva, que seja controlado pelos trabalhadores do setor petrolífero e que todos estes recursos sejam destinados a um plano de emergência operário e popular para dar resposta aos graves problemas do povo venezuelano.