Por Gabriel Schwerdt, da Esquerda Socialista (IS), secção da UIT-QI na Argentina
No sábado passado, no Parque Lezama, uma assembleia aberta confirmou a convocatória para a ‘Marcha da Raiva‘, a realizar-se no dia 19 de setembro, às 15h30, do Congresso até à Praça de Maio. Em Buenos Aires e em todo o país, sejamos milhares contra a motosserra de Javier Milei.
O objetivo é participar com todas as reivindicações em curso, apelando à derrota de Milei, dos seus cúmplices e do FMI, porque isto já não se aguenta mais. Milhões de nós vemos que o dinheiro não chega, mas, apesar disso, Milei diz que a motosserra não tem marcha-atrás. Aos baixos salários, à inflação e às famílias endividadas para poderem comer junta-se o facto de, dia após dia, fecharem mais empresas, provocando milhares de despedimentos. Uma verdadeira tragédia nos tempos em que vivemos.
Por sua vez, marchamos porque o peronismo e a CGT (Confederação Geral do Trabalho da República Argentina) fazem vista grossa perante a difícil situação que a classe trabalhadora, a juventude e os reformados e reformadas atravessam. Denunciamos o papel nefasto da CGT, exigindo que deixe de realizar marchas simbólicas e convoque uma nova greve geral e um plano de luta nacional, porque está provado que este governo de extrema-direita pode ser derrotado.
Isto aconteceu com a manifestação de 6 de agosto, onde, com unidade, conseguimos derrubar a estrangeirização da terra. Porque se Milei conseguiu chegar até aqui, foi devido à cumplicidade daqueles que aprovam as suas leis no Congresso, entre os quais setores do Partido Justicialista (PJ), somada à passividade da CGT, e não por falta de vontade de lutar.
O governo de Milei é corrupto, submisso e mentiroso, está a desgastar-se e ataca com crueldade os mais vulneráveis. Agora, agarra-se à causa das Malvinas para tentar travar a repulsa popular contra si, enquanto continua a entregar as nossas riquezas às mãos das multinacionais, de Donald Trump e do FMI.
Formar uma coordenação para organizar e dinamizar a marcha
A convocatória para a ‘Marcha da Raiva‘, lançada pela camarada Myriam Bregman e pelo seu partido, o PTS (‘Partido dos Trabalhadores Socialistas‘), foi tomando forma ao longo de várias reuniões das quais participámos em todo o país. Apoiamos a proposta da esquerda e dos setores combativos num momento em que o peronismo e a CGT viram as costas às reivindicações da classe trabalhadora e dos setores populares.
No âmbito deste total acordo com a convocatória, é evidente que existem debates que não estão resolvidos. O PTS, seguido pelo MST (Movimento Socialista dos Trabalhadores), recusa-se a abrir a convocatória a uma verdadeira coordenação com representantes de todas as organizações, sindicatos combativos, organismos de direitos humanos, feministas, piqueteros e partidos políticos que estamos a impulsionar a marcha. Desta forma, tudo ficaria mais organizado e contribuiria muito para a jornada nacional de 19 de setembro.
Além disso, tal como temos vindo a reivindicar, o Frente de Esquerda e dos Trabalhadores – Unidos (FIT-U) tem de ser um organizador, o que nos permitiria agir como uma frente sólida, capaz de potenciar o poder de mobilização. No entanto, o PTS “congelou” a Frente de Esquerda, enfraquecendo a ampliação da marcha. Temos prestígio perante milhares de lutadoras e lutadores em todo o país, que veriam com bons olhos que a Frente fizesse parte da convocação.
Infelizmente, a poucos dias da marcha, ainda não foi possível chegar a um consenso sobre uma declaração de apoio. Também será levantada a questão da continuidade após o dia 19, porque teremos de continuar organizados para travar a luta contra Milei e a sua motosserra, apoiando as lutas e as novas iniciativas.
Por isso, é importante que se dê lugar a uma verdadeira coordenação para organizar esta marcha e as ações que continuaremos a levar a cabo.
Milei já não dá mais! No dia 19 de setembro, sejamos milhares nas ruas!
Convocamos a marcha no dia 19 de setembro, impulsionando a mobilização a partir de cada local de trabalho, escola e bairro, para que sejamos milhares em todo o país. Milei e a sua motosserra já não dão mais. Temos de apresentar uma proposta alternativa. Dinheiro para salários, emprego, saúde, educação, universidades, pessoas com deficiência e famílias endividadas, não para a dívida externa usurária e o FMI!
A Esquerda Socialista faz parte dos organizadores da Marcha com as suas deputadas, deputados, dirigentes e toda a nossa militância.
Junta-te a nós!