Rumo ao IX.º Congresso Mundial da UIT-QI

9 de Setembro, 2026
3 mins leitura

Pela UIT-QI

Na Cidade de Buenos Aires, entre os dias 14 e 19 de novembro, realizar-se-á o IXº Congresso Mundial da Unidade Internacional de Trabalhadoras e Trabalhadores – Quarta Internacional (UIT-QI)

O IXº Congresso terá início no sábado, 14 de novembro, com um grande ato internacionalista, organizado pela Esquerda Socialista (IS), secção argentiniana da UIT-QI, em repúdio às agressões imperialistas de Trump, em apoio à Palestina, contra a extrema-direita mundial e pelo socialismo.

A UIT-QI reconhece-se como uma organização que faz parte do movimento trotskista internacional, continuadora do legado político e teórico de Leon Trotsky e de Nahuel Moreno, falecido em 1987,  e que foi um dos principais dirigentes do pós-Segunda Guerra Mundial.

Fazem parte da UIT-QI organizações, militantes e simpatizantes em mais de vinte países da América Latina e das Caraíbas, dos Estados Unidos, da Europa e do Sudoeste Asiático.

Estarão presentes em Buenos Aires delegações e convidados de diversas partes do mundo para partilhar a intervenção nas lutas em cada um dos países, com o desafio de impulsionar cada uma dessas lutas rumo à vitória.

O ultradireitista Donald Trump está a levar a cabo uma contra-ofensiva imperialista com o objetivo de superar a crise de domínio do imperialismo norte-americano. No entanto, longe de estabelecer uma nova ordem, está a fomentar a desordem mundial e, a poucos meses das eleições intercalares ‘Midterms‘ nos Estados Unidos, a crise política já começou e o descontentamento cresce, a par do fracasso trumpista no Irão, que, mais uma vez, deixou à vista a crise do imperialismo. No coração do imperialismo, a classe trabalhadora, a juventude e as populações migrantes dos Estados Unidos têm organizado mobilizações em massa, como as jornadas “No Kings” (‘Não Há Reis‘), que constituem o calcanhar de Aquiles de Trump.

Por outro lado, apesar do genocídio e dos assassinatos em massa, nem Trump nem Netanyahu conseguiram derrotar o povo palestiniano.

Preocupa o mundo o avanço da extrema-direita, como foi o caso da impressionante vitória eleitoral dos neonazis no estado da Saxónia-Anhalt, no leste da Alemanha. Trata-se do voto errado de milhões de pessoas face à desilusão e à descrença nos partidos e governos capitalistas tradicionais, liberais ou de centro-esquerda.

Mas também no mundo avançam as lutas e as rebeliões populares contra a exploração capitalista. As rebeliões da juventude e da “Geração Z“, por exemplo, derrubaram, em 2025, os governos do Nepal e da Indonésia. Na Índia, o movimento estudantil dos chamados “Baratas” eclodiu contra a manipulação dos exames de admissão às universidades. Milhões de jovens nas ruas forçaram o governo capitalista de Modi a ceder, pela primeira vez em anos. Na Bolívia, uma rebelião popular, operária e camponesa, em maio-junho, enfrentou o governo de direita de Rodrigo Paz, seis meses após a sua tomada de posse, com bloqueios de estradas, greves e mobilizações massivas; foi a traição da COB (Central Sindical Boliviana) que impediu a queda de Paz. Mas a luta contra o ajustamento social vai recomeçar. Estas e outras lutas marcam o caminho e a agenda do IXº Congresso Mundial da UIT-QI.

Um Congresso para lutar e unir as e os revolucionários

O IXº Congresso irá debater as novas coordenadas das lutas em curso e os desafios para as organizações revolucionárias, procurando conquistar a unidade dos revolucionários e das revolucionárias com o objetivo de fortalecer a construção dos partidos socialistas revolucionários em cada país, no caminho para superar a crise de liderança revolucionária mundial. Trotsky dizia que “a crise da humanidade é a crise de liderança“.

O Congresso será um espaço democrático de intercâmbio e debate que impulsionará as campanhas políticas fundamentais para enfrentar o imperialismo e continuar a aprofundar a solidariedade mundial em apoio à Palestina. A partir da UIT-QI, fizemos parte das duas últimas iniciativas da Flotilha ‘Global Sumud’ que, juntamente com centenas de ativistas de diversas partes do mundo, navegámos pelo Mediterrâneo para tentar quebrar o bloqueio a Gaza e alargar a mobilização mundial na luta por uma Palestina Livre, do Rio até ao Mar.

As delegações presentes em Buenos Aires ratificarão e darão impulso às lutas mundiais para enterrar o sistema capitalista-imperialista, de mãos dadas com governos dos trabalhadores e das trabalhadoras, a fim de construir o socialismo com democracia operária e popular em todo o mundo.

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