Está nas nossas mãos acabar com a escassez em Gaza!

3 de Setembro, 2025
3 mins leitura

Por Alp Kozan, do Partido da Democracia dos Trabalhadores (IDP), secção da UIT-QI na Turquia

O genocídio de Gaza, que se desenrola aos olhos do mundo inteiro e que todos nós assistimos em direto, aproximava-se do seu 700.º dia enquanto estas linhas eram escritas. Perante a resistência heróica demonstrada pelo povo palestiniano e pelas organizações de resistência contra este projeto de extermínio, a resposta do Estado sionista de Israel foi alargar o bloqueio sobre Gaza de forma a interromper efetivamente toda a ajuda humanitária e o comércio. A Organização Mundial de Saúde (OMS), o Fundo das Nações Unidas para a Infância (UNICEF), o Programa Alimentar Mundial (PAM) e a Organização para a Alimentação e a Agricultura (FAO) declararam, num comunicado conjunto, que existe oficialmente uma situação de fome em Gaza. Pelo menos 281 palestinianos, dos quais 114 eram crianças, perderam a vida devido à fome, enquanto mais de dois mil palestinianos foram mortos pelas forças de ocupação enquanto tentavam procurar comida. Com esta resposta, o Estado sionista – que não conseguiu intimidar a população de Gaza com ataques aéreos, tanques e tentativas de invasão terrestre – visa agora exterminá-la deixando-a à fome, continuando a aumentar, dia após dia, o seu já extenso registo de crimes de guerra.

O Estado ocupante, que submete Gaza à fome, não hesita em avançar com o seu projeto de anexação também na Cisjordânia. Em julho, uma decisão do Knesset (Parlamento israelita) aprovou a anexação de toda a Cisjordânia ocupada, “legalizando” a soberania do Estado de Israel sobre a Cisjordânia e a imunidade de facto dos colonos sionistas. Este ataque, que ocorre em simultâneo com o bloqueio de Gaza, expõe em toda a sua crueza o plano do Estado sionista de exterminar o povo palestiniano e anexar a Palestina.

Seria errado interpretar esta crescente agressividade do Estado sionista como um indício da sua força. Pelo contrário, já tínhamos testemunhado um aumento semelhante nos ataques genocidas de Israel antes do cessar-fogo de 20 de janeiro. Tal como naquela altura, o Estado sionista – cada vez mais isolado na cena internacional, cada vez menos capaz de convencer os seus aliados imperialistas e com dificuldades em financiar o fardo económico da ocupação -, na véspera de um novo cessar-fogo, pretende destruir com toda a sua brutalidade a possibilidade de um cessar-fogo duradouro e, caso este venha a concretizar-se, reforçar a sua posição na mesa das negociações. A pressão resultante da aprovação do cessar-fogo pelas forças de resistência, as declarações da França e do Canadá de que irão reconhecer o Estado da Palestina na Assembleia Geral das Nações Unidas em setembro, o isolamento económico de que pudemos vislumbrar apenas uma pequena parte com a retirada total da Zorlu Enerji da produção de energia em Israel… São estas as realidades que se escondem por trás da máscara manchada de sangue de Israel.

O que não devemos esquecer é que todos estes sucessos no isolamento do Estado ocupante não são uma concessão nem dos Estados imperialistas nem dos regimes árabes reaccionários que fingem que não vêem, não ouvem e não falam perante o genocídio. Em primeiro lugar, a resistência do heróico povo palestiniano e, em seguida, os slogans “Não ao genocídio! Palestina livre, do rio até ao mar! Cortem todas as relações com Israel!“, são a nossa única garantia contra a aniquilação do povo palestiniano.

As iniciativas dos povos do mundo para pôr fim ao genocídio e acabar com a fome em Gaza – a tarefa mais urgente neste sentido – concretizam-se hoje na Flotilha ‘Global Sumud‘. Partindo de Espanha, da Tunísia e de outros portos com dezenas de navios, a frota tem como objetivo quebrar o bloqueio sobre Gaza. Está nas nossas mãos levar água, alimentos e medicamentos a Gaza! Apoiemos com todas as nossas forças esta iniciativa da Flotilha e mobilizemo-nos contra a fome e o genocídio em Gaza! Do rio até ao mar, Palestina livre!

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