Neste mês na história: Trotsky, mais atual do que nunca, no 86.º aniversário do seu assassinato

21 de Agosto, 2026
2 mins leitura

Por Kenan Zorlu, militante do Partido da Democracia dos Trabalhadores (IDP), secção da UIT-QI na Turquia

A Quarta Internacional considera que chegou o momento de expressar de forma clara e inequívoca a sua visão sobre esta guerra e as partes envolvidas, a sua avaliação das políticas de guerra das diversas organizações de trabalhadores e, acima de tudo, como se pode alcançar a paz, a liberdade e a prosperidade. A Quarta Internacional não se volta para os governos que arrastam os povos para os massacres, para os políticos burgueses responsáveis pelas ações desses governos, nem para a burocracia operária que apoia a burguesia beligerante. A Quarta Internacional volta-se para os trabalhadores e trabalhadoras, para os soldados e marinheiros, para os camponeses empobrecidos e para os povos escravizados dos países colonizados. A Quarta Internacional não tem qualquer ligação com os opressores, os exploradores e os imperialistas. É o partido mundial dos trabalhadores, dos oprimidos e dos explorados“, escrevia Trotsky no seu “Manifesto sobre a Guerra Imperialista“, apresentado no congresso extraordinário da Quarta Internacional, em maio de 1940.

Leon Trotsky tornou-se um dos arquitetos da primeira revolução operária bem-sucedida do mundo ao sistematizar a teoria da Revolução Permanente, primeiro presidente do Soviete de Petrogrado, primeiro Comissário do Povo para os Negócios Estrangeiros e fundador do Exército Vermelho. Na véspera da Segunda Guerra Imperialista, já havia cerca de 12 anos que tinha sido derrotado na luta contra a burocracia – personificada em Estaline – que preenchia o vazio criado pela democracia operária destruída após a guerra civil, e que, temendo a influência que exercia junto do povo, tinha sido enviado para o exílio, cujo destino final foi o México. Nos 12 anos que se seguiram, a burocracia de Estaline começou por declarar a social-democracia como “social-fascismo” e, com as suas políticas sectárias e aventureiras, entregou a classe operária alemã aos nazis. Posteriormente, durante a Revolução Espanhola, tendo os trabalhadores espanhóis e catalães lutado com uma organização extraordinária tanto contra Franco como contra a burguesia – e com o apoio de revolucionários vindos de todas as partes do mundo -, a burocracia de Estaline obrigou-os a formar uma frente com os partidos burgueses, alegando a necessidade de criar uma “frente popular” contra o fascismo. Por outro lado, nos julgamentos de Moscovo, tinha massacrado quase todos os bolcheviques, os arquitetos da revolução. Foi nestas condições que Trotsky liderou a fundação da Quarta Internacional, com o objetivo de preparar a resistência internacional da classe operária contra a guerra imperialista que se avizinhava e de transformar as guerras imperialistas em revoluções operárias.

Durante este congresso extraordinário da Quarta Internacional, a 24 de maio de 1940, ocorreu o primeiro ataque armado à casa de Trotsky no México. Tanto a burguesia como a burocracia stalinista tinham um medo mortal de Trotsky e da tradição que ele representava. Para além de as suas políticas terem conduzido à derrota da classe operária a nível mundial, Estaline, apesar de o famoso espião soviético Leopold Trepper ter alertado, ao longo dos anos de 1940-41, para o facto de os nazis irem atacar a União Soviética, classificou todos os relatórios como sendo uma provocação britânica, levando assim o Exército Vermelho à derrota logo no início da guerra. A burguesia, por sua vez, sabia bem que a crise económica capitalista – da qual só se podia sair através da guerra e da destruição das forças produtivas – provocava, ao mesmo tempo, revoluções operárias. Nestas condições, por ordem de Estaline, Trotsky faleceu a 21 de agosto, na sequência de um ataque sofrido na sua residência a 20 de agosto. A Quarta Internacional, que ele descreveu como “a minha maior obra“, continuou a existir e a lutar em prol da revolução socialista mundial.

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