A Argentina impede a entrada de um ativista brasileiro que integrou a frota para Gaza e o comboio para Cuba

1 de Abril, 2026
4 mins leitura

Pela UIT-QI

O ativista brasileiro Thiago Ávila foi detido esta terça-feira no Aeroparque Jorge Newbery, na cidade de Buenos Aires, e foi-lhe proibida a entrada na Argentina, país para onde viajou para participar no anúncio da delegação local da Flotilha ‘Global Sumud’, que prevê navegar novamente de Barcelona para a Faixa de Gaza no próximo mês.

A polícia separou Thiago da sua família e mantém-no detido em Buenos Aires com ordem de deportação“, anunciou o círculo próximo de Ávila através do perfil na rede social Instagram, onde explicou ainda que o ativista tem um bilhete para voar esta quarta-feira (01/04/2026) com destino a Barcelona, para embarcar dias depois rumo a Gaza.

Contactadas pela EFE, as autoridades da Direção Nacional de Migrações e do Ministério da Segurança Nacional não forneceram detalhes sobre os motivos da proibição de entrada no país.

Tecnicamente, falam de falso turismo“, disse à EFE Mónica Schlotthauer, deputada da Esquerda Socialista (IS)/Frente de Esquerda e dos Trabalhadores – Unidos (FIT-U) e participante da delegação argentina da frota.

Lara Souza, esposa de Ávila e que o acompanhava no voo, explicou à EFE que as autoridades de imigração, após permitirem a entrada na Argentina a ela e à sua filha, comunicaram ao ativista que havia “um alerta” sobre o seu passaporte. “Na sala de imigração, a polícia disse a Thiago que ele não era bem-vindo à Argentina e que não o deixariam entrar“, relatou Souza.

Por seu lado, a delegação local da Flotilha Global Sumud‘ decidiu adiar o anúncio da sua participação no comboio marítimo que se deslocará ao enclave palestiniano e, através de um comunicado, afirmou que as suas atividades não seriam interrompidas “nem perante este nem perante qualquer outro ato de censura e intimidação“.

Denunciamos que se trata de uma manobra antidemocrática, criminalizadora e proscriptiva, não só contra a Flotilha ‘Global Sumud’ e o Thiago, mas contra todos os ativistas que defendem o direito do povo palestiniano a ser livre“, disse à EFE o ex-deputado provincial de Córdoba Ezequiel Peressini, outro dos argentinos que se juntará à viagem pelo Mediterrâneo.

Ávila é um dos coordenadores da Flotilha Global Sumud‘ para Gaza e participou recentemente no Convoy ‘Nuestra América‘ para Cuba. No passado dia 25 de março, o ativista brasileiro tinha sido retido também no Aeroporto Internacional de Tocumen, de Panamá, onde fez escala no regresso de Cuba após completar uma missão com o comboio que partiu do México com 14 toneladas de ajuda humanitária e painéis solares.

A nova frota para Gaza, que dá continuidade à expedição inicial do ano passado, partirá no próximo dia 12 de abril de Barcelona e contará com mais de 100 embarcações e cerca de 3.000 participantes, incluindo médicos, educadores, profissionais da construção civil e especialistas para documentar os crimes cometidos na zona.

Em setembro do ano passado, mais de 50 embarcações, com ativistas provenientes de cerca de quarenta países, partiram do Mediterrâneo com o objetivo de tentar quebrar o bloqueio imposto por Israel, que, entre 2 e 3 de outubro, interceptou mais de quarenta navios e deteve 473 tripulantes.

Reproduzimos abaixo o comunicado de imprensa da Global Sumud Argentina sobre a detenção do proprio Thiago Ávila, ocorrida no dia 31/03/2026

Às 14 horas, hora da Argentina, Thiago Ávila, coordenador internacional da ‘Global Sumud’ Flotilla, encontra-se detido no Aeroparque Internacional Jorge Newbery, impedido de entrar no país e separado arbitrariamente da sua esposa e filha.

As autoridades aeroportuárias e de imigração deixaram claro que a proibição não se deve a motivos administrativos, mas trata-se de uma decisão política que emana das mais altas esferas governamentais, tomada pelos responsáveis executivos do autodenominado “governo mais sionista da história“, decidido a estigmatizar e criminalizar a militância organizada, tanto nacional como internacional.

Este facto, inédito na Argentina, não só constitui um grave caso de censura e viola os direitos e garantias políticas mais elementares, como também confirma o caráter antinacional do governo liberal-libertário e o seu sequestro pelos interesses geopolíticos dos Estados Unidos e do Estado de Israel.

É importante referir que outros governos de extrema-direita da região também têm perseguido Ávila recentemente, como aconteceu durante a sua prolongada detenção no Aeroporto de Tocumen, no Panamá, há apenas uma semana. O ativista é mundialmente conhecido pelo seu impulso a iniciativas de caráter humanitário, internacionalista e não violento, como a Convoy ‘Nuestra América‘, que há poucos dias navegou em direção a Cuba, ou as próprias frotas que, há muitos anos, procuram quebrar o bloqueio ilegal sobre Gaza.

Ávila foi convidado para a Argentina por diferentes organizações sociais, partidos políticos, sindicatos e movimentos estudantis, e tinha previsto dar uma conferência de imprensa na ATE Capital (‘Associação dos Trabalhadores do Estado‘) e realizar um evento de lançamento do capítulo local da ‘Global Sumud‘, recentemente constituído na Faculdade de Filosofia e Letras da UBA, bem como conceder entrevistas aos meios de comunicação e manter várias reuniões com o movimento social argentino e diferentes representantes parlamentares.

Em virtude do ocorrido, o Comité Argentina da ‘Global Sumud’ Flotilladecidiu suspender a conferência de imprensa marcada para hoje às 15h na ATE Capital. Em vez disso, realizaremos uma nova conferência amanhã, quarta-feira, às 18h, na Sala 250 da Faculdade de Filosofia e Letras da UBA.

Flotilha ‘Global Sumud’ não se deixará intimidar nem por este nem por qualquer outro ato de censura e intimidação, e reafirma o seu compromisso de voltar a navegar no dia 12 de abril com mais de 100 embarcações que partirão do Mediterrâneo e levarão ajuda humanitária, pessoal médico, educadoras, bioconstrutores e ativistas, com a decisão inabalável de quebrar o infame e ilegal bloqueio de Gaza e de acompanhar uma reconstrução liderada de forma autónoma pela própria população civil palestiniana.

Em breve daremos mais notícias sobre a situação de Thiago e da sua família.

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