Somos todos os dias confrontados com a penosa realidade do aumento do custo de vida. O baixo salário não chega para suprimir os custos cada vez mais elevados. E se para nós fica cada vez mais difícil pagar o combustível, para as petrolíferas os lucros extraordinários são cada vez maiores. A Galp, por exemplo, aumentou em 41% os seus lucros face a 2025.
Mas não são só as petrolíferas que estão a aproveitar a nossa crise para aumentar os seus lucros. As distribuidoras como a Jerónimo Martins e a Sonae também têm visto os seus lucros a aumentar.
Não bastasse o custo do combustível e o custo de por comida no prato, ainda temos os preços da habitação que estão hoje a um nível estratosférico. Torna-se impossível conseguir pagar uma renda ou comprar uma casa. Enquanto isso, as medidas do Governo vão exatamente no sentido contrário das necessidades de quem arrenda: vêm acabar com os limites aos aumentos de renda, facilitar os despejos e oferecer borlas fiscais aos senhorios e construtoras.
Para os estudantes, este aumento no custo de vida significa que não há condições para manterem a sua formação, e muitos acabam por desistir do curso. Também na educação as medidas do Governo vão no sentido contrário, particularmente no secundário onde o caos nos exames revela a política de desmantelamento da educação pública.
Mas, se é verdade que há um agravar das condições de vida da população, também não deixa de ser verdade que se começa a dar passos na resistência aos ataques do Governo e multinacionais. A população de Covas do Barroso, por exemplo, têm mostrado uma resiliência ao longo de vários anos e continua a resistir contra a destruição da sua terra.
Também a população de outros países têm montado uma inspiradora resistência. A população da Palestina continua a resistir ao genocídio perpertado por Israel. Na França, a greve da função pública juntou professores, auxiliares de educação e alunos numa luta que abalou o país. No Estado espanhol, as acampadas pela habitação mostram que há formas de lutar contra este flagelo. Este é o caminho para a frente!
Em Portugal tem havido muitas greves pela correta necessidade de atualização dos salários. No dia 2 de Outubro houve uma importante greve da Função Pública. Dia 10 de Outubro participaremos na manifestação internacional em apoio à Palestina; no mesmo dia, haverá outras manifestações a nível nacional contra o aumento do custo de vida. No dia 17 de Outubro, haverá uma manifestação da qual participaremos contra o aumento do custo de vida e pela atualização dos salários. Dia 14 de Novembro haverá uma manifestação pela habitação.
Estas lutas são importantes e mostram que há uma vontade de lutar e procurar soluções. Mas é preciso que os sindicatos,
a CGTP e a UGT, organizem um plano de lutas consistente, que unifique estes processos e que enfrente diretamente o Governo. O Trabalhadores Unidos, um novo partido para lutar, apela à unidade destas lutas, dos movimentos sociais e sindicais. É preciso fazer como na Espanha e na França: lutar por habitação pública, pelos serviços públicos e pela atualização dos salários para enfrentar a inflação.