Somos obrigados a manifestar a nossa surpresa e indignação perante as declarações fantasiosas e mentirosas de Ascenso Simões à SIC Notícias, no dia 26 de Outubro, pelas 21h15, que visaram diretamente o nosso partido, o Trabalhadores Unidos, e em particular a porta-voz Renata Cambra, entre outros militantes.
Rejeitamos absolutamente essas declarações, que não só são calúnias sobre as quais não é apresentada qualquer prova, como configuram, a nosso ver, um incitamento à perseguição e repressão política e policial contra nós e todos aqueles que de alguma forma sejam parte visível desta luta.
O Trabalhadores Unidos (TU) é um partido legal em Portugal e a nossa participação em movimentos – e mais concretamente neste caso, nas acampadas pelo direito à habitação – sempre se pautou pelo respeito pelas votações das Assembleias Populares, às quais a própria imprensa tem acesso, por serem públicas. Como partido, respeitamos desde o primeiro momento as regras definidas pelo Tribunal Constitucional, sem as dúvidas que outros partidos já motivaram.
As declarações de Ascenso Simões somente pretendem desviar o debate que atravessa o país. O governo não consegue justificar o uso da brutal repressão que foi evidente na madrugada do dia 25 de Outubro e, perante os factos, Ascenso Simões atribui ao TU ações que nem sequer existiram – como as imagens que já toda a imprensa divulgou facilmente confirmam.
Tanto assim é, que há inclusive imagens desse dia, captadas pela própria SIC Notícias, em que é visível a companheira Renata Cambra a dialogar com a PSP. Nessa madrugada, os manifestantes encontravam-se pacificamente na praça sem qualquer provocação à Polícia. A violência veio exclusivamente por parte das forças da PSP.
O outro debate que esta intervenção nefasta pretende esconder é que 70% da população concorda com a necessidade de uma luta para resolver o problema da habitação. Isto num período em que se começa agora a debater o Orçamento do Estado para 2027, o qual não prevê qualquer medida para resolver esta crise. O Partido Socialista já afirmou que irá viabilizar este orçamento através da abstenção e Ascenso Simões, que já foi deputado deste partido, está também desta forma a defender um Orçamento do Estado que vai piorar a vida dos portugueses.
Desmentimos também que o Trabalhadores Unidos tem ligações com organizações da “ultra esquerda” de outros países e é falso que alguma vez tenhamos tido contacto ou tenhamos afinidade com qualquer uma das organizações nomeadas por Ascenso Simões, carecendo também estas acusações de qualquer prova.
Reafirmamos, por fim, que temos vindo a atuar respeitando o direito à livre reunião e manifestação consagrado na Constituição. Nesse sentido, a dirigente Renata Cambra apresentou, de acordo com a lei, uma intimação para proteção dos direitos, liberdades e garantias das pessoas que têm participado nos protestos, procurando proteção em relação ao que vem sendo a atuação repressiva das forças de segurança.
Portanto, não permitiremos falsas declarações, carregadas de visível ódio político, que apenas procuram descredibilizar o movimento e livrar o Governo e o Presidente da República de dar uma resposta coerente e necessária sobre a repressão da polícia e de assumir responsabilidades sobre a crise da habitação que o país vive.
As mais de 25 mil pessoas que marcharam este Sábado, levando as suas famílias, amigos e vizinhos, são expressão do apoio popular a estas manifestações. Acusar um partido legalizado, que é apenas uma pequena parte de um grande movimento que todos os dias se reúne para discutir sobre o principal problema do país, é uma irresponsabilidade e beira o ridículo.
Assim, pedimos a imediata retratação de Ascenso Simões e que a SIC Notícias nos permita o devido espaço para legitimamente apresentarmos o nosso contraditório.
Trabalhadores Unidos
27 de Outubro de 2026