Por Gabriel Schwerdt, da Esquerda Socialista (IS), secção da UIT-QI na Argentina
A jornada nacional reuniu milhares de pessoas em mais de 60 cidades contra a ‘motosserra’ de Milei, os seus cúmplices e o FMI. A partir da Esquerda Socialista/Frente de Esquerda e dos Trabalhadores – Unidos, propomos reforçar a unidade daqueles que lutam, exigindo uma greve geral.
A ‘Marcha da Raiva‘ decorreu, com força, nas principais cidades do país. De Jujuy à Terra do Fogo, a iniciativa, impulsionada por Myriam Bregman, foi abraçada por organizações sociais, coletivos de mulheres e dissidências, o Plenário do Sindicalismo Combativo, reformados e reformadas, artistas, a juventude e aqueles que integram o FIT-U.
A mobilização teve manifestações em mais de 60 cidades e reuniu mais de 350 organizações; desde as primeiras horas da tarde de sábado, dia 19, milhares de pessoas saíram às ruas para expressar a nossa indignação contra as políticas de entrega e pilhagem do governo de Javier Milei, o seu plano ‘motosserra‘, os seus cúmplices e o FMI.
Na Cidade de Buenos Aires, a marcha partiu da Plaza Congreso até à Plaza de Mayo. O dia revelou uma importante disposição para enfrentar a austeridade e para organizar uma resposta unida a partir da base.
A convocatória foi um sucesso, o que se refletiu na diversidade e no entusiasmo dos setores que se foram juntando. A coluna de trabalhadoras e trabalhadores, organizados no Plenário do Sindicalismo Combativo, teve um lugar de destaque. A revolta da classe trabalhadora tem motivos de sobra. Mais de 300 mil despedimentos, encerramentos de empresas, salários que ficam aquém da inflação e uma reforma laboral negociada com a burocracia sindical para retirar direitos levam milhares de pessoas a organizar-se para enfrentar os cortes.
Os reformados e as reformadas também marcaram presença, como todas as quartas-feiras em frente ao Congresso, tornando-se um exemplo de dignidade e resistência. A juventude foi outra protagonista e prepara-se para a nova Marcha Federal Universitária contra o desfinanciamento da educação.
A mobilização chegou finalmente à Plaza de Mayo para o comício e, com a presença de movimentos feministas, queer, de direitos humanos e culturais, realizámos um “pañuelazo” a partir do palco, ao qual vários artistas e músicos manifestaram o seu apoio.
Do palco, manifestaram o seu apoio representantes das diversas organizações convocantes, sindicais, sociais, dos movimentos de luta e da FIT-U, com Myriam Bregman e Nicolás del Caño (‘Partido dos Trabalhadores Socialistas‘); os nossos camaradas da Esquerda Socialista: Juan Carlos Giordano, Mónica Schlotthauer, Rubén ‘Pollo‘ Sobrero, Mercedes de Mendieta, Mercedes Trimarchi e Soledad Mosquera; Gabriel Solano, Romina del Plá (‘Partido Operário‘) e Celeste Fierro (‘Movimento Socialista dos Trabalhadores‘), entre outras figuras políticas de referência. Liliana Daunes e Mirta Israel encarregaram-se da leitura do documento comum. O dia encerrou com músicos a interpretar “La marcha de la bronca“, a canção histórica de Pedro e Pablo que deu nome à mobilização.
A ‘Marcha da Raiva‘ expressou muito mais do que a rejeição ao governo de Milei, aos governadores e aos políticos patronais que o ajudam a aplicar os cortes drásticos. Também reivindicou a necessidade de organizar a luta e exigir à burocracia da CGT (Confederação Geral do Trabalho da República Argentina) que rompa o seu pacto com o Governo e que, juntamente com a CTA (Central dos Trabalhadores da Argentina), convoque uma nova greve geral e um verdadeiro plano de luta.
O dia de mobilização voltou também a colocar no centro a rejeição ao pagamento da dívida externa e ao FMI. A partir da Esquerda Socialista, defendemos que, enquanto se destinam milhares de milhões de dólares ao pagamento da dívida, faltam recursos para salários, pensões, saúde, educação e habitação. Repudiamos igualmente as pretensões de Donald Trump de aprofundar a pilhagem imperialista na América Latina e nas Caraíbas.
Como é que continuamos?
A experiência de 6 de agosto já tinha demonstrado que a convergência de diferentes setores nas ruas pode alterar o equilíbrio de forças. A ‘Marcha da Raiva‘ foi mais um passo na luta pelas reivindicações que vinham a ser defendidas em diferentes pontos do país.
O desafio agora é dar continuidade à luta, constituindo uma verdadeira coordenação de todos os setores que convocámos para o dia 19 de setembro, na qual a FIT-U pode e deve desempenhar um papel de destaque, tal como já fez na preparação para o dia 19 de setembro, para apoiar as lutas e as novas iniciativas que possam surgir, defendendo a esquerda e os setores do sindicalismo combativo, da juventude, dos reformados e reformadas, das mulheres e das minorias. Esta é uma das grandes tarefas que temos pela frente.