Pela Esquerda Socialista (IS), secção da UIT-QI na Argentina
Javier Milei realizou a sua 16.ª viagem aos Estados Unidos. Durante a visita, participou em duas atividades, ambas com amplas comitivas; na segunda, levou até a companheira de Manuel Adorni, chefe de Gabinete do Governo e porta-voz do Presidente da Argentina, no avião presidencial. Primeiro, assistiu ao lançamento, impulsionado por Donald Trump, do ‘Escudo das Américas‘ (‘Shield of the Americas‘), um organismo criado para colocar os países latino-americanos governados pela extrema-direita sob a ala “militar” dos Estados Unidos. Lá, mais uma vez, um Trump histriónico (além de se gabar do ataque que está a levar a cabo contra o Irão) voltou a afirmar que foi ele quem “salvou” Milei e que, de outra forma, este teria perdido as eleições. O presidente argentino e os líderes dos outros países sorriam e aplaudiam, acompanhando o mandatário norte-americano.
Seguiu-se então um episódio ainda mais escandaloso. Antes do início da ‘Argentina Week‘ (um evento organizado pelo J.P. Morgan para oferecer os recursos argentinos à pilhagem dos abutres imperialistas), Milei dedicou um dia inteiro a apresentar-se como aliado do carniceiro Benjamin Netanyahu. Assim, numa universidade sionista e ortodoxa, o presidente argentino proferiu um discurso com declarações como: “estou orgulhoso de ser o presidente mais sionista do mundo” e “vamos ganhar esta guerra“, sem disfarçar o seu papel de capacho dos ultradireitistas Trump e Netanyahu.
É realmente vergonhoso que se pretenda envolver o nosso povo com esses genocidas. Não em nosso nome! Mais do que nunca, repudiamos a agressão norte-americana, o genocídio de Netanyahu contra o povo de Gaza, o ataque de janeiro contra a Venezuela e as agressões e ameaças contra Cuba. A propósito, quanto a este último ponto, Milei já se autoproclamou suposto “vencedor” de um futuro ataque norte-americano contra a ilha.
Entre ambas as atividades nos Estados Unidos, Milei também teve tempo para conceder uma entrevista televisiva e “avisar” que mais setores económicos vão desaparecer (traduzindo: que haverá milhares de despedimentos adicionais). Repetiu o que também defendem abertamente os seus ministros Luis ‘Toto‘ Caputo (da Economia) e Federico Sturzenegger (da Desregulamentação e da Transformação do Estado): que haverá mais ‘motosserra‘ e que os encerramentos de empresas e os despedimentos são, efetivamente, o objetivo pretendido da política económica.
Entretanto, a inflação continua a atingir o bolso do povo. Os salários e as pensões caem a níveis baixíssimos, e aqueles que não conseguem pagar os cartões de crédito ou os empréstimos já se contam aos milhões. A isto soma-se o impacto internacional: o ataque de Trump ao Irão está a provocar um aumento do preço dos combustíveis, o que terá consequências económicas imediatas nas próximas semanas e representa mais um golpe na já deteriorada capacidade de compra da classe trabalhadora.
Do outro lado, a luta dos trabalhadores e do povo continua. A primeira semana de aulas foi marcada por uma forte greve dos professores. Em Catamarca, chegou a transformar-se numa verdadeira rebelião popular, com marchas e acampamentos. Está a ser preparada uma greve universitária muito dura para a semana de início das atividades. Na ‘FATE‘1, continua a luta contra o encerramento e os despedimentos, e recentemente os trabalhadores e trabalhadoras conseguiram uma decisão favorável: a justiça teve de revogar a ordem de desocupação das instalações, fruto da força da sua luta.
A isto junta-se a marcha massiva do 8 de março pelo Dia Internacional das Mulheres Trabalhadoras. Milhares mobilizaram-se de forma unida em direção à Plaza de Mayo contra a misoginia e o machismo do governo de extrema-direita. Foi um exemplo de como, sem sectarismos e com unidade de ação, enfrentar nas ruas Milei e os seus cúmplices. Foi assim que se decidiu nas reuniões preparatórias, convocadas sob o lema: “Unir as lutas para derrotar as reformas esclavagistas de Milei, do FMI e dos seus cúmplices“. Na mobilização reuniram-se a CGT (Confederação Geral do Trabalho da República Argentina), a CTA (Central dos Trabalhadores da Argentina), a CTEP (Confederação dos Trabalhadores da Economia Popular), a Campanha Nacional pelo Direito ao Aborto, setores independentes do feminismo, a esquerda e lutas em curso como a comissão de mulheres da ‘FATE‘ e as trabalhadoras do Garrahan2, entre outras.
Por outro lado, exigimos que a burocracia da CGT rompa os seus pactos com o governo de extrema-direita e convoque uma greve nacional e um verdadeiro plano de luta.
Da mesma forma, enquanto enfrentamos este governo, a ‘motosserra‘ e a submissão a Trump, continuamos a afirmar que é necessária outra alternativa política. O peronismo não é uma saída para o povo trabalhador. O caminho passa por um programa diferente, diametralmente oposto ao atual, um programa operário e popular, como aquele que defendemos a partir da Esquerda Socialista e da Frente de Esquerda e dos Trabalhadores – Unidos.
Hoje, a tarefa é unir as lutas, coordená-las e dar-lhes amplitude. O que se segue é um verdadeiro compromisso de honra: neste dia 24 de março, 50 anos após o golpe genocida, todos e todas temos de sair às ruas. É preciso marchar de forma massiva e unida em todas as praças do país, porque isso fortalecerá a luta contra Milei e Trump.
Temos de travar este governo de extrema-direita que se tornou mais ousado após as eleições do ano passado. É preciso repudiar veementemente o seu discurso negacionista, a sua tentativa de indultar os genocidas, o seu ataque contra os locais de memória e contra os seus trabalhadores e trabalhadoras, bem como contra todo o plano ‘motosserra‘.
Nestes dias, temos de multiplicar as atividades: convidar em massa, organizar palestras, projetar filmes temáticos, realizar visitas aos locais de memória, reunir-nos com colegas de estudo para preparar faixas e organizar-nos para chegar aos locais onde se realizarão as mobilizações.
É para isso que da Esquerda Socialista te convocamos. Vem e marcha connosco, pois também o faremos em memória dos e das pessoas assassinadas e desaparecidas do nosso partido antecessor, o Partido Socialista dos Trabalhadores (PST). Esperamos por ti!