Pela Corrente Socialista de Trabalhadoras e Trabalhadores (CST), secção da UIT-QI no Brasil
Após quase oito anos de espera e impunidade, a Primeira Turma do Supremo Tribunal Federal (STF) condenou, no dia 25 de fevereiro, os mandantes e articuladores do crime que tirou as vidas da vereadora Marielle Franco e de seu motorista Anderson Gomes.
Os irmãos Domingos e Chiquinho Brazão receberam as maiores penas, sendo condenados a 76 anos e 3 meses de prisão. Também foram condenados: Ronald Paulo Alves Pereira (major da Polícia Militar), com 56 anos de prisão por monitorar a rotina de Marielle e repassar informações estratégicas aos executores; Rivaldo Barbosa (ex-chefe da Polícia Civil), com 18 anos de prisão por utilizar seu cargo público para obstruir as investigações e acobertar o crime; Robson Calixto Fonseca (ex-assessor de Domingos Brazão), com 9 anos de prisão por sua atuação em atividades ligadas a milícias.
A recente condenação não é um evento isolado da justiça; é, acima de tudo, uma vitória histórica da mobilização. Trata-se do resultado direto de anos de resistência, em que a pressão incansável das manifestações de rua, protestos e demais ações – tanto em nível nacional quanto internacional – impediu que o crime fosse sepultado pelo esquecimento ou pela obstrução de justiça.
O desfecho marca um passo crucial na responsabilização dos envolvidos neste crime bárbaro que chocou o país. No entanto, o Estado brasileiro também precisa ser responsabilizado pela infiltração criminosa em suas instituições. Não podemos esquecer que, em 2018, quando Marielle foi assassinada, o Rio de Janeiro estava sob intervenção federal comandada por Braga Netto, e o governador na época era Luiz Fernando Pezão, do Movimento Democrático Brasileiro (MDB). E não estão totalmente elucidadas as relações dos assassinos e a família Bolsonaro.
Por isso, a responsabilidade política dos políticos, das instituições do Estado também deve ser apurada. O caso Marielle comprova como as milícias e o seu poder estão intrinsecamente ligadas aos poderes e órgãos governamentais do sistema capitalista. A condenação dos mandantes foi um passo fundamental, mas temos que seguir mobilizados. Seguimos nas ruas, honrando a memória de Marielle e Anderson.
Marielle e Anderson, Presentes! Hoje e sempre!