Pelo Partido Socialismo e Liberdade (PSL), secção da UIT-QI na Venezuela
A situação venezuelana é marcada pelas ameaças do imperialista Donald Trump no Mar das Caraíbas, muito perto de nós, pela acelerada desvalorização da moeda bolívar e consequente aumento da inflação, e pela continuação da repressão por parte do governo. Tudo isso com o pano de fundo internacional do grande movimento de solidariedade mundial com o povo palestino e em repúdio ao genocídio sionista em Gaza, uma das expressões da ‘Flotilha Global Sumud‘, na qual participou a ‘UIT-QI‘, corrente internacional à qual pertence o Partido Socialismo e Liberdade (PSL).
Piratas de extrema direita nas Caraíbas
Como é do conhecimento público mundial, os Estados Unidos destacaram uma força militar gigantesca para o Mar das Caraíbas e o Oceano Pacífico, com o pretexto de “combater o narcotráfico“. Milhares de militares, navios de guerra, submarinos, helicópteros e bombardeiros estratégicos, aos quais se juntará em poucos dias o porta-aviões USS Gerald Ford, o maior e mais avançado do mundo, encontram-se a poucos quilómetros das nossas costas, que nas últimas semanas têm sido palco de ataques a barcos supostamente de traficantes de droga, nos quais foram assassinadas mais de 60 pessoas.
Esta ação bélica nas Caraíbas e no Pacífico faz parte de uma política global do imperialismo norte-americano que procura reverter a sua crise de dominação, manifestação da crise global do capitalismo imperialista.
Vários meios de comunicação norte-americanos alertaram que seria iminente um ataque dos Estados Unidos a alvos terrestres na Venezuela. Embora Trump tenha negado, trata-se de um ultradireitista e imperialista imprevisível, e não podemos descartar uma eventual ação militar contra o país, que repudiamos categoricamente.
O governo aproveita para limpar a sua imagem e apresentar-se como anti-imperialista, embora, para além do seu discurso grandiloquente, não tome nenhuma medida concreta para afetar os interesses imperialistas no país, como cancelar a licença da ‘Chevron‘, rescindir o contrato com a ‘Sunergon Oil‘ e outras empresas petrolíferas americanas, bem como com outras transnacionais em diferentes setores económicos do país. Por outro lado, María Corina Machado e setores da oposição burguesa assumem uma posição vergonhosa e aberrante, promovendo mesmo uma intervenção militar contra o país.
Desvalorização e inflação: mais fome para o povo trabalhador
Desde setembro do ano passado, a desvalorização do bolívar tem sido incontrolável e, com ela, a inflação disparou, afetando terrivelmente os bolsos da maioria do povo trabalhador. O fantasma da hiperinflação volta a assombrar a economia venezuelana. Seria algo inédito voltarmos a atravessar um novo período hiperinflacionário tão pouco tempo depois de termos superado o anterior.
Entre outubro do ano passado e outubro de 2025, o valor oficial do dólar teve um aumento de 432%, passando de 41,40 bolívares em 28 de outubro de 2024 para 218,17, no mesmo dia e mês deste ano. O mês de outubro termina com um aumento de 25,9%, o maior do ano até agora. Por sua vez, o Fundo Monetário Internacional projeta uma inflação para este ano de 269,9%, enquanto o Instituto de Investigação Económica e Social da UCAB (Universidade Católica Andrés Bello)estima que será de 220%. Tudo isso são más notícias para o povo trabalhador, que além dos salários de fome e da inflação, tem de lidar com o desastre nos serviços públicos, a crescente deterioração da educação e a privatização de facto da saúde pública.
Perante a crise económica, o governo aplica, em acordo com os empresários agrupados na ‘Fedecámaras‘(Federação Venezuelana de Câmaras de Comércio e Produção) e na ‘Conindustria‘, um duro plano de austeridade capitalista desde 2014, ao qual, em 2018, deu o nome de ‘Programa de Recuperação, Crescimento e Prosperidade Económica‘, complementando-o com o ‘Memorando 2792‘1 e as instruções da ‘ONAPRE‘ (‘Gabinete Nacional de Orçamento‘), com os quais liquidou os contratos coletivos e avançou na bonificação salarial.
Para aplicar a austeridade e garantir o necessário controlo do movimento operário, o governo anuncia uma “constituinte operária“, que procura liquidar o pouco que resta da independência do movimento sindical. Uma intromissão descarada em assuntos que dizem respeito apenas às trabalhadoras e aos trabalhadores.
Restrições às liberdades democráticas e Plano Operário e Popular
Para executar a sua austeridade capitalista e manter-se no poder, o governo insiste em restringir as liberdades democráticas, sabendo que é repudiado pela maioria do povo. Continuam as detenções seletivas com desaparecimentos forçados de curta duração e a violação sistemática dos direitos mais elementares dos presos políticos.
Perante toda esta situação, o PSL continua a apelar à luta contra a austeridade, em defesa das liberdades democráticas e da liberdade dos presos políticos. Só com a mobilização revolucionária do povo trabalhador poderemos derrotar Maduro e o seu pacote capitalista e de fome.
Apelamos à luta por um plano operário e popular de emergência que dê resposta a todos os graves problemas do povo. Que parta de: salários e pensões iguais ao cabaz de compras, pela recuperação dos serviços públicos, por impostos progressivos para empresários e banqueiros, para que o petróleo seja 100% venezuelano, sem empresas mistas ou transnacionais, e cujos recursos sejam utilizados para recuperar o nível de vida do povo trabalhador, na perspectiva de lutar por um governo dos trabalhadores e trabalhadoras e pelo verdadeiro socialismo com democracia operária e popular.
- O ‘Memorando 2792‘ autoriza nada mais nada menos do que ignorar os direitos contratuais e salariais a critério do empregador, além de suspender o já limitado direito à greve [↩]