Pela UIT-QI
A 9 de setembro, Israel bombardeou um escritório do Hamas no Catar com 15 aviões, para assassinar líderes palestinianos de Gaza que estavam presentes lá para as negociações com os representantes de Israel e dos Estados Unidos sobre um ‘cessar-fogo‘ em Gaza.
De acordo com informações fornecidas pelo Hamas, entre os seis mortos estão Abu Yahya, filho do chefe negociador Khalil al-Hayya, e Mohammed Al-Humaidi, membro das forças de segurança do Catar.
O Ministério das Relações Exteriores do Catar acusou Netanyahu de justificar “o ataque covarde que teve como alvo o território do Catar”. Afirmou, num comunicado de que o “Netanyahu está plenamente ciente de que o alojamento do escritório do Hamas foi realizado no âmbito dos esforços de mediação do Catar solicitados pelos Estados Unidos e Israel”.
É importante destacar que o Catar não faz fronteira com Israel e é um dos países árabes cujo governo é aliado dos Estados Unidos no Sudoeste Asiático, e casa da principal base militar norte-americana no região, com 10.000 soldados destacados lá.
Este novo e brutal ataque mostra que Israel não tem qualquer respeito por nenhum dos países árabes, mesmo aqueles que são aliados declarados dos Estados Unidos. Esta agressão para assassinar a equipa de negociações mostra que, apesar da enorme repudio popular mundial e até dentro do próprio Israel, Netanyahu tenta acabar com as negociações para um cessar-fogo e quer continuar com o atual genocídio em curso. Tenta agora ocupar, assassinar e expulsar a população de um milhão de habitantes da cidade de Gaza e estender a fome a toda a população da Faixa, enquanto ao mesmo tempo ataca com drones a ‘Flotilha Global Sumud‘, que leva ajuda ao povo de Gaza. Recentemente, Israel bombardeou o Iémen, por ter o único governo árabe ativamente solidário com os palestinianos.
Trump, por sua vez, disse que não teve nada a ver com esse ataque em Gaza, embora continue a apoiar Israel com armas. Os homólogos dos países europeus e árabes condenaram o ataque, mas nada mais fizeram.
Não basta fazer declarações críticas aos ataques de Israel! É preciso deter esta agressão genocida e exigir o cessar-fogo imediato e retirada de todas as tropas do IDF de Gaza e da Cisjordânia, bem como o fim dos ataques a outros países árabes. Tal como exigem as grandes mobilizações populares em todo o mundo e a Flotilha a caminho para Gaza, também na UIT-QI exigimos a todos os governos a ruptura com Israel, de todas as relações diplomáticas, económicas, culturais e comerciais e, impedir acima de tudo o fornecimento de armas, enviadas pelos Estados Unidos e países europeus. Para além do corte de relações é necessário exigir o envio de ajuda humanitária ao povo palestiniano.
Estas medidas devem ser exigidas em todos os países, como também a proteção e o apoio à Flotilha internacional de apoio a Gaza, que já se encontra na Tunísia com mais de 500 pessoas de 44 países em mais de 40 embarcações. Por uma Palestina livre, do rio até ao mar!