Basta de fome e genocídio em Gaza. Abram as fronteiras! Israel fora da Palestina!

1 de Agosto, 2025
4 mins leitura

Pela UIT-QI

O genocídio televisionado transmitiu globalmente as imagens mais atrozes dos crimes sionistas na Palestina: crianças desnutridas, mulheres grávidas que não podem continuar nem a sua gravidez nem a sua vida, milhares de pessoas desmembradas e mutiladas, enquanto assistimos á sua morte em tempo real na televisão e nas redes sociais. Tudo com o pano de fundo de Gaza com 95% da sua infraestrutura destruída pelos bombardeamentos. Já não há hospitais nem medicamentos, nem escolas, nem leite para as crianças desnutridas. Estas imagens não são ficção científica: é a realidade ao vivo e a consequência anunciada de quase 700 dias de genocídio israelita, com a cumplicidade do imperialismo norte-americano e europeu, e da passividade dos governos do mundo. O genocídio em Gaza é mais uma prova da barbárie do sistema capitalista.

A fome como método de guerra foi uma estratégia específica utilizada pelos nazis na Segunda Guerra Mundial. Hoje, o Estado de apartheid de Israel, com uma hipocrisia criminosa e indisfarçável, utiliza os mesmos métodos para alcançar a ocupação total do território de Gaza e da Cisjordânia, a fim de chegar ao ‘Grande Israel‘, objetivos históricos do colonialismo israelita-imperialista que, produto de décadas de resistência palestiniana, não conseguiram conquistar nem impor.

Os números do genocídio

De acordo com as informações do Quadro Integrado de Classificação da Segurança Alimentar (IPC) publicadas no final de maio, 470.000 pessoas em Gaza enfrentam fome ‘catastrófica‘ (IPC Fase 5), e toda a população sofre de insegurança alimentar aguda. O relatório também prevê que 71.000 crianças e mais de 17.000 mães precisarão de tratamento urgente por desnutrição aguda. No início de 2025, as agências estimavam que 60.000 crianças precisariam de tratamento. Estes indicadores dramáticos aumentam a cada dia.

Até ao final de julho, 60.000 pessoas, incluindo mais de 17.000 crianças, foram mortas, e mais de 145.000 ficaram gravemente feridas, isto de acordo com o Ministério da Saúde de Gaza. Dado a gravidade e o prolongamento do genocídio, várias organizações indicam que os números podem ser muito superiores e atingir mais de 100.000 pessoas mortas. Só desde o final de maio, mais de 1.000 pessoas morreram sob fogo israelita enquanto procuravam ajuda alimentar nos centros de distribuição de alimentos da Fundação Humanitária de Gaza (Gaza Humanitarian Foundation – GHF). Israel e os Estados Unidos e Trump, transformaram os centros de distribuição numa armadilha mortal.

Manter, ampliar e aprofundar a mobilização para abrir as fronteiras e acabar com o genocídio

A mobilização global em apoio à resistência em Gaza e em repúdio ao governo criminoso de Netanyahu não pára de crescer. Ela expressa-se nas mobilizações massivas em todos os continentes, e também dentro das próprias fronteiras de Israel, onde um setor antissionista da comunidade judaica se mobiliza pelo fim da agressão.

As mobilizações contra o genocídio têm sido particularmente massivas em Londres, como na França, Líbano, Egito, Somália, e Irão, e nos Estados Unidos, as grandes mobilizações contra Trump vestem-se com a bandeira da Palestina. Os povos dos países árabes mobilizaram-se para exigir aos seus governos que abram as fronteiras, como aconteceu no Egito. Em meados de junho, a ‘Marcha Mundial por Gaza‘ mobilizou-se pelo deserto para chegar a Rafah, na fronteira de Gaza com Egipto, para exigir a abertura imediata das fronteiras e a entrada de ajuda humanitária. A ditadura de el-Sisi, que governa o Egito, mostrou seu caráter repressivo e cúmplice do genocídio, reprimindo fortemente a mobilização, onde prendeu e deportou ativistas de várias partes do mundo. A Flotilha da Liberdade foi interceptada duas vezes por Israel, aprofundando mais ainda o repúdio global.

Israel foi obrigado a permitir a entrada gradual de alimentos e medicamentos, mas continua com os assassinatos nas proximidades dos centros de distribuição, matando dezenas de pessoas por dia. Vários governos, como consequência da pressão exercida pelas mobilizações nos seus respetivos países, procuram reajustar-se com novas declarações contra Israel, como fazem o Lula, o Petro e o Boric na América Latina, com alguns a prometerem mesmo o futuro reconhecimento do Estado Palestiniano na ONU, como faz o Pedro Sánchez no Estado Espanhol. Até Starmer, no Reino Unido, o subserviente Montenegro de Portugal, o imperialista francês Macron, na Europa, admitem o possível reconhecimento de um estado palestiniano – mas em todo caso, nenhuma ação de fundo que comprometa as suas relações políticas e económicas com Israel.

A pressão da mobilização mundial obrigou países aliados de Israel, como Espanha, Alemanha, França, Jordânia e Emirados Árabes Unidos, a lançar alimentos de pára-quedas nos campos de refugiados em Gaza. Isso é uma demonstração do crescente isolamento de Netanyahu, mas desesperadamente insuficiente. A ‘Agência das Nações Unidas de Assistência aos Refugiados da Palestina no Próximo Oriente‘ (‘UNRWA‘) afirma que são necessários entre 500 e 600 camiões por dia para evitar que mais de 2,1 milhões de habitantes morram de fome, enquanto Israel só permite a passagem de, no máximo, 50 camiões por dia.

Na Unidade Internacional dos Trabalhadores e Trabalhadoras – Quarta Internacional (UIT-QI), apelamos à continuação da mobilização mundial contra o genocídio em Gaza e à ampliação e aprofundamento do nosso apoio à resistência palestina. Em todas as cidades do mundo, deve se expressar a raiva e a rejeição, e a exigência permanente a todos os governos de que rompam urgentemente as relações económicas, diplomáticas, culturais, académicas e de todo tipo com o genocida Netanyahu e Israel.

Exigimos aos países árabes a abertura imediata de todas as passagens fronteiriças para permitir a entrada maciça de alimentos, água, medicamentos, materiais básicos para a reconstrução e a ajuda maciça de profissionais de saúde e voluntários! Todos esses recursos devem ser administrados pelas organizações que o povo palestiniano considerar e não pela criminosa e imperialista Fundação Humanitária de Gaza! Basta de fome e genocídio em Gaza! Fora todas as tropas israelitas da Palestina, Líbano e Síria! A Palestina vencerá, do rio até ao mar! Por uma Palestina única, laica, democrática e não racista!

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