A voz dos trabalhadores de todo o mundo: “Os vossos lucros ou as nossas vidas”

28 de Abril, 2025
3 mins leitura

Pelo Partido da Democracia dos Trabalhadores (IDP), secção da UIT-QI na Turquia

Em abril, nos EUA, realizaram-se protestos em massa, de milhões de trabalhadores, estudantes, imigrantes, mulheres e pessoas LGBTQIA+, contra a administração Trump. As políticas imperialistas e de extrema-direita de Trump, desde a sua cooperação com o sionismo até à sua hostilidade para com as mulheres e as pessoas LGBTQIA+, são bem conhecidas de todos nós. Trump, que, segundo as suas próprias palavras, é “o maior amigo que o capitalismo americano alguma vez já teve!”, continua a atacar, implacavelmente, o trabalho, devido à natureza da ideologia e da classe que representa. Está a recorrer a práticas que vão desde deportar centenas de milhares de trabalhadores migrantes, a tentar precarizar as condições de trabalho dos funcionários públicos. Contra tudo isto, foram organizadas quase 1500 manifestações simultâneas em todos os EUA no passado dia 5 de abril. Nos protestos ‘Hands Off‘ (‘Tira as mãos’), o povo norte-americano saiu à rua contra as práticas antidemocráticas e as políticas de destruição económica e social de Trump. Outro protesto em massa teve lugar a 19 de abril.

A 9 de abril, a vida parou na Grécia, com uma greve geral convocada pelas confederações sindicais GSEE (Confederação Geral dos Trabalhadores Gregos) e ADEDY (Confederação dos Sindicatos dos Funcionários Públicos da Grécia), que representam os sectores público e privado. Durante a greve, foram destacadas reivindicações como o aumento dos salários, a garantia da saúde e da segurança dos trabalhadores, medidas contra o assédio e a violência no local de trabalho, o restabelecimento dos direitos de negociação colectiva usurpados, a resolução da crise da habitação e a justiça fiscal. No dia 28 de fevereiro, aniversário do acidente de comboio de Tempi, em que 57 pessoas perderam a vida, o povo grego saiu em massa para as ruas, gritando “Os vossos lucros ou as nossas vidas”. O acidente de comboio de há dois anos foi o resultado direto das políticas neoliberais do governo, como a falta de manutenção das infra-estruturas ferroviárias e de sinalização após a privatização, e a falta de segurança e de pessoal. Nestas ações, os trabalhadores gregos combinaram as suas reivindicações económicas com a exigência de punição de todos os responsáveis pelo acidente de comboio.

A 31 de março, foi organizada na Bélgica uma greve geral de 24 horas, contra os cortes orçamentais do novo governo federal, convocada pelas duas maiores confederações sindicais do país, a FGTB/ABVV (Federação Geral dos Trabalhadores da Bélgica) e a ACV/CSC (Confederação de Sindicatos Cristãos). Muitos sectores participaram na greve, desde os transportes à educação, dos estivadores aos trabalhadores das artes e da cultura, e as organizações feministas também apoiaram a greve. Os sindicatos patronais, por outro lado, queixaram-se do impacto negativo na reputação do país e denunciaram o facto de a Bélgica se ter tornado um dos países europeus mais “propensos a greves”. As reformas, que o ministro das Finanças do governo de coligação (entre o centro-direita, os conservadores cristãos, o centro-esquerda e os liberais) defendeu com as palavras “vamos ranger os dentes durante algum tempo”, incluem ataques às pensões e aos serviços públicos, aumento das despesas com a defesa, e cortes nos subsídios de desemprego. Mesmo nos países ricos da Europa, a crise do capitalismo está a levar à redução dos direitos laborais.

Desde trabalhadores em greve contra os cortes salariais e a deterioração das condições de trabalho nas fábricas do gigante automóvel chinês BYD, até trabalhadores da saúde paquistaneses que protestam contra a privatização; desde trabalhadores que saem à rua na Argentina contra as políticas de austeridade do governo de Milei, até milhares de pessoas que saem à rua em Espanha para protestar contra a crise da habitação e as rendas elevadas… Os trabalhadores de todo o mundo continuam a lutar contra patrões e governos que dão prioridade aos lucros em detrimento das suas vidas.

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