Pelo Agustín Blanco, militante da Esquerda Socialista (IS), secção da UIT-QI na Argentina
O governo de Javier Milei pretende eliminar os limites à compra de terras rurais por parte de capitais estrangeiros. Pretende aprofundar um processo de pilhagem que já avançou ao longo de vários governos. Atualmente, cerca de 13 milhões de hectares estão nas mãos de estrangeiros, uma superfície semelhante à da Inglaterra.
Os Estados Unidos, a Itália e a Espanha concentram mais de metade dessas terras. Também se destacam empresas do Chile, da Suíça, do Uruguai, dos Emirados Árabes Unidos e do Qatar, juntamente com sociedades sediadas em paraísos fiscais. Esses capitais instalam-se em territórios estratégicos, ricos em água doce, minerais, hidrocarbonetos, florestas, glaciares ou vias navegáveis.
O mapa elaborado pelo ‘Observatório das Terras‘ ilustra esta situação. A amarelo aparecem os departamentos ou localidades onde a propriedade estrangeira ultrapassa o limite de 15% estabelecido pela ‘Lei das Terras Rurais‘. A vermelho estão assinalados os territórios localizados em zonas fronteiriças que também excedem essa percentagem. A distribuição permite observar que a estrangeirização se concentra especialmente na Cordilheira, na fronteira norte, na Patagónia e na bacia do rio Paraná.
Existem 36 departamentos que já ultrapassam o limite legal. Em Lacar, em Neuquén, e em Molinos e San Carlos, em Salta, a estrangeirização ultrapassa os 50%. Em General Lamadrid, em La Rioja, atinge os 57%. Em Tinogasta, em Catamarca, chega aos 27%, enquanto que em Iglesia, em San Juan, atinge os 25%. São territórios atravessados por projetos mineiros, reservas de água e ambientes glaciares ou periglaciares.
Em Misiones, a multinacional chilena Arauco possui mais de 230 mil hectares, avança com o monocultivo de pinheiros e controla parte de importantes bacias hidrográficas. Em Chubut, a Benetton concentra cerca de 900 mil hectares numa região marcada por conflitos com as comunidades mapuches. Perto do Paraná, empresas estrangeiras controlam terras, portos e nós logísticos fundamentais para o modelo agroexportador.