O lítio não é solução!

17 de Fevereiro, 2026
1 min leitura

No final de 2024, o governo de Montenegro concedeu à Savannah Resources uma servidão administrativa que permitia à empresa a ocupação forçada de terrenos privados e baldios em Covas do Barroso, no concelho de Boticas, para realizar trabalhos de prospeção de lítio durante um ano, em nome de um suposto “interesse público”. Este foi um grande favor do governo à empresa, que há cerca de sete anos tenta sem sucesso comprar terrenos na região para implementar o seu projeto mineiro, devido à forte oposição da população local, com os proprietários a recusarem-se a vender ou ceder terrenos.

A servidão administrativa foi amplamente criticada pela população local e por associações ambientais, que denunciaram esta decisão do governo como uma tentativa de atropelar a resistência ao projeto mineiro. No passado dia 18 de janeiro, estivemos juntamente com habitantes de Covas do Barroso e ativistas ambientais na manifestação “O Tempo da Servidão Acabou”, onde mais uma vez se manifestou a preocupação com os impactos sociais e ambientais da mina, que incluem a contaminação dos solos e das águas, a destruição da paisagem e prejuízos à atividade agropecuária e à qualidade de vida na região do Barroso, atualmente classificada como Património Agrícola Mundial.

Os três proprietários que entretanto interpuseram uma providência cautelar contra o Ministério do Ambiente, conseguindo no final de janeiro uma decisão favorável de suspender imediatamente todos os trabalhos nos terrenos abrangidos pela servidão administrativa, alertaram que a atividade da Savannah Resources vinha com grandes prejuízos, comprometendo a pastagem do gado e colocando em risco a integridade dos lameiros, áreas de pastagem permanente essenciais para a agricultura local.

A mineração de lítio não é solução para a transição energética, mas uma falsa promessa que beneficia poucos enquanto sacrifica muitos. Assim, esta providência cautelar é um passo importante na luta contra os projetos de exploração mineira, que mostra que é possível parar o seu avanço, mas acabar de vez com estes projetos exige lutar até ao fim. O Trabalhadores Unidos está ao lado da população de Covas do Barroso e de todos os movimentos que defendem o território contra a destruição.

Não à mina, sim à vida!

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